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O Comedor de Lixo: O primeiro livro interativo da Blogosfera brasileira – Capítulo 7 – O que nasce do ódio?

22 nov | por admin em O Comedor de Lixo às 15:04

 

“…ele observou a tudo, ao sentar-se um pouco afastado do grupo que formou uma roda em volta do homem, que retirou um cachimbo do bolso, desembrulhou uma pequena pedra branca e instantaneamente acendeu o produto…”

“…o alvo principal da iniciativa da prefeitura eram os membros do grupo que possuíam idade mais avançada, já que os gastos do município com esse pessoal, que não produziu em favor da sociedade, eram exorbitantes para as finanças limitadas da cidade…”

“…era vítima da verdadeira arma de destruição em massa, a subnutrição. Imaginou como seria bom estar na cadeia, ser parte comum de um grupo, não precisar vasculhar lixeiras para alimentar-se e poder dormir, todos os dias, em uma cama…”

“…pessoal, a rebelião do presídio começou! O cacete tá comento! Os presos estão tocando fogo em tudo que é colchão e armário. Disseram que têm três carcereiros como reféns…”

COMO PARTICIPAR DO PROJETO ”O COMEDOR DE LIXO”?

LEIA O CAPÍTULO 7 E CONTRIBUA PARA O FINAL DE O COMEDOR DE LIXO.

 

CAPÍTULO 1 – QUAL O PREÇO DA LIBERDADE?

CAPÍTULO 2 – O CRIME COMPENSA?

CAPÍTULO 3 – QUAL CAMINHO TRAÇAR?

CAPÍTULO 4 – O QUE SOU EU?

CAPÍTULO 5 – EM QUAL MENTIRA VOU ACREDITAR?

CAPÍTULO 6 – POR QUE ME QUER BEM?

NOTA DO AUTOR:

Finalmente o novo capítulo está publicado! A estória de nosso herói está chegando ao fim. Participem e decidam qual será o destino final de Rato. Contamos com você…

CAPÍTULO 7:

O COMEDOR DE LIXO – CAPÍTULO 7 – O QUE NASCE DO ÓDIO?

Rato despertou de seu breve sono com o murmúrio de alegria de alguns indivíduos no beco. Um rapaz alto, de cabelos loiros, havia chegado com um pequeno conteúdo envolvido em papel laminado, o que causou comoção ao grupo. Ele observou a tudo, ao sentar-se um pouco afastado do grupo que formou uma roda em volta do homem, que retirou um cachimbo do bolso, desembrulhou uma pequena pedra branca e instantaneamente acendeu o produto. Ansiosos, os outros membros da roda gesticulavam depressa para que ele repassasse o cachimbo.

Ainda muito febril, Rato foi convidado a aproximar-se do ritual. Curioso, levantou-se e se posicionou ao lado de um garoto que, apesar do aspecto físico desgastado, aparentava ter quase sua idade. Passaram-lhe o cachimbo. Todos pareciam saciar-se com aquela substância, Rato cedeu. Puxou uma fumaça espessa, sentiu um forte gosto de plástico e tossiu algumas vezes. Puxou novamente, sentiu uma dormência nas pernas, uma sensação de leveza e a visão turva. Tossiu mais algumas vezes. [1]

Não deu tempo nem de entender o que se passava com seu corpo, uma algazarra havia se formado no beco. Um barulho brusco de freada de um automóvel de grande porte e o grupo rapidamente se dissuadiu pulando cercas, escondendo-se nas vielas e correndo, desesperadamente, pelas ruas. Era o caminhão da prefeitura que, eventualmente, passava pelo bairro recolhendo alguns moradores de rua com a proposta de levá-los a albergues públicos[2]. Na realidade, o objetivo da atividade pública era limpar a cidade [3] dos indigentes, levando-os as cidades distantes, para que não pudessem regressar. Uma estratégia elaborada principalmente na época da alta do turismo, e efetivada na calada da noite.

Rato, mesmo atordoado, conseguiu escapar do beco correndo junto a um grupo de outros jovens. O alvo principal da iniciativa da prefeitura eram os membros do grupo que possuíam idade mais avançada, já que os gastos do município com esse pessoal, que não produziu em favor da sociedade, eram exorbitantes para as finanças limitadas da cidade. A van da prefeitura conseguiu, mais uma vez, sair preenchida para a cidade vizinha.

