Sedentário & Hiperativo




“…tá vendo esse tênis aqui, moleque? Outra jogada minha vendendo os bagulho na esquina da avenida. Tu não tem um desses, tem? É novo, moleque. Agora tu fica aí fudido, dormindo na rua, sozinho, porque não sabe fazer negócio…”

“…Ele assistiu tudo estático, com medo da abordagem, mas com a esperança de também ser levado pelos policiais na viatura…”

“…decidiu, raciocinando enquanto aguardava o sinal marcar vermelho, que a noite seria uma ótima oportunidade para gerar um grande tumultuo, enquanto a fila se organizasse à frente da igreja para receber a sopa…”

“…na maioria das vezes, até quando davam as esmolas que o sustentava, não o enxergavam. O viam, mas não o enxergavam. Ele não era uma pessoa, um menino, era um corpo invisível perambulando. Era o reflexo de uma sociedade que joga seu futuro no lixo…”

Quer continuar ajudando a escrever o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira? Leia o terceiro capítulo e escolha o futuro de Rato para o próximo episódio de “O Comedor de Lixo”.

COMO PARTICIPAR DO PROJETO ”O COMEDOR DE LIXO”?

CAPÍTULO 1 - QUAL O PREÇO DA LIBERDADE?

CAPÍTULO 2 - O CRIME COMPENSA?

NOTA DO AUTOR:

Muito obrigado pela participação de todos! Nosso livro está ficando com um enredo muito interessante e criativo, graças a vocês. E o mais importante: estamos discutindo um tema tão relevante, que é o descaso com a juventude.

Se você quiser nos ajudar ainda mais, façam uma chamada sobre “O Comedor de Lixo” em seu blog ou divulgue nosso projeto para amigos que gostam de leitura, para seu mailing list ou colegas de trabalho, no momento de ócio. A publicação do nosso livro será semanal, toda quinta-feira.

Confira os blogs/sites que divulgaram “O Comedor de Lixo” essa semana:

http://www.danosse.com

http://cervejabem.brogui.com

http://aprendizdeescritor.com.br/

http://etcsa.blogspot.com

http://www.tiagobispo.com

http://umafabulasobreavaidade.wordpress.com

http://coisasdehomem.hitechlive.com.br

http://moskitoloko.blogspot.com

http://leiloeilolhe.blogspot.com

Continuando a saga de nosso herói Rato, segue o Capítulo 3 de “O Comedor de Lixo”. Confira se sua idéia foi utilizada e sugira o futuro do personagem para o capítulo 4. Esperamos sua participação!

CAPÍTULO 3:

O COMEDOR DE LIXO - CAPÍTULO 3 - QUAL CAMINHO TRAÇAR?

[*]

Foi acordado com um tapa na cabeça [1], levantou-se com o susto e abriu os olhos, desesperado. Era Bino [2], um garoto de 19 anos que morava no bairro e que, geralmente, se encontravam. O Sol já estava à cima, era por volta de 8 horas da manhã. Sempre bem vestido, Bino, filho de mãe solteira, gostava de conversar com Ele porque podia contar todas as vantagens que quisesse e se glorificar, sem que o interlocutor questionasse, reclamasse ou desviasse o assunto. Bino, assim, se sentia poderoso, superior e o maior homem de negócios da cidade [3]:

 - Ta vendo esse tênis aqui, moleque? Outra jogada minha vendendo os bagulho na esquina da avenida. Tu não tem um desses, tem? É novo, moleque. Agora tu fica aí fudido, dormindo na rua, sozinho, porque não sabe fazer negócio. Isso aqui – segurando um volume dentro do bolso – eu pego com os home grande e trago aqui pra baixo. Vendo tudo e to agora de boa. E tu dormindo aí na rua. O problema é que tu é muito pivete ainda… 
 
 Bino morava em um morro que ficava ao final de uma rua transversal à avenida do semáforo de Rato. Desde novo, envolvido com o narcotráfico da região, servia de aviãozinho para os traficantes, e, agora, um pouco mais velho, sentia-se poderoso e confiante no poder de suas negociações. Para Ele, Bino era um exemplo de vencedor [4], que conseguia comprar o que quisesse e entrar onde quisesse sem ser incomodado. Sabia da ilegalidade do trabalho de Bino e resolveu pedir para passar o dia com ele, talvez conseguisse chamar atenção dos policiais [5].

