Sedentário & Hiperativo




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comic_tub1.jpg A obra 300 de Frank Miller ganhou há pouco, grande exposição na mídia graças a sua adaptação cinematográfica. Conseqüentemente, muito tem se falado a respeito do aspecto político do filme. A pergunta rasa e primária que qualquer bom jornalista de programa dominical deve fazer é: “Quem representa George W. Bush na trama? Leônidas ou Xerxes?”. A verdade é que a ideologia embutida na hq de Miller vai muito além do cenário atual e representa diretamente as crenças do autor a respeito de política e religião.

Por mais que não diga isso abertamente, Frank Miller agregou, durante anos às histórias em quadrinhos de super-heróis questões de cunho político, ideológico e religioso. Seja em suas primeiras incursões na revista do Demolidor, ou em sua obra definitiva, Sin City, Miller deixa claro em todos os seus trabalhos um grande desprezo por instituições como governo e igreja. Esse tipo de desapego a normas e entidades reguladoras pode parecer, à primeira vista, uma simples rebeldia, uma forma de transgredir os valores da sociedade, coisa que os mestres como Miller fazem como ninguém.

Alguns poderiam baseados nas alegações acima, chamar Miller de anarquista, mas estariam cometendo um grande engano. O autor não defende ideais anárquicos (que, na etimologia da palavra grega, significa ausência de governador) mas sim uma forma, algumas vezes sutil e outras nem tanto, de nacionalismo exagerado. Também conhecido como fascismo.
Segundo a enciclopédia amiga de todas as horas, a Wikipédia, o fascismo é: coletivista, procura mobilizar as massas com propaganda vulgar e violência escandalosa (Opinião do editor). Se opõe ao liberalismo clássico e o conservadorismo. O líder fascista é um ator exagerado, no qual são depositadas todas as esperanças de forma messiânica. O fascismo surge em tempos de grande stress, quando a fórmula democrática moderna falha. Aqueles que desejam promover o sectarismo são o sustentáculo fascista.

Qualquer semelhança com o rei espartano Leônidas, não é mera coincidência. O líder bélico de Esparta em nenhum momento deixa dúvidas a respeito da superioridade de sua cidade-estado sobre o resto do mundo, bem como de seu desprezo aos líderes religiosos. A guerra é a marca registrada e a profissão desse povo, que se especializou em defender seu território, visto por conquistadores asiáticos como porta de entrada para a Europa.

comic_tub2.jpg Uma seqüência é marcante no segundo dos cinco volumes da mini-série, quando Leônidas visita os éforos. Estes “homens” são os sacerdotes de Esparta, os guardiões dos antigos deuses, e mesmo decisões primordiais para o destino do país devem passar pelo crivo destes anciões. Miller retrata estes religiosos como criaturas grotescas, mundanas e totalmente corruptas. Em poucas páginas, o autor destila seu veneno sobre as instituições religiosas, que maquiam-se de santidade para obter benefícios bastante questionáveis, como dinheiro, status e sexo. É impossível não pensar que esta é a visão que Miller tem da religião organizada: um bando de homens sujos e imprestáveis que se aproveitam da fé alheia para tornar suas vidas cheias de riqueza e luxúria. A caracterização deformada dos personagens reflete a podridão interior das organizações religiosas, principalmente a igreja católica que, quando não promoveu, foi conivente com muitas guerras, a fim de perpetuar seu poder junto às massas.

comic_tub3.jpg O Rei-Deus Xerxes também pode ser encarado como uma representação da igreja, que submete “escravos” para aumentar seus domínios e seu poder. O domínio do mundo é o objetivo deste “Deus”, que na verdade não passa de um homem megalomaníaco, coberto de ouro e soberba. É difícil não notar aqui, uma nova crítica ao vaticano, com seus ornamentos dourados, que têm por objetivo justamente mostrar ao homem sua insignificância diante de tanta grandeza.

O objetivo de Leônidas em sua campanha suicida nada mais é do que mostrar aos persas que seu líder, auto-proclamado Deus, pode sangrar. Ao jogar sua derradeira lança, o rei espartano não mata mas consegue, com seu sacrifício, mostrar a todos que o divino não existe. Apenas o poder do homem, a força de vontade, a união do povo, a força do conjunto, representada pelo exército impenetrável e a organização militar espartana, é capaz de alcançar grandes objetivos.