Enquanto vagava dopado pelas ruas, Rato sentiu mais uma vez seu corpo adormecer. Dessa vez seguido por um tremor e uma forte dor na cabeça. A leptospirose havia evoluído e provocado, constantemente, vômitos e diarréia. Pediu para utilizar o banheiro da borracharia, mais foi enxotado quando perceberam seu transtorno e suas pupilas dilatadas. Evacuou no meio da rua, sem pudor ou vergonha. Encontrou uma lixeira semi-aberta, aonde alguns cães vira-latas farejaram algumas sobras. Expulsou os animais e derrubou a lixeira. Com raiva.

O dia já havia nascido. Entorpecido e confuso, sem saber como livrar-se daquela sensação entranha, resolveu caminhar para o semáforo, onde se sentia seguro e protegido. Imaginou que talvez não deveria ter fugido do beco, pois os agentes da prefeitura poderiam levá-lo a prisão, ao perceberem que ele também consumiu a droga. Havia perdido uma boa oportunidade de por seu plano em prática. Lamentou-se e chutou, com força, uma caixa dos correios. Mais raiva.

No caminho para seu posto de trabalho, encontrou Bino que lhe ofereceu mais uma oportunidade de ganhar 10 Reais. Transportar, mais uma vez, a encomenda para mesma residência:

- Que cara é essa moleque? Ta doidão é? Olha! Vai levar o bagulho de novo ali na casa… Entregue, pegue o dinheiro e saia rápido. Vou estar te esperando no mesmo lugar. [4]

Rato, ainda transtornado, sem responder, pegou o embrulho e caminhou rapidamente para a luxuosa residência. Tocou, repetidas vezes na campainha, até que abriram a porta. Era o médico.

- Do Bino, né?

Rato, surpreso, lembrou do rosto do médico [5] e virou-se para evitar que fosse reconhecido. O homem conferiu o pacote e entregou-lhe o dinheiro, fechando a porta rapidamente com uma forte batida. Apesar de não desejar ser conhecido, Rato indignou-se, por sentir-se, mais uma vez, invisível e cuspiu na porta da casa. Durante a trajetória ao encontro de Bino, resmungou e amassou o dinheiro. Na esquina seguinte, entregou o montante.

- Toma aí teus 10 paus.

- Quero mais dinheiro! O cara deu dinheiro pra caralho! [6]

- Como é pivete? Tá achando pouco é? Você deveria me agradecer, filho da puta.  Vai ficar sem nada…

Bino colocou a nota junto ao maço. Ao virar-se, Rato surpreendeu-lhe enfiando a mão em seu bolso e derrubando o dinheiro no chão. Bino o empurrou, recolheu as notas e desferiu-lhe um forte soco no rosto, derrubando-o. Chutou-lhe o estômago por diversas vezes.

- Tá pensando o que seu mendigo de merda?

Rato permaneceu no chão, agonizando. O efeito da droga havia passado, sentiu fortes dores que lhe causaram mais vômitos. Tentou levantar, mas não conseguiu. Os pedestres que passavam apenas observavam a situação, mas não houve assistência.

Após quase uma hora, as dores no estômago cessaram e conseguiu prosseguir para o semáforo, aonde encontrou Júlio, que o perguntou sobre os malabares com que o havia presenteado, esquecidos no chão durante o tumultuo no beco. [7]

- Não sei mais daquela merda… [8]

Rato sentou-se abaixo de uma das árvores enquanto o sinal marcava verde, pensou em sua impotência diante de tudo. Não conseguia, nem mesmo, ser preso. Não era capaz de receber a ajuda da família de Júlio, nem de administrar negócios, como Bino. Não sabia ler, como o jornaleiro. Quando imaginou que, finalmente, receberia ajuda, foi molestado pelo Padre Lino. Até mesmo quando agonizava no chão, não o percebiam como um ser humano. Só foi percebido, no beco, pois os outros também eram indigentes, mendigos e viciados, a escória de uma sociedade imunda, que despreza quem não tem a oportunidade de produzir em seu favor. Era um corpo invisível perambulando, como um bicho, atrás de comida e de um lugar para repousar seu corpo, agora doente. Não conseguia imaginar uma vida promissora, em seu futuro. Não agüentaria passar o resto de sua vida vagando pelas ruas daquela cidade suja, sem comida, sem abrigo e sem família. Era vítima da verdadeira arma de destruição em massa, a subnutrição. Imaginou como seria bom estar na cadeia, ser parte de um grupo comum, não precisar preocupar-se em vasculhar lixeiras para alimentar-se e poder dormir, todos os dias, em uma cama. [9]

Levantou, ergueu a palma da mão e passou, mais uma vez, entre os carros. Deram-lhe 5 centavos.

