Dicionário das Marcas

 Gillette, Hellmanns e Guaraná Jesus

GILLETTE – Estados Unidos. Barbeadores. 1901.

Para entrar no mundo das grandes empresas você precisa ser criativo e audacioso, no mínimo. King C. Gillette cumpriu a primeira parte desses critérios quando inventou o chamado safety razor (barbeador seguro). Três diferenças marcavam o barbeador de Gillette em relação à navalha, instrumento mais utilizado na época.  Gillette, Hellmanns e Guaraná Jesus

A primeira era a segurança, pois o novo barbeador oferecia menos risco de corte. A segunda era o fim da necessidade de amolar, uma vez que os novos barbeadores eram descartáveis. E por fim a terceira, relacionada às duas anteriores. Já que a navalha cortava muito e precisava de intensa manutenção, muitos homens preferiam ir ao barbeiro em vez de fazerem o serviço em casa mesmo.

Porém, nem todas essas vantagens fizeram do barbeador de Gillette um sucesso. Isso porque ainda era preciso interferir no costume dos homens da época, que continuavam a preferir a navalha.

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 Hang Loose, Bulova e Quaker

HANG LOOSE – Brasil. Vestuário. 1986.

Você certamente conhece a Hang Loose, a maior empresa de surfwear do Brasil. O que você não sabe é que a origem da marca deles está associada a dois caras: um deles é o paulista Álfio Lagnado. O outro é um surfista havaiano com a mão direita mutilada.

 Hang Loose, Bulova e QuakerPara entender como tudo isso se encaixa, vejamos primeiro a vida de Lagnado. Apaixonado por surf, desde pequeno ele curtia pegar ondas, numa época em que no Brasil o esporte ainda estava longe de ser popular. Depois de se formar em economia, Lagnado pensou se seria possível ganhar a vida trabalhando somente com surf. Naquele tempo ele tinha um amigo que já tirava algum dinheiro vendendo roupas para surfistas. Como sua família tinha uma pequena loja de confecção, ele acabou produzindo algumas peças para a loja do amigo. Pouco tempo depois, o empreendimento começou a faturar e Lagnado finalmente podia viver do surf.

Passam-se os anos e, durante uma viagem ao Havaí, ele decide que é hora de ter sua própria empresa. Na hora de batizar a nova marca que estava surgindo, ele pensou em escolher um nome que simbolizasse da melhor forma a cultura do surf.

E para entender o nome que Lagnado escolheu para sua empresa, precisamos contar agora a história do nosso surfista da mão mutilada. 

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 Puma, Häagen Dazs e Paper Mate

PUMA – Alemanha. Calçados, roupas e materiais esportivos. 1948.

A briga dos irmãos Dassler criou duas das maiores marcas do mundo. Semana passada eu falei da empresa de Adolf. Hoje eu rendo homenagem a Rudolf e sua poderosa Puma.

 Puma, Häagen Dazs e Paper MateNaturalmente as trajetórias das duas companhias são parecidas. A empresa de Rudi começou a funcionar em 1948, mesmo ano da Adidas. O nome que ele escolheu teve inspiração idêntica, sendo primeiramente chamada de Ruda, um acrônimo formado pelas duas letras iniciais de seu nome (Rudolf) e sobrenome (Dassler).

A denominação teria permanecido assim não fosse o comentário de um amigo de Rudi. Ele disse que o termo Ruda soava estranho, meio sem sentido. Rudolf concordo e resolveu mudar a marca para Puma, uma palavra com som bastante parecido e que ainda tinha a vantagem de se referir ao simbólico felino nativo do continente americano.

Com o empreendimento devidamente batizado, Rudolf precisava agora achar um caminho para fazer sucesso. Uma experiência do passado lhe ofereceu uma boa sugestão. Em 1936, quando ainda trabalhava com o irmão, ele ofereceu seus calçados ao corredor norte-americano Jesse Owens, durante as Olimpíadas de Berlim. Owens ganhou quatro medalhas de ouro, fazendo uma publicidade daquelas para a empresa dos Dassler. Sem querer os dois tinham criado o que conhecemos atualmente como marketing esportivo.

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 Adidas, O.B. e Aspirina

ADIDAS – Alemanha. Calçados, roupas e materiais esportivos. 1949.