A presença de um grande líder que é capaz de sacrificar tudo por sua nação e por seu povo, o Estado que é mais importante do que tudo e a morte da religião, pois esta nada mais faz do que enfraquecer o povo são os principais pontos que Miller nos apresenta, e que representam, claramente, ideais fascistas. E não é a primeira vez que o escritor traz à tona este tipo de visão política. Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, o autor mostra o homem-morcego como o líder político de uma revolução que tem por objetivo derrubar uma fachada de liberdade em um país totalitarista, os Estados Unidos de um futuro próximo. Assim como o rei espartano, Batman trata seus soldados como “crianças”, mas em nenhum momento se arrepende de usá-los para alcançar aquilo que julga ser um objetivo maior: a liberdade. Quando nos mostra a derradeira luta entre Superman e Batman, Miller novamente nos confronta com o embate entre o homem e o divino. O kryptoniano, tratado como um deus entre os homens, acaba levando uma surra do mortal vestido de morcego, que utiliza apenas inteligência, táticas de guerrilha e, claro, um pouco de kryptonita. comic_tub4.jpg

O “líder fascista” de Frank Miller, seja ele Batman ou Leônidas não mata os falsos deuses, mas os utiliza como exemplo, provando que são tão humanos quanto eu e você, cheios de defeitos e imperfeições. Ao contrário disto, eles mesmos se colocam em sacrifício, tornando-se assim mártires e provando a seu povo que qualquer esforço é válido quando o que está em jogo é a integridade da nação.

Do início ao fim, 300 nos traz uma história de honra e glória, mas principalmente de quebra de valores. Somos apresentados a uma sociedade guerreira, praticamente primitiva, mas que mantém sua conduta e seus ideais inabaláveis, apesar de serem cercados por instituições falidas e inescrupulosas. Por outro lado, os persas, considerados um povo à frente de seu tempo, demonstram submissão diante de um poder religioso que os torna medíocres. Os espartanos, ao ignorar seus sacerdotes e seguir uma orientação de retidão e valorização de seus ideais merecem, no mínimo, nosso respeito. Miller nos mostra em 300 que a grande força da humanidade não se encontra na religião e sim no povo, que os espartanos aprendiam a defender com a própria vida, durante anos de árduo treinamento.

comic_tub5.jpg Particularmente me irrita um pouco notar que somos, hoje em dia, muito mais persas do que espartanos. Nos devotamos a “deuses” pré-fabricados pela mídia, nos deixamos escravizar por sistemas de idéias que nos são vendidos de forma pasteurizada, mas pouco nos importamos com aqueles que estão a nosso lado, na linha de frente. É hora de levantar nossos escudos contra os discursos prontos que provém de nossos meios de comunicação. Da coxa ao pescoço, mas não descuidando da cabeça.

Na próxima coluna vamos falar do Homem-Aranha e a volta do uniforme negro. Seria mais uma jogada de marketing para o lançamento do filme ou há alguma relevância para a trama?

Um abraço!
Marton Santos

Link download - 300

Link download - Cavaleiro das Trevas
Senha: reverso
Créditos: Rapadura Açucarada

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45 Protestos

  1. Antonio Monteiro disse:

    A crítica é válida. Só questiono a palavra “fascismo”. Fascismo é, ao contrário do sentido do texto, baseado inteiramente nas instituições governamentais. É, na verdade, um exagero do controle estatal na esfera privada.

    Frank Miller deveria ser classificado como anarquista. Anarquismo sim é a ideologia que despreza todo tipo de governo, ou instituição (como a Igreja).

    Só um adendo, portanto…

  2. k@li disse:

    De fato, o entendimento de fascimo passa por aí mesmo, Antonio. Mas acho muito pretensioso dizer que o artista ‘x’ ou ‘y’ é ‘fascista’ ou ‘ anarqista’ com toda a propriedade do mundo; Podemos, sim, através de uma leitura da obra de um determinado autor, perceber tendências.
    Na obra de Franki Miller, as tradicionais instituições são frequentemente criticadas. Isto é fato. Agora, anarquia? Fascismo? Não podemos esquecer que o artista em questão é um homem de seu tempo e de seu país, um estadunidense do seculo XXI, e como tal, podemos notar os valores yankees, mesmo quando eles estao sendo arduamente criticados.
    Agora quanto ao texto do Marton, bem achei legal para tirar algumas perguntas, mas em alguns pontos eu achei bem forçado: do tipo ‘É difícil não notar aqui, uma nova crítica ao vaticano ‘… e outros pontos do tipo( devemos lembrar da importancia do catolicismo na saga ‘ queda de Murdock ‘ por exemplo). Por que eu acho forçado? Bem houveram alguns aspectos - bem mais gritantes - que o nosso critico deixou passar: pro exemplo, o fato dos espartanos se considerarem o único povo de ‘ homens livres ‘, segundo a obra de miller. No fascismo, nao existe a liberdade, não é? a censura impera, e o Estado é o grande lider.
    Desculpem a xaropação! um Abraço a todos!