Quando o sinal abriu, o jornaleiro pronunciou, com sua voz grave:

- Pessoal, a rebelião do presídio começou! O cacete tá comento! Os presos estão tocando fogo em tudo que é colchão e armário. Disseram que têm três carcereiros como reféns. Já mataram um dos presos. A parte da polícia que não tá em greve, tá acuada na frente do presídio sem saber o que fazer. Eles tão dizendo que só vão parar a rebelião quando aparecer o Governador e o Secretário de Segurança. Tão reclamando pela superlotação e tão dizendo que tem preso lá que já deveria ta solto há mais de ano…

Rato ouviu a tudo aquilo com atenção e resolveu assistir a rebelião, com os próprios olhos. O presídio ficava a algumas horas de caminhada de seu ponto de trabalho, mas, mesmo febril e abatido, decidiu que esse seria um esforço recompensável. Pela segunda vez em sua vida, teve uma idéia brilhante.

PARTICIPAÇÕES NESTE CAPÍTULO:

*Imagem por Marcos Leandro http://etcsa.blogspot.com

1 – willi, Marcos Leandro http://etcsa.blogspot.com
2- Marivone – http://www.umafabulasobreavaidade.wordpress.com
3 – willi
4 – Esperanto
5 – Marcos Leandro http://etcsa.blogspot.com
6 – Egito
7 – Jota Chapagua – http://estrangia.blogspot.com
8 – Egito
9 – Esperanto

PROPOSTA PARA INTERAÇÃO NO PRÓXIMO CAPÍTULO:

1 – O que acontecerá na rebelião do presídio? A polícia conseguirá deter os presos?

2 - Há esperança para Rato ter um futuro promissor? Alguém vê alguma alternativa de vida para Rato?

3 - O que nós, como cidadãos, podemos fazer para que os Ratos de nossa cidade tenham oportunidades de escolherem outros finais para suas vidas? Isso é um obrigação apenas dos políticos?

4 – Qual seu nome, sua idade, sua cidade e sua profissão?

Galera! No próximo capítulo, o final de O Comedor de Lixo!! Deixem suas sugestões para o desfecho da trama! Conto com vocês!

Comentários

  1. 1- A rebelião do presidio será combatida e muitos presos seram mortos, alguns poucos policiais sairam feridos e uns 2 ou 3 mortos, os presos passaram por tempos mais dificeis e maus tratos da diretoria, mascaradamente é claro.
    2-Para o Rato não há muito o que fazer, irá assistir aquilo e só o tentará mais a seguir a vida de pior maneira, pegar um caco de vidro, praticar pequenos furtos e assaltos.
    3-essa não preciso nem responder, imagino que todos já sabem muito bem a resposta.
    4-Thiago Attianesi, Fortaleza-Ce, 20, Game Designer(teoricamente)

  2. Guilherme Dutra

    1- Ao chegar no presídio se depara com uma cena horrível, um grupo do batalhão especial q nao estava de greve invadio a prisão e vario presos estavam mortos, todos colocados lado a lado, dentro de sacos pretos e apenas com suas numeraçoes escritas num pedaço de papelao amarado no saco preto.
    2-futuro promissor sim, mas tbm ilícito.
    3-X
    4- Guilherme Dutra Toledo siqueira -Nilopolis, RJ – 16 – estudande

  3. Esperanto

    Rato está transtornado. Não consegue mais guiar seus passos; em realidade, passa a ter sérios problemas existenciais.

    O caminho até a prisão parece não ter fim. Rato se encontra muito abatido, a doença em estado grave passa a influenciar não só o seu estado fisiológico, mas também o psíquico. Não mantém raciocínios lógicos, tudo passa na sua mente. Visões surgem, passa até a dialogar com seres inanimados:

    - Está me vendo poste? Até você não me percebe.

