A dura vida do viajante ignorante

7 nov 2012 | por em Mundo Hiperativo às 14:16

 A dura vida do viajante ignorante

Não entendeu a piada? É compreensível. Para serem entendidas (e divertidas) as piadas precisam de referências culturais. Se você não entende a referência não acha nenhuma graça. O mesmo acontece durante uma viagem. Imagine um cara que nunca leu nada sobre arte, como diabos ele vai curtir o Museu do Louvre? A Europa é um exemplo clássico. O camarada sonha conhecer o Velho Continente, mas chegando lá fica entediado porque simplesmente nada daquilo tem significado para ele.

Esse princípio explica o fato de pessoas adultas e sem filhos passarem férias na Disney. Eles adoram porque aquilo faz sentido. Passaram a vida inteira assistindo filmes como o Rei Leão e a Bela Adormecida, essas são suas referências culturais. Em lógica similar funciona o comportamento da dondoca que foi a Londres e não visitou o Museu Britânico, mas ficou três horas na loja da Louis Vuitton. É questão de interesse.

Até mesmo na alimentação a referência é importante. Há um episódio dos Simpsons muito ilustrativo em relação a isso. A família viaja para o Japão e depois de horas dentro do avião Homer está com fome:

Homer: Estou com fome.
Lisa: Eu também! Vamos a um autêntico restaurante japonês!
Homer: A privada recomendou um lugar chamado Americatown.
Lisa: Pai, nós não viajamos meio mundo para comer num restaurante americano!

Homer não atende aos apelos de Lisa. Segue decidido a comer comida americana no Japão. Chegando lá descobre que as refeições são caríssimas e as receitas imitações ruins dos pratos servidos nos EUA. Para entender a bizarrice desse comportamento basta pensar em comer uma feijoada no Japão e esperar que ela seja tão boa quanto no Brasil.

Apesar do patriarca da família Simpson ser reconhecidamente um idiota, conheço muita gente que viajou e se comportou exatamente como ele. Se o cara passa o ano inteiro comendo arroz e feijão provavelmente vai querer fazer justamente isso enquanto viaja. Acontece o mesmo com seus hábitos culturais. Se ele não se diverte indo a museus na cidade onde mora, por que isso seria legal em Paris?

Não estou dizendo com isso que só pessoas com determinado conteúdo devem viajar. Sustento apenas que pessoas com determinado conteúdo se divertem mais durante uma viagem. Elas basicamente estão preparadas para entender a piada.

E não é tão difícil, basta um pouco de estudo. Não custa – por exemplo – ler um livro básico sobre a Civilização Inca antes de visitar Cuzco e Machu Picchu, ainda mais se isso for tornar sua incursão dez vezes mais satisfatória e interessante. Por isso antes de partir reserve um tempo para conhecer seu destino. Leia livros, veja filmes e aprenda o que puder. Eu garanto que a sua viagem fará muito mais sentido.

Na próxima semana volto com um relato interessante sobre minha incursão à Sodoma moderna, a bela capital Amsterdã. Prostíbulos, night clubs, cofee shops e também ótimos museus.

Abraço!

Pedro Schmaus

Leia mais: Cuzco e Machu Picchu

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