  3. Gláucio Faria disse:

    Concordo com o ponto de vista de k@li, no entanto acredito no que realmente exista um viés fascista na obra de Miller. Algo que não devemos esquecer é que um governo fascista cria argumentos para iludir o povo, pra que se sintam “livres” quando de fato não são. Na questão do vaticano, também acredito que o texto forçou essa relação de maneira meio artificial, ficou com cara de “teoria de conspiração”. De qualquer forma gostei muito do texto, um dos melhores que li sobre o Miller. Parabéns.

  4. Marton Santos disse:

    Agradeço as critícas pessoal…sabia que texto polêmico daria nisso, mas na medida do possível vou participando do bate-papo aqui.

    Antônio: Miller não é contra as intituições e convenções da sociedade (ao contrário do anarquista Alan Moore, por exemplo), mas sim contra formas reguladoras que enfraqueçam a nação. A ideologia fascista é assim. Os governos, ao longo da história, que adotaram tal modelo acabaram deturpando alguns aspectos, e por isso mesmo vimos seu sistemático declínio. Enfim, acho que o que você cita como fascismo é o derivado de seus regimes, e não a ideologia fascista como ela foi concebida.

    K@li: Não acho forçado notar uma crítica à igreja em uma trama onde o líder de um país, primeiro ignora seu clero (Deus), e depois parte em campanha para impedir o avanço de um “deus” (além do óbvio desprezo que Leônidas mostra tanto pelo clero quanto por Xerxes em suas conversas). Quanto ao fato de os Espartanos serem “livres”, vale lembrar que o fascismo é notavelmente lembrado por sua propaganda fortíssima. Nada mais normal do que soldados “livres” marcharem para a morte achando que aquilo realmente é uma decisão deles. Propaganda é isso…fazer os outros fazerem aquilo que não querem, mas fazendo eles acharem que foram eles que decidiram por isso…

    Por fim, não quero dar uma verdade absoluta a respeito da ideologia de Miller. Obviamente esta é uma interpretação pessoal…embasada, mas sempre pessoal.

  5. Társio disse:

    O fascismo e o nazismo são idéias mt contraditórias pq, apesar deles terem essa questão de valorização do povo, eles tinham uma certa aliança com a Igreja, pois ambos queriam afastar o comunismo. E, outra coisa, o nazi-fascismo soube utilizar mt bem a propaganda e a mídia para criar td um mito em volta do exercito; das fisguras do Mussolini e de Hittler e da própria superioridade da raça.
    Outra coisa: não consigo, pessoalmente falndo, vê 300 de Sparta como um exemplo, cara. Afinal, 300 é um discuro pronto, de certa forma tb. Há diversos clichês e divergências com a história real. Acho q há obras em quadrinhos mt melhores nesse sentido, como, por exemplo, DMZ por Brian Wood e as histórias do Joe Sacco.

  6. k@li disse:

    Marton, continuo ainda não concordando com seu ponto de vista, mas devo agradecer o espaço aberto para a discussão! Isto sim é batante estimulante nos quadrinhos: as várias interpretações e leituras possíveis dos artistas e a possibilidade de se aprender um pouco mais através das HQs.

    Na minha leitura da obra de Frank Miller, insisto, podemos notar uma gradativa descrença nas instituições e valores norte-americanas (1), mesmo quando aquele autor não falava diretamente deles ( como em Ronin. Aliás nesta obra, em minha opinião, a descrença sobre o futuro daquelas sociedades, tanto a dos EUA quanto a japonesa, de Miller ficam explícitas ) e mais,(2) a força do indivíduo contra uma ordem pre-estabelecidada e corrupta.

    Os heróis de Miller vão contra a ordem, contra o coletivo. São individualistas por excelência. E o fascismo pressupõe a coletividade em prol da ordem ( ‘fascismo’ vem do verbete fascio, que significa ‘feixe’ que representava o povo unido. Era um dos simbolos usados por Mussolini para caracterizar o seu regime; e era exibido junto um machado, representando a força.)
    Mais uma vez, um abraço a todos!

  7. Leo disse:

    naum tem nada a ver com o topico, mas naum achei um espaco melhor pra comentar: fiquei felizão q segunda da semana passada o S&H apareceu no estadão numa reportagem sobre o omelete.com.br, como um dos melhores blogs do genero :D
    parabéns

  8. MRRG disse:

    De fato, F.M. tem um viés fascista. E como bom representante dessa ideologia, não tem pudores em abraçar o ‘bom e velho’ dinheiro conseguido com sua lamentável ‘obra’ Cavaleiro das Trevas 2.