 - Posso ir mais tu [6]?

 - E tu lá é sujeito homem pra andar comigo, pivete? Levanta aí que eu vou te mostrar quanto dinheiro eu consigo hoje…

 Chegaram à movimentada esquina de negociações do Bino [7], que sempre ficava encostado ao fundo de uma loja. Pararam ao lado de uma caixa de ar condicionado, Bino se posicionou em pé e com os braços cruzados. Ele estava lá, imitando até a posição dos braços. De repente, aparece um garoto de bermuda, boné, óculos escuros e uma camiseta de botão meio aberta. Cumprimentou Bino, fez o gesto com as mãos, pôs um pequeno pacote no bolso. Com a outra mão deu o dinheiro e caminhou na direção oposta. No mesmo momento entram dois policiais, com armas em punho, mandam Bino colocar as mãos na parede e pegaram os pacotes de seu bolso esquerdo [8] . Com um golpe do cassetete no estômago, Bino relaxou os braços e um dos policiais algemou-os atrás das costas. Empurram-no para dentro de uma viatura estacionada há alguns metros da esquina. Os comerciantes da região, que haviam percebido a movimentação há algumas semanas perto de suas lojas, chamaram a polícia e denunciaram Bino, que agora, a sua sorte, era encaminhado à delegacia mais próxima [9] , umas das poucas na cidade que não aderiu à greve. 

 Ele assistiu tudo estático, com medo da abordagem, mas com a esperança de também ser levado pelos policiais na viatura, o que não aconteceu. Parecia ser invisível. Ficou ainda alguns minutos na esquina, a movimentação e o tumulto que os pedestres fizeram depois da abordagem cessaram, foi quando decidiu voltar a seu semáforo e tentar pensar em outra oportunidade para ser preso, não podia ser tão difícil. Esbarrou, ainda caminhando desatento, em uma lata de lixo na frente de um posto de gasolina. Encontrou um resto de sanduíche.

 No local de trabalho estavam espalhados, como sempre, outros pedintes, vendedores de balas, malabaristas e limpadores de para brisas - menos práticos, menos eficientes e mais lentos do que os limpadores mecânicos do carro, mas sempre estavam lá, com o mesmo movimento repetitivo de vai-e-vem,  esguichando água e enxugando o mais rápido que podiam. Ninguém no ponto tinha dado por sua falta, do mesmo jeito que não perceberam quando Ele chegou. Todos prestavam atenção no jornaleiro, que, mais uma vez, contava sobre as notícias do dia [10]:

 - Saiu uma pesquisa dizendo que a capital está com 40% a mais de gente que cabia. Eles chamam de “hipertrofia”, “descontrole de natalidade” e “êxodo rural”! Para mim isso é o normal… O governo só fode com o povo mesmo, só podia nascer mais gente. Agora, cuidar dos meninos ninguém quer, nem o governo nem o povo.

 Alguns risos. O sinal abriu, era hora de torcer por esmolas. Naquele espaço de 45 segundos desperdiçados pelos motoristas – que aguardavam ansiosos pelo sinal verde – havia se formado um mercado de trabalho alternativo, miseravelmente formado por quem só podia mendigar, buscando seu sustento em um impaciente intervalo de tempo considerado desprezível pelos motoristas.

 O primeiro carro a parar, depois que Ele chegou ao semáforo, era uma grande caminhonete com os vidros escuros. Mesmo sem enxergar nada da parte de dentro Ele se encostou ao lado do motorista, deu duas batidas na porta com o dedo indicador e estendeu a mão direita, com a palma alçada para o céu. Alguns segundos depois, para sua surpresa – os vidros pretos quase nunca eram abertos – um senhor grisalho, com um ostentoso bigode e óculos escuros trouxe para fora da caminhonete um saco plástico com as duas pontas amarradas. Sem falar nada, o senhor subiu o vidro e virou-se para frente, aguardando o sinal abrir. O volume era pesado e macio, uma camiseta velha, uma bermuda um pouco grande para seu tamanho e um saco de bolachas de água e sal meio espatifadas [11]. Correu para o canteiro da pista, escondeu-se atrás de uma árvore robusta e trocou de roupa, as suas já estavam com um mau cheiro devido aos dias sem tomar banho. Lá mesmo devorou as bolachas. As roupas velhas ficaram no chão e depois foram apanhadas por Júlio, um rapaz que, com maestria, jogava malabares no sinal.

