Como se construíram as pirâmides? Créu Nível 2

11 mar 2008 | por em Dúvida Razoável às 16:56
 Como se construíram as pirâmides? Créu Nível 2
Conhecido como o “Heródoto dos árabes”, o historiador Abu al-Hasan ‘Ali- al-Mas’u-di descreveu no século 10 a forma como as pirâmides foram construídas. Segundo a lenda, um “papiro mágico” era usado para fazer os blocos de pedra levitar. Mas calma, não era magia, era tecnologia!

 Como se construíram as pirâmides? Créu Nível 2O papiro era colocado abaixo do bloco a ser movido, e a pedra era então golpeada com um cetro de metal como o que as divindades egípcias são comumente representadas portando. Aqui estava o segredo. Isto criava uma ressonância acústica que fazia a pedra levantar e se mover ao longo de outros postes de metal, amplificando a ressonância. O procedimento era repetido toda vez que a ressonância começava a se dispersar. O “papiro mágico” talvez atuasse como um isolante entre a pedra e o solo, facilitando a ressonância.

Som. As pedras levitavam com som. Abra sua mente, porque dizem que este conhecimento oculto foi preservado, sendo aplicado por monges tibetanos em anos recentes, e há mesmo registros filmográficos do fenômeno. Filmes, criançada.

OMMMMMM
Em 1959 o projetista sueco Henry Kjellson publicou um curioso relato em uma revista alemã. Dizia ele que seu amigo, o Dr. Jarl, estudava em Oxford e fez amizade com um jovem estudante tibetano. Algum tempo depois, enquanto o Dr. Jarl estava no Egito em uma viagem para a Sociedade Científica Inglesa, um mensageiro de seu amigo tibetano o chamou urgentemente para ir ao Tibete para cuidar de um Lama.

Depois de conseguir uma licença e viajar, de avião e mesmo yaks até um monastério isolado a sudoeste de Lhasa, o Dr. Jarl ficou surpreso ao descobrir que o Lama era seu próprio amigo tibetano de Oxford. Tudo correu bem, e por causa de sua amizade, o Dr. Jarl pôde aprender muitas coisas que outros forasteiros não tinham chance de sequer observar.

Foi assim que ele presenciou com seus próprios olhos algo fantástico, um conhecimento derivado diretamente dos antigos egípcios. Os monges mostraram como erguiam blocos de toneladas ao topo de um desfiladeiro com altura de mais de 250 metros usando… tambores e trompetes. Kjellson relata:

“No meio do local estava uma base de pedra polida com uma pequena cavidade no centro. Ela tinha o diâmetro de um metro e uma profundidade de 15 centímetros. Um bloco de pedra era manobrado para a cavidade. Então, 19 instrumentos musicais eram disposto em um arco com 90 graus a uma distância de 63 metros da base ao centro. Os instrumentos consistiam de 13 tambores e seis trompetes (Ragdons). Oito tambores tinham uma seção de um metro e um comprimento entre um e 1,5 metro. O único tambor pequeno tinha uma seção de 0,2 metros e comprimento de 0,3 metros. Todos os trompetes tinham o mesmo tamanho, 3,12 metros e uma abertura de 0,3 metros.

Os tambores grandes eram feito de folhas de ferro de 3 mm, e tinham um peso de 150 Kg. Todos tinham um lado aberto, enquanto o outro tinha um fundo de metal, que os monges batiam com grandes bastões com couro. [Enquanto batiam nos tambores e tocavam os trompetes], todos os monges estavam cantando e entoando um cântico, lentamente aumentando o tempo deste barulho ensurdecedor.

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Pelos primeiros quatro minutos nada aconteceu, mas enquanto a velocidade dos tambores aumentou, a grande pedra começou a se mexer e subitamente ergueu-se no ar com uma velocidade crescente na direção da plataforma em frente do buraco da caverna a 250 metros de altura. Continuamente eles traziam novos blocos, e usando este método, transportaram 5 a 6 blocos por hora em um vôo parabólico de aproximadamente 500 metros de distância. De vez em quando o bloco em vôo se quebrava, e os monges retiravam as pedras quebradas. Uma tarefa inacreditável”.