  9. ks disse:

    Poxa, QUERO MUITO LER O TEXTO, aqui não está abrindo :(

  10. Paulo disse:

    É inegável a grande carga ideológica de 300, reforçada com o filme.
    Gostaria de colocar mais lenha na fogueira:
    - A nação (como diz Leonidas) de homens livres e fortemente militarista: Esparta, o “mocinho”, seria uma alusão aos EUA?
    - Frank Miller distorce a história para traçar um paralelo dourado entre “sua” Esparta e os EUA?(é sabido que a verdadeira Esparta tinha um regime político e social fechado e oligarquico; tinha um batalhão de escravos, que eram tratados como lixo; bem como o “amor entre iguais” (homosexualismo) era tão incentivado quanto em Atenas (chamada de bando de filosofos pederastas pelo Leonidas de Miller);
    - Os persas, mostrados como uma fauna estúpida, diversificada e bizarra, o “bandido”, seriam o paralelo do “resto do mundo” (na visão estadunidense)?
    - Seria racismo de Miller colocar Negros=Persas=bandidos?
    - Liberdade X Autoritarismo; Pureza X Devassidão; Valores elevados X Ganância; Ocidente X Oriente; EUA e Europa X resto do Mundo. Frank Miller está a serviço da “superioridade” da ideologia republicana?

  11. álvarO disse:
    2to.gigafoto.com.br

    legal essa interpretaçaum :thumbs:
    to ansioso pra finalmente assistir ao filme
    flw :bye:

  12. Marton Santos disse:

    K@li, concordo com muitos de seus pontos de vista, mas apesar de exaltar o indivíduo, tanto em 300 quanto em Cavaleiro das Trevas, Miller mostra que nada se consegue sem o coletivo. Visto o exército de “batboys” que o homem-morcego “recruta” ou os 300 de Leônidas. Para os dois líderes, somente a união de um exército pode conseguir alguma coisa…São heróis solitários sim, como o próprio mito do herói os define, mas dependem de um coletivo para instalar sua nova ordem, e não para acabar com qualquer tipo de governo, o que constituiria anarquia.

    Paulo…acredito sim em alguns pontos de vista que levantaste. Acho que a questão de transformar espartanso em “machos” seria mais pra não desagradar os americanos puritanos. Mas a diversidade persa evidencia a fraqueza do povo, não enquanto raça, mas sim quanto a ideais e culturas diferentes, e que essa missigenação torna fraco os ideais do povo. Ao contrário do cinema, nas hq´s os espartanos quase não se diferenciam um do outro fisicamente nem psicologicamente…todos parecem e pensam da mesma forma, como um só ser. Isso para Miller é a força do povo, a força da nação, seja ela a América ou Esparta.

    Társio: os fascistas apenas toleravam a igreja, pois ajudam a manter os cordeiros mansos. De outra forma você não concorda que Leônidas teria cortado as cabeças dos sujeitos que estavam decretando uma matança em seu território? Interesse. Nos regimes fascistas as igrejas só eram toleradas por causa disso. Ou será que Hitler e Mussolini tinham medo do inferno?

  13. giovan nardelli disse:
    giovan.adv.br

    É claro que que a história dos 300 é muito parecida com o que vemos hoje em dia.

    Basicamente, a vitória (ainda que não da batalha, mas da guerra) possibilitou o nascimento da democracia; termo, aliás, nascido em esparta.
    Notem que o Rei Leônidas, que queria ir à guerra defender seu país, mas não pode, pois deveria obedecer a lei.
    Um rei que obedece às leis? Não vejo nada mais bonito que isso…
    Observem que os éforos, aplicadores da lei, são os que a corrompem…

    Qualquer semelhança é mera coincidência????????????????????

    Explicando melhor, todo o conceito de reforma agrária e democracia implantado em Esparta possibilitou a existência do mundo grego.

    O mundo grego, sob os moldes espartanos (menos o militar), em especial Atenas, desenvolveu o conceito de polis e democracia, através dos renomados Aristótels, Sócrates… Platão e aí vai (não necessariamente nesta mesma ordem).
    Observem que estes conceitos foram melhor definidos apenas no século 18 (1789) com a revolução francesa, onde o conceito aristotélico foi aprimorado por Rousseau (se não me engano) definindo a tripartição dos poderes, em executivo, legislativo e judiciário.

    Agora, lembrando que a babilônia, antiga capital do mundo persa, é atualmente o Iraque, e os americanos utilizam todos os conceitos gregos de democracia, estamos revendo a antiga guerra.

    É claro que é parecido. Tão parecido que é igual.