    Rato tem sensações estranhas. Algo lhe dizia que iria passar, sentia perder o ar, nem sentia mais a barriga roncar. Percebe os grandes muros e seu coração palpita: ali está o tão sonhado lugar, onde ele poderia ser humanizado finalmente. Muito barulho de sirene vinha da porta do presídio. Enquanto Rato se aproximava, várias ambulâncias chegavam e saíam de lá. A rebelião havia piorado. Escutava tiros, bombas, mas mesmo assim não se intimidou, estava disposto a por em prática seu engenhoso plano.

    Circulando pelo local, percebe vários corpos deitados no chão, todos com sacos plásticos de lixo cobrindo-os.

    – Esses já eram!

    Fala para outros espectadores do grande espetáculo. Mas o motivo que instigava Rato a estar ali não era o mesmo dos outros. Estes esperavam mais tiros, mais gente sofrendo, esperavam ver situações piores que suas vidas medíocres, um passatempo diferente. Já Rato estava ali para realizar seu sonho. Não um sonho qualquer, mas a sua razão de vida; iria conquistá-lo de qualquer forma, ou preferiria até mesmo morrer, o qual estava sendo seu destino nas ruas.

    A confusão se intensifica. Rato, observando a tensão dos policiais que guardavam a porta do presídio, vê que pode passar por eles. Queria entrar na prisão, se tornar parte do grupo, ter uma família. Juntou toda a energia que lhe restava, encheu-se de coragem, e correu o mais rápido que pôde para o seu tão sonhado e inusitado jardim do édem.

  4. Rato caminhou até o presídio. Não sabe se demorou muito ou não. Quando chegou o Choque se preparava para entrar. Todos mandaram eles se entregarem, mas eles se recusavam.

    Começou a chover e a multidão se dispersou um pouco… apenas alguns familiares dos presos continuaram. Rato ouviu um senhora gritar: “Filho! Pára co essa sandice! Se entrega! Se vocês não pararem, eles vão te matar!” Atrás de Rato um senhor resmunga: “E isso mesmo que eles querem… querem é morrer! Esses bandidos não tem nada a perder mesmo!

    Essa frase atingiu Rato como uma Pedra de Crack: “Nada a perder? Se eles não tem nada… que que eu tenho?”

    Essa conclusão o paralisou: O que eu tenho? O que eu sou? Pensara nas vezes que roubara comida de cachorros, como se incapaz de encontrar a própria comida, tivesse que roubar de animais.

    Não saberia dizer quanto tempo ficou la. Tudo o que sabe é que no final da rebelião um camburão do IML parou na frente do presídio. Os corpos eram carregados e jogados, sem cuidado na Caçamba do camburão.

    “Eles não parecem se incomodar” pensou rato. Depois de morto, parece que eles não ligam mais pra nada.

    Tudo fazia sentido então. Olhou para o céu e sabia para onde queria ir. Correu tanto quanto seus passos poderiam aguentar. À distância viu seu objetivo. Sorriu e correu mais rápido.

    Pulou do viaduto e teve um pensamento feliz. Quase voou.

    No dia seguinte falaram do menino drogado que pulou do Viaduto. O borracheiro o vira na manhã anterior louco de crack.

    3. Talvez se cada um de nós conseguisse dar um pouco para alguém. Não precisa ser muito. Um prato de comida, um pacote de macarrão por semana pra uma igreja, provavelmente faríamos alguma diferença pra uma pessoa. Mas no final, vamos preferir esperar pra “ajudar quando tiver tempo pra ajudar de verdade”.

    4) Paulo Tarso, 26 anos. São Paulo. Advogado.

  5. Marcelo Bustamante

    A caminhada até o presídio passou rapidamente. O turbilhão de pensamentos desconexos que ainda pairava sobre sua mente fez, num piscar de olhos, se Rato se deparar com aquilo que tanto queria presencear. Mal sabia ele o que estava por vir…

    No meio de tanto tumulto, antes mesmo da tropa de choque chegar, Rato ouve um estrondo. Sem saber do que se tratava, correu e, como quem não queria nada, foi se aproximando dos portões onde estavam as famílias desesperadas dos encarceirados.