Começar um pequeno negócio não é fácil. Se você resolver encarar a tarefa sozinho, vai se preparando, pois o trabalho é dobrado. Por isso mesmo muita gente procura um sócio, aquela pessoa de confiança que chega para  Adidas, O.B. e Aspirinadividir ambições e prejuízos. Em muitos casos esse parceiro é escolhido dentro do próprio ambiente familiar. Sendo assim, é muito natural ver parentes em primeiro grau abrindo comércios por aí.

Foi o que aconteceu com os irmãos Adolf Dassler e Rudolph Dassler. Os dois tinham experiência com calçados e resolveram montar uma fábrica chamada Gebrüder Dassler Schuhfabrik (Fábrica de Calçados Esportivos Irmãos Dassler). A coisa andou bem até que uma regra de ouro da sociedade entrou no jogo, associada à verdade mais palpável da relação entre irmãos. Essa lei antiga e inflexível diz que parentes e sócios sempre brigam, não lhes faltando nunca motivos, sejam eles autênticos ou não.

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 Victorinox, Avon e Chester

VICTORINOX – Suíça. Canivete. 1884.

Diz meu avô que um homem esperto sempre leva consigo um canivete. Eu acredito nessa máxima, por isso não saio de casa sem o meu. Muita gente acha que é bobagem, afinal não moramos na selva. Bobagem é dizer uma coisa dessas, pois só quem tem canivete sabe o quanto é útil carregar um no bolso.

 Victorinox, Avon e ChesterDe todos que existem, os fabricados pela Victorinox são os mais famosos. Mais conhecido como canivete suíço, esse produto começou sua história pelas mãos de Karl Elsener, um cuteleiro que fabricava facas para o Exército Suíço. Durante um ano ele trabalhou nisso, até que empresas alemãs passaram a oferecer produtos mais baratos aos militares, deixando Elsener à beira da falência.

Engenhoso e teimoso, o empresário nem pensou em desistir. Concentrou então todo o seu esforço num novo projeto, um canivete que, além da lâmina comum, trazia em sua estrutura outras seis funções. O invento foi um sucesso e logo o exército voltou a comprar os produtos de Elsener. Esse reconhecimento permitiu à companhia usar como logomarca a cruz suíça, símbolo militar do país.

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 Danone, Consul e Fiat Lux

DANONE – Espanha. Alimentos. 1919.

Existem casais que não querem ter filhos. Até já criaram uma expressão para designá-los: casais dink (double income, no kids). Essas pessoas apresentam vários argumentos para a sua escolha. O principal deles é o custo para criar um filho atualmente. Há também a idéia de que o nascimento do rebento interfere na  Danone, Consul e Fiat Luxrelação do casal. Se antes eles viviam um para o outro, depois das crianças o tempo fica curto e o amor fica mais direcionado aos pimpolhos. Então basicamente o cenário com filhos seria algo como “agora temos menos dinheiro e menos tempo um para o outro”.

Terão os dink’s razão? Vendo pelo lado deles, realmente ter filhos é uma experiência arriscada, uma vez que não tem volta. Obviamente, se você não gostar das crianças, não poderá devolvê-las. Por isso é uma decisão tão importante. No entanto, apesar disso, eu já vi e você já deve ter visto também um monte de gente procriando só porque acha os bebês muito fofos e deseja ter um para si.

De qualquer forma, independente das opiniões, posso dizer que o médico Isaac Carasso e sua esposa não formavam um casal dink. Ao contrário, Carasso era daqueles pais bem babões e cuidadosos.

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 Jeep, Faber Castell e 51

JEEP – Estados Unidos. Automóveis. 1940.

 Jeep, Faber Castell e 51Boa parte das pessoas já teve o desejo de pegar um carro e sair pelo mundo sem destino certo. Hollywood alimenta bastante esse clichê. Quando alguém quer mudar de vida, pega o carro e sai viajando pelo país, no melhor estilo Thelma e Louise. Eu confesso que também tenho esse desejo: sem data para voltar, bastante grana no banco e um roteiro bem abrangente e flexível. Para completar, um carro grande, confortável e resistente, daqueles que encaram asfalto e terra numa boa. O mercado de automóveis oferece diversas opções, mas certamente eu cogitaria escolher um Jeep. Isso se eu tivesse grana, é claro. 