Inacreditável? Talvez porque, embora o Dr. Jarl tenha filmado todo o evento, a Sociedade Científica Inglesa – para a qual ele estava submetido – tenha confiscado os dois filmes. Nunca foram vistos publicamente. Essas otoridades

Mas a levitação acústica, em pequena escala ao menos, é uma realidade para a “ciência ortodoxa”. Confira o vídeo abaixo, parte dos experimentos do físico David Deak para a NASA.

E não é só. Isto é, os antigos egípcios e monges tibetanos não estão sós. Alguns dizem que diversas outras construções megalíticas antigas pelo mundo, de Stonehenge a Tihuanaco, também manipulavam ondas acústicas, não apenas para levitação, mas para induzir “experiências transcendentais”. Visitem este link (em inglês), porque essa já é outra história.

Talvez a batucada do carnaval tenha mais em comum com rituais pagãos suprimidos pela Igreja do que se imagina. Ou não. Porque as pirâmides do Egito não são de pedra.

EVIDÊNCIA CONCRETA?

“As pedras das pirâmides do Egito podem ter sido fabricadas a partir de pedras sintéticas coladas como asfalto, estimaram cientistas na revista francesa “Science et Vie”.

A composição das pedras das pirâmides é “bem mais complexa do que aquelas das pedras das pedreiras” de Toura e de Maadi, de onde teriam sido extraídos os elementos da pirâmide de Gizé. As pedras das pirâmides seriam geopolímeros, ressaltou a revista, citando os trabalhos de Gilles Hug, do Escritório Nacional de Estudos e de Pesquisas Aeroespaciais (Onera), e Michel Barsoum, da Universidade de Drexel, na Filadélfia (EUA).

Segundo os exames de raios X realizados por esses especialistas, “alguns microconstituintes dessas pedras apresentam traços de uma reação química rápida que não permitiram uma cristalização natural (…), uma reação inexplicável se considerarmos pedras talhadas, mas perfeitamente compreensível se pensarmos que as pedras foram coladas como asfalto”, acrescentou.

Diferentes técnicas de microscópio eletrônico mostraram que “os espectros de difração das pedras das pirâmides diferem nitidamente daqueles das pedras de pedreiras”, continuou a “Science et Vie”.

Para um outro especialista, o químico Joseph Davidovits, que defende há 30 anos a tese do asfalto de geopolímero para a edificação dos túmulos dos faraós, blocos de calcário natural reconstituído teriam sido colados no local.

Eles podem ter sido formados com “entre 93% e 97% de elementos de calcário natural e entre 3% e 7% de material de ligação”, como argila caolinítica, um silicoaluminato que se desagrega na água e ao qual teria sido adicionada cal apagada, explicou a revista.

Um quarto cientista, o físico Guy Dumortier, das Faculdades Universitárias Notre-Dame de la Paix de Namur (Bélgica), também defendeu, na “Science et Vie”, a teoria da pedra aglomerada. De fato, ele detectou um teor bem mais elevado do que o natural de flúor, silício, magnésio e sódio.

“Sem querer desagradar os egiptólogos, a utilização de geopolímero para a construção de pirâmides é mais verossímil”, assegurou – [Do G1]

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Davidovits usa quadrinhos para explicar sua teoria. Como não gostar?

O estudo em questão é este: “Microstructural Evidence of Reconstituted Limestone Blocks in the Great Pyramids of Egypt“. O principal e primeiro proponente da hipótese de que as pirâmides teriam sido feitas de uma espécie de concreto é Joseph Davidovits, e em seu sítio pessoal você pode encontrar um grande volume de informação sobre suas idéias. Davidovits inventou o “geopolímero” em 1978 e logo depois pensou que sua idéia poderia ser uma mera reinvenção, tendo sido usada por povos antigos para construções megalíticas. As Grandes Pirâmides do Egito seriam, claro, o mais conhecido exemplo desta tecnologia esquecida por milênios. Alguns vídeos e um capítulo do livro de Davidovits podem ser conferidos aqui.