 Apesar da boa reputação do semáforo, onde quase nunca tinha assaltos, o período noturno era muito menos rentável para os pedintes. Quase impossível. Júlio era um dos poucos que ficava no ponto tanto pela manhã quando à noite. Durante o dia, trabalhava com 5 bolas de tênis, jogadas em uma sincronia à la Cirque du Soleil. A noite, com o rosto pintado de palhaço, usava dois cabos de vassoura de cerca de 30 centímetros e uma haste de madeira, com duas bolas de pano nas pontas molhadas de querosene e ateadas fogo. Era um verdadeiro espetáculo de rua, que lhe rendia, semanalmente em media, merecidos 200 reais. Sua arte era sua vida. Embora se encontrassem todos os dias e trabalhassem no mesmo semáforo, Júlio e Ele não tinham uma relação estável de amizade. Com uma rotina tão mecânica  (passar com a mão estendida entre os carros, contar moedas e peregrinar atrás de alimento) não era fácil manter relações sociais duradouras. Seus encontros eram sempre descartáveis, no tumulto da rua movimentada.

 Júlio se levantou da sombra de uma árvore do canteiro central para uma nova jornada de 30 segundos de malabarismo e 15 segundos passando seu chapéu entre os carros, esperando a recompensa pelo entretenimento. Eram naqueles 45 segundos, perdidos pelos motoristas aguardando pelo sinal verde, que Júlio tirava o sustento de seus 2 filhos e da sua esposa. Começou a jogar as bolas para cima: primeiro duas, depois três e então as cinco já estavam no ar.  Segurava e cumprimentava, dobrando o tronco. Colocava as cinco bolas dentro do chapéu e caminhava ao lado dos carros. Júlio sempre recebia mais do que os pedintes, a sensação de que a esmola, no caso, era uma recompensa, confortava os motoristas, sempre mais gentis e simpáticos com o malabarista. Após a contribuição sentiam-se com o dever cumprido, passando a diante suas parcelas de culpa.

Rato decidiu ir à borracharia para se lavar. Há muito não tomava banho e, como era noite de distribuição de sopa pela associação filantrópica da igreja católica do bairro [12] , queria estar apresentável. Vestido apenas com a bermuda nova – que havia ganhado no semáforo-  ficou de pé na calçada e fez um gesto com uma das mãos, como se estivesse com uma mangueira acima da cabeça. O borracheiro já conhecia o procedimento, abriu uma torneira e, sorrindo, jorrou água sobre o garoto que, aos pulos e com uma feição de desespero – pelo frio e pala falta de hábito - esfregou o corpo rapidamente para que aquele ritual terminasse rápido. Banho tomado, era hora de ir ao semáforo secar-se ao Sol e aguardar a esperada noite de distribuição de sopa, no caminho passou por uma banca de vendas de frutas e colheu algumas uvas amassadas que repousavam em uma caixa no chão.

 Decidiu, raciocinando enquanto aguardava o sinal marcar vermelho, que a noite seria uma ótima oportunidade para gerar um grande tumultuo, enquanto a fila se organizasse à frente da igreja para receber a sopa. Juntou um real em moedas de 10 centavos e foi a uma pequena loja comprar uma vasilha de plástico e poder participar da distribuição, aquele seria o grande dia.