  14. Paulo disse:

    Giovan,

    Chamo sua atenção para o fato de que é o Irã, e não o Iraque, que é descendente da antiga Pérsia.
    Outra confusão que se costuma fazer é considerar os persas (e iranianos) de povos semitas (ou árabes) na verdade os persas-iranianos são arianos (dai o nome Irã) ao contrário do que se vê em 300, persas arabizados ou caracterizados como mouros (muçulmanos do norte da África) que só se destacaram (cultural e militarmente) muito depois dos persas.
    Se não me engano a capital do império persa era Persépolis.

  15. giovan nardelli disse:
    giovan.adv.br

    Tem razão Paulo.
    Mas recordo-me que Alexandre, da macedônia, ao dominar a Pérsia, o fez primeiramente na Babilônia.
    Errei quanto a capital, mas a Babilônia não deixa de ser persa, mesmo assim.
    Reputo-me a ela simplesmente para contextualizar o assunto.
    Grato.

  16. Paulo disse:

    Exato Giovan,

    A Babilônia (dos mesopotânios ou caldeus, estes sim semitas) era sede de um poderoso império anterior aos persas, e foram dominados por estes últimos em sua expansão para o oeste.

  17. Kyoudai! disse:

    Às vezes, uma história em quadrinhos é só uma história em quadrinhos.

  18. Thiago disse:

    Às vezes, uma história em quadrinhos é só uma história em quadrinhos.

    Repito as palavras do amigo.

  19. Fernanda disse:

    As vezes eu história em quadrinhos é só uma história em quadrinhos [3] :upset:

  20. gustavo disse:

    as vezes as pessoas inventam histórias pra mostrar a realidade.

    talvez 300 seja mesmo só uma história em quadrinhos..

    e 1984 só um livro de romance.

  21. Pitágoras disse:

    Analisando acuradamente a obra de Frank Miller intitulada “300…”, podemos notar, através da nossa percepção crítica, que ela, mesmo sendo algo um tanto superficial, nos dá um bom espaço para que possamos, finalmente, explanar tudo aquilo que lemos de Marx, Nietzsche, Freud, Jung e Maurício de Souza. Só para citar o nosso saudoso Tião Macalé, evoco suas palavras para traduzir o que penso sobre essa tão custosa discussão; “Ih… nojento… TCHÃN!!”. E tenho dito.

  22. guteen disse:

    Por Favor, Vao ler Historia, Geografia, Biologia.. Gracas a coragem e inteligencia de homens assim que o pensamento grego floresceu posteriormente e hoje temos a democracia. Fatos sao documentados e cada um nos conta sua versao conforme o meio de comunicacao que cada contador tem a disposicao; hoje o potencial da disseminacao é enorme. As guerras sempre existiram e muitas ocorrem agora mesmo.
    Desde leonidas ate maquiavel e nos dias atuais observa-se a Historia e Geografia para serem elaboradas estrategias de conservacao das cidades-estado ate principados e Estados- Nacoes.
    Se realmente tem interesse consulte arquivos cientificos em documentos arqueologicos em que muitos tem traducao Inglesa disponiveis na rede. Graças a Gente como Miller juntamente com Desenhistas / Ilustradores à Diretores de Cinema que formam um exercito de culturamento que facilitam o acesso dos Leigos nos mostrando o caminho das pedras ate as fontes (terra e agua)
    As vezes o inimigo que vem de fora é justamente aceitacao passiva
    de ideologias em massa que consideram tudo que passou nao vale mais e nossa falta de consciencia que nos leva a sucumbir por falta de reacao a preguica mental que torna-nos escravos por isso facam da Educacao o seu escudo.

  23. k@li disse:

    giovan nardelli: os tres poderes foram idealizados por Montesquieu, no século XVIII.
    Pra galera da repetição: De fato uma história em quadrinhos, as vezes é só uma história em quadrinhos. Só que esta em especial é uma releitura histórica; Tem gente que se diverte lendo a história e pronto ( caras como nós); outros lêem a história e buscam interpretações - que tenham a ver ou não;
    Não condeno quem não gosta de debater uma Hq. Mas, se você lê uma estória que pode ter acontecido de fato e você nem se abala pra ver se aquilo aconteceu de fato ou não…Cara, eu acho que é muito sangue-frio..!
    Um abraço a todos e boa noite!

  24. Silveira Neto disse:
    eupodiatamatando.com

    Adorei o post.
    O filme e a hq 300 de esparta tem forte carga ideológica. Justamente após o cavaleiro das trevas Frank Miller assume uma visão mais totalitária.
    Fascista? Não achei incorreto o uso desse termo para 300. Só não ficou claro pra mim se o autor do texto compartilha ou não dessa visão.
    Esparta é EUA? Se EUA é um pais belicoso, onde há um culto pelas armas e uma longa histórico de guerras, então acho que EUA é esparta sim.