    O que ouvira era uma bomba improvisada que os presos explodiram ao fundo do presídio, para aproveitar o tumulto que os outros causavam na parte da frente.
    Abriram um pequeno buruco no muro que que os separavam do mundo dito “real”. Começaram a fugir desesperadamente… um a um, apertados, iam saindo. Alguns não conseguiram e foram quase pisoteados.

    A tropa de choque entra!
    A polícia militar tenta conter aqueles que fogem. Tiros são ouvidos!
    Todos correm, gritam. Não se sabe mais quem é quem!

    Rato, ainda transtornado e com o medo, vê aquilo tudo e sai correndo. Pensa:
    “Pode sobrar pra mim.”

    Dito e feito…

    Ao dobrar um esquina vê uma multidão correndo em sua direção, policais disparando tiros… desespero!

    Fraco e sem conseguir correr muito, é alcançado por toda aquela nuvem de gente! Mal vestido e acabado, torna-se suspeito e alvo fácil!

    Sem saber do que se tratava, sente uma pancada na cabeça e cai. Pego por um dos policiais, ainda consegue ver a multidão se distanciando e, meio a socos e pontapés, ouve:
    “Desgraçado! Faz merda, vai pro xadrez e ainda querem dar de esperto! Tava achando tudo ruim… agora sim você vai ver o que é bom pra tosse…”

    Nesse momento ele vê um homem sair de beco próximo, e socar uma paulada na cabeça do policial.

    O policial cai no chão…
    Rato percebe que a arma está caída no meio da rua.

    O homem grita:
    “Vai caralho, acaba logo com isso e vamos sair daqui…”

  6. 1 – Sou péssimo em narrativa.

    2 – Há uma esperança para Rato: Sorte, de conhecer alguém que seja membro de um movimento social organizado e legalizado, como o MST ou esses que temos por aí ligados ao hip hop…

    3 – Não, é obrigação de todos e como humanista que sou, também tenho deveres nesta parte. Devo tratar todos com igualdade, respeito e dar-lhes tudo o que é meu de forma que fique tão pobre quanto eles. Se é para sofrer, então vamos sofrer juntos. Dar apenas uma pequena parte me perguntas. Em que mundo vives? Se for o mesmo que o meu, saberás que 40% da população vive com menos de 2 dólares por dia e que apenas 1% detêm quase dois terços da riqueza produzida mundialmente. Mas ainda assim darei todo o meu dinheiro para os “Ratos” da cidade, mesmo que isso não signifique nada frente a miséria que teremos de enfrentar e mesmo que isso faça com que eu seja mais um rato à espreita. Se pensarmos melhor, bem melhor, veremos que uma grande parte do nosso dinheiro já é destinado para as questões sociais do país. Os impostos poderiam ser muito bem implantados na educação dos cidadãos fazendo com que se tornem professores, doutores, intelectuais… Será que queremos isso mesmo ou que o resto da população tenha um mínimo de conforto para que não causem problemas à nós mesmos? Sei que muitas pessoas acham os “ratos” nojentos e prejudiciais para nossa saúde; vejo-as sempre na televisão escancarando para o mundo o mais novo “monstro” que cometeu seqüestro e assassinato, sem mencionar, porém, que foram eles mesmos, os formadores de opinião, que o fizeram assim. O que está errado? Impunidade, impunidade!! É, depois do “caso Dantas” em que foi deixado bem claro para todos os brasileiros que rico além de nunca ser preso, ainda faz birra por causa de algemas, tenho que concordar com esses gritos histéricos, porém o pobre que rouba uma bicicleta, ao invés de bilhões de dólares, é colocado ao lado de assassinos e estupradores e sai de lá como um deles. Essa é a impunidade, ao contrário, de que poucos falam. Digo-lhes agora o que está mais errado: hoje, se você tiver segundo grau completo, pode fazer concurso para Polícia Rodoviária Federal e ganhar lá seus 4000 por mês, em contrapartida, se cursar quatro anos de faculdade e ir dar aula terá um piso por volta de 1000. Sob que valores nossa sociedade foi construída?! De esmola à grupo de estermínio, nada vai dar jeito no estado de barbárie que nos encontramos; seja por piedade ou egoísmo, juntemo-nos para reformar (reformar mesmo!) o sistema político do país, a única maneira de transformarmos os “Ratos” que criamos naquilo que deveriam ser desde quando nasceram. Quanto aos ratos de Brasília…

    4 – Dr Muerte, 23, Ilha da Anarquia, Terrorista ao contrário.