 O Sol começava a repousar, o movimento do trânsito aumentava nas ruas, era a hora do rush: vidros fechados, pessoas apressadas, mau humor, medo e o fim da possibilidade de esmolas. Na frente da igreja o grupo filantrópico já havia estacionado a kombi na entrada da escadaria, colocado duas mesas, cobertas com um pano quadriculado e três grandes panelas. Algumas pessoas já se organizavam na fila com baldes, copos, canecas, xícaras, potes, garrafas pet e qualquer recipiente que armazenasse líquido. Ele era o 18º e aguardava, ansiosamente, sua vez. A sopa era de legumes, com alguns poucos pedaços de carne, ingredientes comprados com a arrecadação de recursos do grupo filantrópico, que trabalhava com a política “não dê esmola nas ruas, contribua com a organização filantrópica da igreja”. Segundo o Padre Lino, presidente da associação e famoso líder católico da paróquia, o importante era “ensinar a pescar e não dar o peixe”, por isso, com os recursos arrecadados pela organização, uma vez por mês, um work shop era montado para moradores de rua e a comunidade pobre do local - mas pouco freqüentado - com aulas de mecânica, marcenaria e metalurgia. Semanalmente, a sopa era distribuída aos moradores da região.

 Chegou sua vez de ser servido, era a grande hora de por seu plano em prática. Recebeu a sopa no copo recém comprado, sentou-se na escada da igreja e saboreou a comida até o último gole. Voltou para o começa da fila e com um tom autoritário disse que queria mais.

 - Mais!

 Padre Lino, segurando a concha com a mão direita e a panela com a esquerda, com uma voz serena respondeu:

 - Não, meu filho. Você já foi servido. Retorne ao final da fila, e caso ainda haja sopa, eu o darei.

 - Velho viado! Quero mais sopa!

 - Meu filho, assim você não conseguirá nada.

 Ele jogou o copo em uma das mulheres da organização, empurrou a panela sobre a mesa, derrubando a sopa no chão [13]. Os membros da organização ficaram perplexos e alguém do final da fila gritou:

 - Vai faltar sopa!!!!

 Desesperados, os que aguardavam por sua vez na fila começaram um tumulto enfiando os baldes, copos e garrafas nas duas grandes panelas que sobraram. Alguns se agacharam no chão e comiam os pedaços de legumes e as carnes que havia caído da panela derrubada. Levaram Padre Lino para dentro da igreja, o poupando da confusão, enquanto os organizadores do grupo filantrópico tentavam conter o ataque selvagem. No meio de tanto tumulto esqueceram Dele, que, mordendo um pedaço de carne do chão, se distanciou lentamente. Seu plano falhou mais uma vez.

 Ele não conseguia ser preso porque era invisível. Ninguém dava atenção ao que ele fazia, mesmo que fosse ilegal. Sua periculosidade social passava em branco por causa da insatisfação em ver um menino raquítico, feio, mal vestido e sujo. Era melhor fingir que ele não existia, mas ele estava ali, sempre chamando atenção, fazendo o errado e tentando colocar seu genial plano em prática [14]. Na maioria das vezes, até quando davam as esmolas que o sustentava, não o enxergavam. O viam, mas não o enxergavam. Ele não era uma pessoa, um menino, era um corpo invisível perambulando. Era o reflexo de uma sociedade que joga seu futuro no lixo. Que se alimenta do lixo e que permanece no lixo. Mas, amanhã, seria diferente. Ele seria preso, conseguiria um lugar para dormir, refeições certas e talvez um lar [15].

COLABORAÇÕES DESTE CAPÍTULO:

* Imagem por Marcos Leandro - http://etcsa.blogspot.com/

1. Marcelo BC
2. Guilherme Dutra, Anarcoplayba http://anarcoblog.wordpress.com , K-prA, Marcos Leandro http://etcsa.blogspot.com
3. caroline www.freewebs.com/aspacoastrologia 
4. Vinna e K-prA
5. Marcelo BC e Israel Comar
6. Vinna
7. Marcelo BC, caroline www.freewebs.com/aspacoastrologia
8. Barion www.isfreepop.com
9. Barion www.isfreepop.com
10. Daniel
11. Barion http://www.isfreepop.com
12. caroline www.freewebs.com/aspacoastrologia
13. K-prA
14. Esperanto e Israel Comar
15. Israel Comar

Obrigado a Lucas Balduino que fez a correção de “extinto” por “instinto” e a Carlos Gomes, que alertou para o fato de que, quando Rato foi dormir, no final do primeiro capítulo. seu cobertor já estava úmido.  Erros já consertados.