    Achei 300 (o filme) um excelente filme de ação com ótimos efeitos especiais e divertido. Mas nada mais que isso.

  25. Lisandro disse:

    Muito boa a iniciativa do autor do texto. Porém, referências da Wikipédia não são a coisa mais instrutiva do mundo… e Miller não estava tecendo nenhum paralelo ou delineando sutis críticas, a meu ver. 300 mostra bem fielmente o que era a sociedade espartana - a unica cultura helênica não-democrática. Quem quiser saber mais, favor ler “Paidéia” de Werner Jaeger, “A Cidade Antiga” de Fustel de Coulanges ou qualquer obra SÉRIA sobre a organização social e política das sociedades da Hélade.
    E sim Xerxes era considerado divindade, literalmente, assim como Ciro, Dario, Artaxerxes (seu pai) e praticamente todos os imperadores persas. Na região do Crescente Fértil, de cultura mais antiga, era a forma de justificar um imperador - um unificador de tribos. Funcionou entre os egípcios, então a fórmula foi levada até persas, medos, babilônios, etc etc etc.
    Parabenizo o autor do texto por plantar a semente da crítica, do gosto pelo pensamento e principalmente pela história antiga, que nos mostra o quanto as instituições ainda são as mesmas ao longo do tempo. Abraços a todos =]

  26. Paulão disse:

    Cara vc escreve mto bem, e são interessantes as reflexões que vc produz no texto, mas discordo qdo vc fala que Xerxes representa o Vaticano. Tanto na HQ quanto no filme, Xerxes é tão ou mais fascista que Leônidas.

    O que vc falou no último parágrafo ficou muito bom, conclusão nota 10 pra um texto nota 8.

    Este tipo de análise transforma este blog, que já é extremamente agradável para o lazer, em um blog que apresenta novas idéias e promove debates inteligentes como o que vemos nos comentários.

    Parabéns Marton e equipe S&H que criou este espaço.

  27. Paulo disse:

    Marton,

    Extrapolando as Guerras Médicas, eu creio que a diversidade pode ser um ponto positivo para uma nação, um dos impérios mais poderosos de todos os tempos, o romano, usou a diversidade a seu favor. Fixando em nosso país, sua diversidade é um dos nossos aspectos que considero mais bonitos. Esse negócio de pensamento padronizado soa a totalitarismo. Ideal de nação, sim! Bando de automatos de mente lavada, não!
    Li uma matéria, logo após a primeira eleição de Bush Filho, que nos dá uma ideia do pensamento do americano ‘wasp’:
    apesar de não ter sido eleito com a maioria dos votos populares, 1 dia após o resultado da eleição, Bush já tinha aprovação da maioria da população. Força das instituições ou bando de teleguiados? ou um pouco de cada.
    Cá para nós, este aspecto da democracia americana é bem esquisito: o presidente é eleito por eleição indireta pelo congresso, igualzinho ao Brazil da Ditadura Militar. Até o bipartidarismo reforça a semelhança.

  28. xbacon disse:
    xbacon.wordpress.com

    Só temos que lembrar que 300 não é apenas uma obra de Frank Miller, mas sim um fato histórico. Não é escolha dele os espartanos se julgarem melhores que os demais, pois eles realmente o faziam, por terem a melhor força militar da Grécia.
    Em 300 como no Cavaleiro das Trevas, vimos um líder que é retratado mais como vilão do que herói, principalmente no Dark Knight, o que no meu ponto de vista, não indica uma apologia ao facismo, mas sim uma crítica.
    O foco são as grandes estratégias de batalha e o fato de que não existe o bem e o mal, apenas lados da batalha e opinões adversas.

    Acho que é só.

    Abraço!

  29. Marton Santos disse:

    Agradeço as críticas de todos, positivas ou negativas…
    Pra quem perguntou a minha posição: acho que não existe verdade absoluta. Não acho que diversidade cultural seja uma característica ruim, apenas uma característica que o fascismo acha ruim, e por isso é retratada de forma pejorativa na hq.
    Quem acha que uma história em quadrinhos sempre é só uma história em quadrinhos, deve achar que o Jornal Nacional nos traz somente notícias e não visões políticas ou religiosas (alguém consegue não saber o que o papa vai comer, beber e ouvir durante sua importantíssima visita ao brasil?). A estes tenho a dizer que quem escreve quadrinhos não os pensa apenas como quadrinhos…

  30. Paulo disse:

    Valeu Marton!

    Muito boa a discussão, humilde prova de que a História e a Arte são estruturas vivas e nos convidam a reflexão (que agregada à diversão as torna mais fascinantes).