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 Brastemp, Post it e Dom Perignon

BRASTEMP – Brasil. Eletrodomésticos. 1954.

 Brastemp, Post it e Dom PerignonDesde o início da civilização seres humanos tentam influenciar outros seres humanos a adotarem determinado tipo de comportamento ou idéia. Discutindo o atual contexto histórico (capitalismo), essa influência se dá principalmente por meio dos conceitos disseminados pelos meios de comunicação de massa.

De todas as técnicas usadas pela mídia para exercer influência, a mais direta e flagrante é a propaganda. Nela não há sutileza: quem assiste sabe que está tentando ser convencido de algo, mesmo que para isso tenha que acreditar em algumas coisas que são claramente meias verdades.

A Brastemp é um bom exemplo para entendermos como a propaganda manipula o real, criando conceitos e transformando o modo das pessoas perceberem uma marca.

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 Atari, AT&T e Gap

ATARI. Estados Unidos. Vídeo game. 1971.

A história do vídeo game começa em meados do século XX, quando meia dúzia de jogos básicos foram criados nos primeiros computadores desenvolvidos pelas Forças Armadas dos EUA. No entanto, a bilionária indústria que conhecemos hoje surgiu mesmo com o trabalho de dois gênios: Nolan Bushnell e Ted Tabney.

No início da década de 70 os dois tiveram contato com jogos instalados nos computadores de laboratórios Atari, AT&T e Gap de informática de algumas universidades americanas. Até então essa era uma diversão estritamente universitária, restrita ao público dos campus. A grande sacada de Bushnell e Tabney foi tirar o vídeo game da universidade, usando um computador especificamente para rodar jogos. Montado numa estrutura em madeira ou plástico, esse computador permitia que a pessoa jogasse mediante a inserção de moedas.

Terminado o protótipo, eles instalaram um jogo chamado Computer Space e deixaram a máquina em um bar perto da faculdade. No dia seguinte, o compartimento de moedas estava cheio, mostrando o potencial daquele que é considerado o primeiro arcade comercial.

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 Coca Cola, Epson e Revlon

Antes de começar…

O Dicionário das Marcas volta à internet hoje. Mas que diabos é Dicionário das Marcas? Era novembro de 2005 quando ele surgiu, num dia em que eu pensei: poxa, todo mundo é capaz de lembrar dos nomes de milhares de marcas, mas ninguém sabe o que esses nomes significam. A partir daí comecei um blog no qual os textos falavam sobre a origem desses nomes, uma pesquisa realmente etimológica, na qual eu queria encontrar a raíz do nome da marca. Não é que o pessoal gostou? Eu até posso dizer que fiz sucesso na época. 

Porém, envolvido em outros projetos, eu acabei parando de escrever o DM. No entanto, hoje eu ganho a oportunidade de voltar com a ajuda dos autores do excepcional blog Sedentário & Hiperativo. Eles gentilmente me cederam uma coluna e também uma segunda chance de mostrar os resultados das minhas pesquisas sobre marcas.

Sem mais delongas, eu começo hoje com a mestre das mestres, a Coca-Cola. Falo também da Epson e da Revlon. Faça bom proveito!

Coca-Cola. EUA. Refrigerante. 1886.

 Coca Cola, Epson e Revlon Nem Jesus, nem Buda, nem Maomé. Os religiosos mais ferrenhos podem ficar ofendidos, mas não mudarão a verdade. Se fosse uma religião, a Coca-Cola seria a maior de todas. As pessoas que vivem hoje inevitavelmente são ou serão batizadas por pelo menos um gole da bebida. Tanto que o nome da marca já foi pronunciado em todas as línguas do planeta.

O termo foi criado por Frank Robinson, contador e amigo de John Pemberton, esse último o inventor do refrigerante. Pemberton era farmacêutico, portanto sua intenção não era criar um refrigerante, mas sim uma espécie de tônico para combater a dor de cabeça. Sendo assim, é bem provável, mas não confirmado, que a primeira fórmula da bebida levasse folhas de coca em sua composição, além de noz de cola e caramelo. Por isso Robinson teria escolhido o nome Coca-Cola, composto pelas duas principais matérias-primas do refrigerante.

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