PROPOSTAS DE INTERAÇÃO PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO:

No próximo capítulo, como foi proposto por Esperanto e K-prA exploraremos o interior do psicológico de Rato,  e levantarmos as questões a respeito de seu passado no orfanato, propostos por Lucas Balduino, Anarcoplayba - http://anarcoblog.wordpress.com e Marcos Leandro http://etcsa.blogspot.com . Trataremos desse assunto apenas no capítulo três pois, segundo o Vinna (com quem concordei), ainda era muito cedo para trazermos a situação à tona.

1 - Qual o título do próximo capítulo? “QUEM SOU EU?”, “O QUE EU SOU?” Qual sua sugestão?

2 - A polícia deve voltar da greve, para que o desenrolar do enredo seja mais sugestivo?

3 - Afinal, os pais de Rato devem ou não reaparecer na estória?

4 - Já fomos apresentando a Júlio, o jovem malabarista. Qual a relação que ele pode estabelecer com Rato? Será que ele poderia ajudar Rato a por seu plano em prática e, assim, diminuir a concorrência do semáforo?

5 - Durante um dia qualquer da semana gostaria que vocês contassem quantos pedintes vocês vêem na rua de suas cidades e postassem aqui o número. Qual sua cidade? Posso contar com vocês?

Até a próxima quinta! Espero que estejam gostando da trajetória de nosso herói. Se não, aguardo ansiosamente sua sugestão para mudarmos o destino do Rato.

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21 Protestos

  1. Oswaldo Grimaldi disse:
    oswaldogrimaldi.com.br

    Boa Tarde.
    Como posso participar para escrever nesse livro?
    o que devo fazer?
    Grato

  2. Leo prosopopeio Cardoso disse:
    sedentario.org/o-comedor-de-lixo

    @Oswaldo Grimaldi

    Convido você a visitar o link http://www.sedentario.org/internet/o-comedor-de-lixo-o-primeiro-livro-interativo-da-blogosfera-brasileira-participe-8310 que explica como vôcê pode participar do projeto.

    Abraço, conto com sau participação!

  3. Bruno Cobbi disse:
    aprendizdeescritor.com.br

    Agradecendo pelo link e aproveitando para parabenizar também por aqui a iniciativa.

    Minhas sugestões:

    1. No título, menos niilismo atrai mais a curiosidade do leitor. Se vão falar do psico-emocional atual do protagonista ou do passado dele, sugiro que usem esse título para chamar atenção para um futuro gancho com o passado do garoto. Algoq ue o tenha marcado e que possa servir como metáfora metafísica pra ele, do tipo “Teto de madeira podre” fazendo alusão tanto ao teto que ele via toda dia quando se deitava pra dormir no alojamento do orfanato, quanto ao “teto” como a cabeça dele, o cérebro (”Macaquinhos no sótão”, manja?).

    2. A greve da polícia pode desencadear uma rebelião ou uma fuga de pequeno ou grande porte onde haveria uma oportunidade do protagonista interagir com presos fugitivos e quem sabe até entrar na cadeia por alguns instantes ou vislumbrar algumas atrocidades cometidas pelos presos rebeldes e começar a repensar no seu plano (embora isso tenha que ser sutil, afinal ainda é cedo).

    3. Onde foi parar esse tópico? :D

    4. Ainda não sei responder essa.

    5. Na rua, há um têneu equilíbrio entre “a união que faz a força” e “a lei do mais forte”. Acho que a relação entre os dois poderia ilustrar isso, ficando num equilíbrio tenso entre sinceridade e interesse.

    6. Hoje trombei 2 numa praça perto de casa, aqui em SP, capital. Se contarem os outros moradores de rua que o acompanhavam, totalizariam 4.

    Até breve.