Davidovits é gente que faz, como Clemmons. Sua teoria para a construção das pirâmides envolve a exploração de um conceito criativo, no mínimo, e a realização de experimento práticos, ainda que em pequena escala. Quem sabe os antigos egípcios tenham usado pipas para levar sacos de concreto, bombas d’água para fazer a mistura no local, e levitação acústica para… bem, para alguma outra coisa?

INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL
And now, for something completely different. A maior parte das pedras usadas na Grande Pirâmide veio de uma pedreira localizada a trezentos metros de distância. Metros, não quilômetros. A área em formato de ferradura, maior do que a base da própria pirâmide, jaz hoje a 30 metros abaixo de seu nível original.

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Em laranja, as pedreiras. O Egito não é apenas um playground de areia

Faça as contas, e descobrirá que mais pedra foi retirada desta pedreira ao lado das pirâmides do que o que há na Grande Pirâmide. A explicação é simples: ela também serviu a outros projetos, como a pirâmide de Quéfren, que a propósito tinha 136 metros de altura. Há em verdade várias pedreiras imediatamente ao lado das pirâmides, algumas ainda restam como foram deixadas há milhares de anos.

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Opa. Pedreiras ao lado das pirâmides? Mas as pirâmides não foram construídas sobre a areia, o que seria impossível? Não. As pirâmides do planato de Gizé foram todas construídas sobre bases de pedra sólida, parte da formação de Mokattam. A própria Esfinge não foi construída: foi esculpida, isto é, rocha foi retirada, não colocada no lugar. As bases de todas as pirâmides do planalto de Gizé foram criadas de forma similar, nivelando a rocha sólida.

Não só não há assim nenhuma pirâmide invertida abaixo da Grande Pirâmide, como os túneis que seguem abaixo dela foram escavados adentrando pedra maciça. Tudo isto é elementar, pode não ser muito fascinante, mas são fatos. Abaixo das pirâmides, há pedra sólida. Mesmo visitando o local é possível ver a base de pedra sólida estendendo-se além da pirâmide.

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Base da pirâmide de Quéops

E a precisão? Bem, já notamos que os romanos com seu aqueduto de Nimes conseguiram manter um desnível de 17 metros ao longo de 50 quilômetros, mas vale revelar que a Grande Pirâmide não tem uma precisão milimétrica. Pelo menos, não em todos seus blocos. As medidas discutidas por egiptólogos, e aceitas ingenuamente (ou maliciosamente) por vendedores de mistérios referem-se à pirâmide quando completada, com seu perfeito revestimento externo, corrigindo quaisquer imperfeições da estrutura interna.

Porque a estrutura interna… essa está longe de ser perfeita. Como notamos semana passada – não era uma brincadeira – a estrutura interna é em verdade côncava, e tem oito lados.

Todos vêem esta formação interna hoje, afinal, ela se tornou a parte externa. E embora com muita dignidade, esta milenar obra anciã em seu estado atual é claramente imperfeita e imprecisa. Numa perfeita demonstração de que fatos não são nada frente a teorias, entretanto, ainda assim se repete – e se engole – a mentira de que todos os blocos da pirâmide foram dispostos com precisão absoluta. Qualquer um que tenha visitado as pirâmides terá testemunhado o contrário

Em reallidade há mesmo o eventual uso de argamassa para cobrir vãos entre os blocos internos. Não, esta não foi uma “reforma”, isto se vê em toda a pirâmide, de fato, em todas as pirâmides.

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“Argamassa Quéops: tradição que você confia há 4.500 anos!”

Egípcios não eram estúpidos, pelo contrário, e construíram suas pirâmides apenas de acordo com sua necessidade. Não havia necessidade de ter blocos internos dispostos com precisão milimétrica para impressionar as gerações futuras, sua única utilidade prática é preencher e sustentar o resto da pirâmide de maneira estável. Apenas o revestimento externo – do qual quase nada resta hoje na de Quéops – assim como partes dos túneis e câmaras internas era composto por blocos encaixados perfeitamente.