    Ars Longa, Vita Brevis

  31. Nati disse:

    Bah… Muito bom

    Concordo muito com a opinião do autor no últiom parágrafo, a respeito da sociedade hoje em dia…

    Bju mano!! :hehe:

  32. André disse:

    A primeira coisa que devemos comentar antes de analisar a obra de Miller, é o quanto ele foi fiel à historia Espartana. Em alguns pontos ele peca por simplificar em muito a trama histórica (ele nem teria condições de fazer isso em uma HQ). Começarei falando sobre esparta. Muitos não sabem, mas podemos dizer que Esparta é o berço da democracia de como conhecemos hoje, pois 300 anos antes de Atenas ela já tinha realizado uma reforma agrária que contemplava todos os cidadãos espartanos. Todos os cidadãos eram iguais perante a lei, seja rei ou não. Os éforos, ao contrário do que vemos na HQ e no filme, não eram sacerdotes, mas sim os magistrados mais graduados, que tinham a tarefa de zelar pelo cumprimento das leis. Eram os cidadãos mais respeitados, pois já haviam passado por guerras e sobrevivido (o que não era fácil chegar a uma idade relativamente alta). Leônidas já tinha os seus 40 e poucos anos na época da batalha das Termópilas, motivo pelo qual ele estava sempre muito protegido, com armadura completa, que incluía elmo, peitoral, pederneiras e proteção para o antebraço. Os guerreiros espartanos eram conhecidos por sua habilidade como infantaria pesada, isso significada que usavam armaduras muito resistentes, mas que não davam muita mobilidade às tropas. Nesse ponto Miller tira uma licença poética ao imaginá-los lutando de peito descoberto. Ao partir com seus 300 trezentos homens, que eram sua guarda pessoal, ele foi desejando a morte, pois algum tempo antes ele havia consultado o oráculo de Delfos e seu prognóstico foi que a guerra seria vencida pelo povo que tivesse um rei morto. Por isso Leônidas desobedeceu a gerúsia (senado) e o eforado, pois todas as cidades gregas cessavam as lutas na época de festas religiosas. Xerxes, ao contrário do mostrado no filme, não era um rei narcisista e megalomaníaco. Pelo contrário, era excelente administrador, e considerado muito sábio. Aqui temos outra licença poética. Xerxes não ia ao campo de batalha, por isso, não teria possibilidade de ser ferido. Mas a cena em que Xerxes é ferido tem uma conotação simbólica, mostrando que até os “deuses” podem ser feridos. Efialtes era “perieco” (aquele que habita em volta), e não espartano. Sua deformação moral fez com que Miller transferisse a sua torpeza interior para o exterior, caracterizando-o como um “monstro”. A última batalha também não aconteceu da maneira retratada. Leônidas de maneira alguma se ajoelha, mesmo porque Xerxes não estava no campo de batalha. Leônidas foi um dos primeiros a morrer, e os guerreiros que ainda sobreviviam, tentaram de todas as formas reaver o corpo do rei morto, primeiro com suas espadas, depois com unhas e dentes. Não há episódio tão singular na história, que demonstrasse tanta coragem de 300 contra um exército de 300 mil homens. Se hoje nos consideramos ocidentais, e temos nossos valores e cultura, devemos a maior parte dela a Leônidas e seus 300 guerreiros, pois se Xerxes tivesse adentrado a Grécia, uma das primeiras cidades a cair seria Atenas, pois esta, apesar de ter uma marinha formidável, não poderia conter o exército persa em uma batalha em campo aberto. Espero que com esse “pequeno” comentário possa ter esclarecido algumas coisas, e despertado a curiosidade de alguns sobre esse povo fascinante. Sempre que nos depararmos com alguma adaptação de algum episódio histórico, devemos olhar com calma e não acreditar em tudo que nos é contado, pois, ao fazer uma adaptação, os escritores precisam fazer algum tipo de modificação. Se alguem quiser saber mais, peguem o livro que se chama: História, (de Heródoto), Vidas Paralelas (de Plutarco).

  33. manuel correia disse:
    manegonca.no.sapo.pt

    do texto fica também outra ideia;
    a de ser livre,
    e essa é completamente contrária ao fascismo.

    da mesma maneira que alguns criaram as religiões,
    houve outros alguns que criaram as nações.

    quer uma coisa quer outra, são invenções do homem.

    a ideia do miller é exatemente essa,
    um ser livre que pense pela própria cabeça
    e que não vá atrás do que já existe, pelo menos sem pensar.

    aliás, cá para nós que ninguém nos houve;

    sem nações e sem religiões, a vida era toda muito mais fácil.
    para não dizer, um paraiso.