  4. Bruno disse:
    quepagaquanto.blogspot.com

    1 – “Estrada pro aqui e agora.”
    2 – A policia deve permanecer em segundo plano, uma vez que o capítulo é sobre a vida do rato.
    3 – Para chegar na situação atual de RATO, deve-se contar a história de sua vida. Isso inclui uma passagem em que seus pais aparecem obrigatóriamente.
    4 – Acredito ser melhor pensar no RATO como motivador principal do enredo trazendo as outras personagens como circunstâncias do ocorrido nos atos dele. No caso de Júlio, uma personagem que tem característica para um rico enredo, ele disputaria a atenção junto com rato.
    5 – Sou de São Paulo. Cidade grande de muitas coisas, inclusive de moradores de rua (homeless). Já fiz parte de grupo de “sopão”, como chamávamos. Já tive bastante conversa com todos os tipos de cidadãos. Já encontrei moradora de rua que está na atual situação por causa do vicio da bebida. Já encontrei carroceiro que compra roupas novas pegando papelão. Conversei com um rapaz que tem trabalho e salário fixo, roupas novas, lavadas em lavanderias, refeição em lanchonete, faz barba todo dia e toma banho em albergue e carrega sua vida na mala (sim, estilo “em busca da felicidade) mas que não conseguiu juntar dinheiro para comprar uma casa, ou se aluga-se um lugar não conseguiria comer, ter roupas. Ele mora na rua.
    Mas o que realmente me marcou mais foi quando fui a uma rede de fast food comprar um lanche para mim, eu de carro indo no delivery, fui abordado por um menino de rua que pediu para comprar um lanche para ele que ele pagava. Ele mesmo não comprava porque não deixavam ele ir no restaurante pensando que ele ia pedir comida. Ainda assim eu me ofereci para dar um lanche para ele, que não precisava pagar. Mesmo assim ele insistiu e não aceitou minha “boa ação”. Confesso que não entendi na hora, comprei o lanche para ele e dei o destino daquele monte de moeda nas esquinas seguintes. Mas depois pensei comigo mesmo: ele estava sentindo como era ele mesmo COMPRAR, usar do dinheiro que ele “conquistou” e não apenas receber, ganhar. Vi ali um incentivo motivador subliminar. Vi que ele estava querendo depender de suas próprias mãos e não apenas da boa vontade dos outros.

    Uma opinião minha seria coloca menos conhecimento circunstancial da situação no RATO. Acredito que, por ser morador de rua, ele não tenha estudos, e assim, ser limitado a determinadas reações de sua ação.

    Minha idéia

    “Já farto de comida, coisa que dificilmente acontecera com rato, mais feliz por seu bucho cheio porém menos esperançoso na continuação de seu plano, ele limitou-se a terminar mais um dia de sua vida em algum lugar que aparentava o conforto que lhe cairia bem. Naquele dia seus “companheiros” de praça lhe faltaram a companhia. O tempo ginava tendenciado para um forte frio e talvez até chuva. O vento mais forte apressou na escolha do local que escolhera para passar a noite.
    De noite, no centro, os prédios comerciais, cinzentos e mal iluminados, escondiam os vários pontos invisíveis aos olhos acomodados dos passantes que durante o dia apenas preocupavam-se com seus compromissos. Do lado da lixeira, a cobertura que ainda não estava ocupada pelo lixo, que já era cotidiano na vida de rato, lhe traria alguma calma aparente. Podia-se ver ao longe do fim da rua, as montanhas e nela a esperança de um dia melhor por vir. Nessa noite, o pouco, ou quase nenhum, conforto com qual estava acostumado não existiria. O vento agora já soprava pequenas gotas de água e a caixa de papelão que outrora guardavam papeis a imprimir contratos importantes, agora servia de proteção ao rato. Algumas horas depois a chuva cessou. Enfim fechou os olhos e dormiu pensando, numa vaga idéia que, assim como os tantos lugares para dormir, talvez poderia ter alguma outra idéia de como tentar sobreviver sem que tenha que ser preso.
    O papelão já estava seco, a escuridão que era aparente mesmo no sono meio dormido meio acordado, agora já é clara.
    O som de carros passando, uma buzina, algumas vozes em forma de sussurro são escutadas, já não está mais tão concentrado no seu sono, o ambiente já esta presente novamente em sua mente. Ouve: - Coitado! ele escuta uma voz feminina…”

