Patrimônio

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.

Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.

Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:

Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.

Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.

Abraço!

Pedro Schmaus

PS: pessoal, replicaram esse meu texto sem citar o autor, foi no Instagram de Max Porto, “o artista que queria ser um BBB e não um BBB querendo ser artista”. Algumas pessoas reclamaram, mas o dono do perfil disse que não tem como saber a verdadeira autoria, por isso ele não deu crédito. Vocês podem me ajudar?

  • CJ

    Resumo da história: o lance é ser um completo vagabundo, não trabalhar, gastar a porra do dinheiro suado dos seus pais, comer todo mundo e não ter responsabilidade alguma.

    • digão

      o texto não refere ao ser irresponsavel, perdulário, preguiçoso etc.Só mostra que invez de acumular riquezas, se apegar as coisas, a vida vivida é mais valiosa ( claro o sr da história deve ter seu proprio dinheiro ok?), mas vamos lá se voce tem o dinheiro e a aportunidade de viajar,aventurar, fazer coisas LEGAIS e que gosta, então faça divirta-se. Voce fica meses falando de uma viagem que fez no passado numa roda de amigos não fica? claro que fica. Meu avô deixou só uma mala velha, esta mala não tem história nenhuma, a vida dele sim.

      • CJ

        Desculpe meu amigo, mas você precisa urgentemente de aulas de interpretação de texto. Como ele iria ter seu PRÓPRIO dinheiro se ele não trabalhava? Como ele passou a vida toda viajando e não construiu nada? Resp.: Ou ele era um agente de viagens, ou um herdeiro. Quem tem dinheiro PRÓPRIO não teria tempo para viajar com tal frequência que o texto quer sugerir ou deixa impressão. E claro, a tese de que ele era um agente de viagens, cai por terra pois ele afirma ter tido uma opção que era: viajar. Ou seja, ele era herdeiro, como não deixou família e o sexo faz parte do ser humano, ele viveu sua vida sem ter alguém, só se relacionando com pessoas diferentes, um solitário como a foto do texto exprime. E sim, comento uma viagem pois apesar de ganhar mais do que a maioria da população ganha, dificilmente encontro recursos e tempo para assim fazê-la. Principalmente se forem várias.

        • TVL

          Meu caro… Quem precisa de aulas de interpretação de texto é quem “viaja” achando que não se tem férias quando se trabalha ou que não se pode aproveitá-las viajando pelo mundo e prefere gastar o dinheiro que conquistou com seu serviço pagando contas e mais contas para deixar tudo aqui quando partir… Da vida só se leva a vida que se leva!

          • CJ

            Ah tá. Um trabalhador tem tempo de ter conhecido todos os lugares do mundo em férias. Ele não investe em si e mesmo assim tem dinheiro o suficiente para gozar de memórias somente neste tipo de função. Ele é um individualista, mas consegue ter um bom emprego, ser eficiente e não ter vida social. Prefere viagens do que relacionamentos, bens ou futuro, pois segundo ele “futuro a Deus pertence”. Curte sua vida no estilo “adoidado”, pois quem não quer montar uma família ou é assexuado ou promíscuo. Realmente, me convenceu, eu que não tenho boa interpretação mesmo.

            • Fernanda

              Vc realmente acredita que não da para viajar assim e trabalhar? E se o cara fosse um funcionário público e tivesse toda a licença premium para viajar? Ou se ele trabalhasse de modo freenlancer ou por escala? E quanto ao que uma pessoa faz com seu próprio dinheiro só diz respeito a essa pessoa, se vc tem o sonho de construir uma família para seguir aos mandamentos do multiplicai-vos, direito seu, mas tem gente que não tem os mesmos sonhos e isso não faz dela mais ou menos egoísta. Egoísmo é pensar que todo mundo deve viver do mesmo jeito, pq esse jeito para alguns é o certo

        • digão

          cara voce não entendeu nada do texto. Eu respondi ao seu 1º comentario,Ele optou por não ‘guardar , acumular dinheiro ou patrimonio, acho que o Velho teve dinheiro suficiente para tais coisas, era desapegado era aventureiro etc.( o texto não cita como ele bancava as viagens) então ele trabalhou, ganhou o dinheiro e gastou na sua melhor forma VIVENDO INTENSAMENTE.

  • Marco Zarpellon

    Cronos a tudo devora, inclusive a si mesmo…

    Concordo que as experiências mais ricas tendem a ser as de ordem íntima, que nos envolvem as características intrínsecas da individualidade. No entanto não há que se admitir que a vida reduza-se a um amontoado de experiências hedonistas.

    A pequena estória tende a ser uma boa, apesar de falha, racionalização da vida de viajor contumaz; nesse aspecto já não há de se dar atenção a quanto extraímos da “seiva” da vida, mas sim o quanto deixamos ao mundo… Ainda mais quando, para maioria das pessoas, um dos nossos maiores motivadores para viver é o fato de que tem-se apenas uma chance, encontrando-se após a morte a nulidade existencial. O que torna razoável perguntar: de que vale gastar a vida em experiências que só a nós há de aproveitar?

    “Não construí nada que me possam roubar.” – Não construí nada…

    • Deise

      Não construiu nada pq caixão não tem gaveta… e com certeza deve ter deixado a seus herdeiros a ição de não herdar nada e ir atrás do que quer.

    • Roberto

      Errou mesmo o texto, ele contruiu sim, admiração e para outros não, inveja e para outros não…

  • Marcos Almeida

    Nem muito desapego , nem muito materialismo , pequeno gafanhoto.O ideal ,sempre , é o equilíbrio.

    • José Nascimento

      Parabéns, melhor comentário aqui.

  • Borges

    Parabéns, ótimo texto! As pessoas tem muitos anseios de ter algo material e esquecem que nada se leva daqui, muitos vivem pra trabalhar por causa do querer ‘material’. É um belo estilo de vida e que eu, um dia, vou tentar adotar.

  • Rosangela Coltre

    Bem fez este senhor, que viveu a vida intensamente, foi sua escolha não ter filhos e sair para conhecer o mundo….. eu casei-me… dei a meus filhos uma forma de se manter…. agora eu danço, viajo pra dançar, pra aprender, pra passear…….. vivo a vida como se fosse morrer amanhã,,,, quanto ao guri do BBB, deixe ele pra lá, não se apegue ao texto, viva como seu próprio exemplo….

  • Erick Heslan