  34. Paulão disse:

    Marton, dá uma olhada no Mais! (caderno intelectual da Folha de S.Paulo) deste domingo, tem uma crítica ao filme e também fala que é fascista.

    Você disse antes!

  35. Elson disse:

    Não consigo baixar o link com 300… tenho de baixar algum programa antes? qual? onde?

  36. 300 de Frank Miller at Zé Cachorro disse:
    zecachorro.com/?p=13

    [...] Por mais que não diga isso abertamente, Frank Miller agregou, durante anos às histórias em quadrinhos de super-heróis questões de cunho político, ideológico e religioso. Seja em suas primeiras incursões na revista do Demolidor, ou em sua obra definitiva, Sin City, Miller deixa claro em todos os seus trabalhos um grande desprezo por instituições como governo e igreja. Esse tipo de desapego a normas e entidades reguladoras pode parecer, à primeira vista, uma simples rebeldia, uma forma de transgredir os valores da sociedade, coisa que os mestres como Miller fazem como ninguém. Leia mais. [...]

  37. Ricardo disse:

    Detesto teóricos da conspiração. Procuram pelo em ovo em qualquer coisa, por mais legal e divertida que ela possa ser.

    300 é simplesmente uma HQ muito bem feita. Baseada nas histórias/lendas da batalha das termópilas(já contadas no livro portões de FOGO) e nada tem de clamor ao fascismo ou qualquer merda do tipo.

    eu levo ela mais na base do: “Cala a boca e leia”

  38. Carlos Andre disse:

    Marlon, parabéns pelas análises! Não sei se vc aceita “sugestões de pauta”, mas aí vai assim mesmo: Que tal uma discussão sobre Cavaleiro das Trevas 2, o maior lixo que FM já escreveu?
    E já botando gasolina na fogueira: será que ele foi censurado pela DC (o último livro demorou uns 6 meses pra sair) e em protesto fez aquela merda? Lembre-se que Batman chama o povo contra o governo no final do livro 2!!!
    Abraço!

  39. william disse:
    oi

    :bye: :flame: :beer: :eek: :bye: :closedeye :clover: B) :cool: :cry: :zzz: : :>: :hehehe: :sick: :coma: :skull: :P :unsure: :upset: :tongue: :hehe: :ohgod: :) :) :( ;) :(

  40. Michael disse:

    Cara pelo amor de Deus refaça o link pra down dos quadrinhos…sabe qtos anos esotu a tras de cavaleiro das trevas? noss por favor
    obrigado!

  41. calado disse:

    esse link tah quebrado, diz que nao existe eu queeeeeeerrroooo 300 de esparta kd?

  42. Erick disse:
    noway

    Cara, frank miller é democrata, e sinceramente não tem nada de facistas nas obras dele. O facismo é muitas vezes criticados em quadrinhos como give me liberty onde o presidente golpista é um republicano.

  43. Erick disse:
    noway

    Bom, retiro o que disse.

    Mesmo que Give me Liberty me de uma opinião de que Miller é anti facista, uma segunda analise nas outras obras dele me fazem pensar realmente.

    Alem desse artigo, esse do omelete me fez concordar com essa opinião ( http://www.omelete.com.br/quad/10000687.aspx ). O nacionalismo nas historias de Miller é mesmo exagerado incluindo as visões pro-guerrra.

    Frank Miller é fascista, Brian Wood é comunista, Alan Moore é anarquita ( ou agora bruxo, ou sei la oq).

    Talvez quadrinhos não seja so quadrinhos mesmo…

  44. César disse:

    Outra grande “licença poética” de Frank Miller na história em quadrinhos assim como no filme é retratar que o rei Leônidas lidera somente 300 soldados espartanos e alguns poucos arcadianos para fazer frente ao exército persa. Na verdade Leônidas liderou um exército de perto de 7.000 homens cujo principal batalhão eram realmente os espartanos, mas de maneira nenhuma eram somente 300! E fora que ele, o rei espartano, não morre daquela maneira heróica e muito menos sobe ao trono de Esparta do modo como é retratado no filme. SImplesmente ele sucedeu seu irmão, que havia enlouquecido, não existindo aquela relação de sobrevivência contra um lobo feroz na floresta.

  45. Gabriel G. disse:
    wrevolta.blogspot.com

    Chegando muuuto atrasado na discussão…

    Eu resolvi colocar este comentário aqui só porque, essa discussão me inspirou a pensar a respeito do assunto, e, com mais de um ano de atraso, a escrever um texto mais detalhado (e pretensioso, talvez) sobre o tema em discussão.

    Se interessar minimamente, o link está aqui: http://wrevolta.blogspot.com/2008/09/dinning-in-hell.html

    Abraço.

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