Esta diferença de precisão entre os blocos internos e externos pode ser ilutrada no que resta do revestimento externo da pirâmide de Quéfren:

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O que resta do revestimento externo da pirâmide de Quéfren

Parte do revestimento externo da pirâmide de Quéops pode ser vista em uma imagem anterior nesta coluna onde se vê a base de rocha sólida.

Porém, mesmo considerando pedreiras a centenas de metros, uma base sólida e uma precisão nada milimétrica para a maior parte da construção, certamente ainda não é uma tarefa simples construir as pirâmides. Uma estimativa de seus custos com técnicas modernas, contudo, não deve levar em conta o uso de caminhões Volkswagen ou mesmo navios que passam pelo porto de Santos.

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Rabiscos em bloco de pedra. Motivações semelhantes levaram às inscrições em blocos internos da Grande Pirâmide

Uma análise mais realista consideraria a relocação do templo de Abu Simbel em 1964. Com a represa Aswan, que domou o Nilo, o templo precisava ser movido a uma altura maior para não ser coberto pela água. O trabalho envolveu cortar todo o templo em blocos, incluindo parte da montanha ao seu redor, e levar os blocos com até 30 toneladas cada para montagem exata em seu novo berço. Para comparação, o peso médio dos blocos da Grande Pirâmide é de apenas 2,5 toneladas.

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A reconstrução do templo ainda contou com a literal construção de uma nova montanha, erguida sobre um domo de concreto, abrigando cinemas e outras facilidades aos turistas. Em inglês, este artigo (PDF) é uma boa visão geral do fabuloso feito de engenharia.

Tudo isto levou… quatro anos. E ao custo de 40 milhões de dólares. Milhões, não bilhões. Multiplique por 100, e ainda se terão “apenas” 4 bilhões de dólares. As pirâmides já geraram um renda em turismo equivalente a muitas vezes este valor. Se não tivessem sido construídas, seria uma boa idéia investir em sua construção.

Caramba, mas a Grande Pirâmide possui alguns blocos com 70 toneladas, é verdade. Como míseros seres humanos , mero gado, moveria objetos tão pesados? Falemos dos romanos outra vez, mas com um detalhe especial.

Ao dominar o Egito, os romanos ado-ra-ram aqueles fálicos objetos obelísticos que adornavam o Egito, tanto que quiseram levar para casa. A paixão pelos obeliscos foi tanta que há hoje mais obeliscos egípcios na Itália do que no Egito. Roubar obeliscos de centenas de toneladas foi uma paixão romana.

Ainda restam alguns obeliscos de pé por Roma. Um em particular, deve chamar nossa atenção, por sua localização. No Vaticano. Em frente à Basílica de São Pedro. É, criançada, no centro do Vaticano está um objeto de culto pagão surrupiado pelos romanos. Com uma cruz colocada em cima, claro.

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“Todos salvem o Obelisco egípcio”

Ele foi inicialmente “levado compulsoriamente” por Calígula (!) e levado para o seu circo, posteriormente conhecido como o Circo de Nero. No fim do século XVI, com a construção da basílica, o papa Sixto V ordenou que fosse movido mais uma vez, agora para o destino onde resta venerado até hoje.

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Atenção para o compasso no canto superior da ilustração

O Obelisco do Vaticano pesa mais de 320 toneladas.

Esclarecidos esses pontos, afinal, teriam os egípcios trabalhado da mesma forma que o Vaticano? Ou, em verdade o contrário? O papa Sixto V, por exemplo, não foi nada gentil com a peãozada: diz-se que havia uma ordem de silêncio durante a manobra de puxar o obelisco, sob pena de morte. Ironia das ironias, Sixto V era parte da Inquisição.

E as pipas, água, som ou concreto? Cristais, atlantes ou ETs? É o que veremos nas próximas colunas.

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