  7. Esperanto

    “Segura esse moleque!”- Grita o policial que estava guardando a porta do presídio.

    Todos ficaram estarrecidos. Ninguém conseguia compreender o porquê do moleque entrar no presídio, ainda mais com toda a confusão, polícia, tiros e bombas. – “Deve estar drogado”, Comenta um dos espectadores do grande espetáculo.

    Estava delirando. A sensação de um sonho realizado era algo nunca sentido por Rato. Passou a vida sendo excluído, todos aqueles olhares de desprezo por sua aparência raquítica, sua cor negra, sua falta de modos e comportamentos socialmente inaceitáveis, o fizeram não ter direito a sonhar. Mas isso tinha mudado naquele momento, pela primeira vez sentia-se realizado.

    Rato correu até o outro lado do presídio. Assim que percebeu aqueles grandes muros na sua frente, deu-se conta do que realmente significa estar preso, não tinha liberdade para correr adiante. Volta os olhos e percebe a situação do local. O chão coberto por sangue, vários corpos ao chão, presidiários queimando colchões e um grupo de policiais fortemente armados prestes a entrar e praticar o iminente genocídio. Estavam tão tensos que nem perceberam a presença de Rato.

    O clima esquenta. Um presidiário, enfurecido, tenta atacar os policiais com uma faca, mas é metralhado antes. Essa cena deixa Rato transtornado, não sabia ao certo o que estava fazendo ali, poderia ser o próximo cadáver, mas seu sentimento de êxtase perante o sonho realizado, somado a alucinações do crack e a sua doença, fizeram Rato gritar:

    -AAAAAAAAAAhhhhhhhhhhhh! Seus filhos da Putaaa!

    Aquele foi o grito engasgado. Tudo que ele sofreu por toa a vida, sendo um excluído social, aquela cena de morte foi o estopim para o total desequilíbrio mental, Rato pulava como um louco e continuava a gritar.

    Todos os policiais viraram para ele, assim que alguns deles se posicionaram para atirar no moleque, o capitão da operação grita: Não atirem! Ele é de menor, é de menor!! Nesse momento, chegam os guardas que se localizavam na porta do presídio e pegam o garoto.

    Rato é agarrado por dois guardas. Mesmo assim, seu transtorno o fez gritar ainda mais: Filhos da Puta!!

    Naquele momento, os policiais entram no presídio. Rato escuta gritos, tiros, vê três pessoas se jogando pela janela arrombada. Tudo estava acontecendo de uma maneira surreal. Rato passa a ver tudo embaçado, várias cores se mesclando, e escuta somente um voz: Acorda!

  8. 1 -Na rebelião poderia acontecer algo como no carandiru, fazendo com que Rato visse que cadeia não é um lugar tão legal como pensa.

    2 – Creio que a melhor maneira de ilustrar a realidade dos moradores de rua, é Rato indo cada vez mais para o lado do crime, e talvez até morrendo, mostrando que, não é a pessoa quem escolhe esse caminho, sim
    o sistem que impôs como única solução o crime.
    A única alternativa para Rato seria Julio e seus malabares, talvez fosse trabalhar num circo, somente assim para abandonar as ruas e deixar o crime de lado. Mas Rato já foi criado como um bicho e dificilmente se adaptará à convivência com outras pessoas.

    3 – Nós, podemos ajudar dando-lhes algo como confiança, responsabilidade e uma função. Imagine o que coisas simples como essas não mudam na vida de um mendigo!
    Não basta dar arroz e feijão, as prefeituras sabem muito bem disso. O problema, que não é somente no Brasil, é que ao invés da solução de problemas, empurram com a barriga.
    Por exemplo: Um mendigo sem-teto e sem ter o q comer, o governo simplesmente oferece um albergue noturno e um prato de comida, mas o problema continua ali, eles continuam sem teto, sem emprego e sem comida, so invés disso, seria mais eficiente um programa de ressocialização, onde a pessoa teria os cuidados necessário para tornar-se um cidadão.
    Com estudo, cursos, dentista e tratamento para dependentes químicos, seria muito mais fácil e muito mais eficiente do que o atual e ridículo programa oferecido.

    Marcos Leandro de Oliveira, 25 anos, São Carlos SP, Servidor público.

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