    Enfim… nem sei se essa era a idéia… mas já escrevi. rs

    abraço…

  5. Luiz Trevisan disse:

    Muito boa essa proposta, comecei a acompanhá-la domingo passado quando estava buscando algo bacana pra ler. Só tenho uma observação a fazer: Como o Bruno disse aí em cima, o personagem é “instruído demais” para alguém que cresceu nas ruas. O narrador onisciente que mostra o que acontece nas profundezas da mente dele nos relata um modo de pensar que vai além da simples sobrevivência, com uma crítica social que não devia partir de um garoto abandonado.

    Para não fugir do assunto, aqui vão os meus palpites:

    1- O título “O que eu sou” parece mais adequado. O protagonista é uma coisa, um animal. Não me lembro bem se você disse que ele tinha nome ou se alguém, nos posts anteriores sugeriu, mas como ele é conhecido simplesmente como rato, o nome é desprezível pra compor o personagem. E como ele tem a noção que é algo invisível, e não uma pessoa o título encaixaria melhor na “coisificação”

    2-Não. Eu o vejo parar na FEBEM ou em outro órgão social, mesmo que isso não seja parte do seu plano inicial. Afinal, se até agora o plano não saiu como ele pretendia, porque no fim teria de ser diferente?

    3-novamente, não. Você já deu um pequeno background pro protagonista, já está de bom tamanho. Os pais são meras sombras em seu passado.

    4- O malabarista pode mostrar ao Rato o significado de família- algo que ele desconhece- mas por pouco tempo.O malabares morre de modo brutal, o que semeia um certo ceticismo no garoto.

    5- Moro em Nova Lima, região metropolitana da Capital de Minas Gerais, Belo Horizonte. Como faço pré-vestibular, sempre estou indo de uma cidade pra outra durante a semana. Hoje, quinta feira, vi ( e enxerguei, ao contrário dos transeuntes que não viam nosso herói ) três mendigos: Um na lateral direita do Hotel Othon Palace, uma mendiga pedindo esmolas nas escadarias dum banco do Brasil, e um na praça sete, no centro da cidade, pedido esmolas em meio a uns Hippongas sujos vendedores de “artesanato”

    Hippies não contam como mendigos, certo?

    Ah, e uma coisa que eu vi quando reli: a grafia do circo internacional é “Cirque du Soleil” e não “cirque de soleie”

  6. Eduardo disse:

    em primeiro lugar quero parabenizar o blog do sedentario, muito boa a iniciativa parabens mesmo…

    pretendo participar do livro mais é que no memomento estou lendo o livro no trabalho já que meu pc em casa está zuado…

    ahhh só uma erro que eu vi…

    “Alguns risos. O sinal abriu, era hora de torcer por esmolas. Naquele espaço de 45 segundos desperdiçados pelos motoristas – que aguardavam ansiosos pelo sinal verde”

    seria o sinal fechou… esta logo depois que o jornaleiro le a noticia

    abraço a todos

  7. Bispo disse:
    tiagobispo.com

    1 - “O QUE EU SOU?” - Gostei muito deste titulo pois mostra o tanto quanto ele é um objeto da sociedade aonde ele vive. Mas acho que ficaria mais impactante se invertesse a ordem de Eu com SOU, ficando “O QUE SOU EU?”. Acho que soa melhor.

    2 - Acho melhor a policia não deve voltar da greve antes de um protesto publico envolvendo uma paciata que passara no cruzamentodo Rato, para choca-lo e dar alguma outra ideia. Depois disso a greve poderia voltar em uns dois capitulos.

    3 - Acho que os pais fisiologicos nao devem aparecer, porem gostaria que mais para o meio da historia ele encontre algum conselheiro que o trate como um filho ou um grande amigo.

    4 - Gosto muito do jogo do bem e do mal, uma grande referencia é o Bino como o capeta e o Julio como um anjo. Acho interessante as duas partes tentar assediar o Rato, deixando bem claro que as duas partes possuem interesse muito grande no menino. Acho que o Bino poderia propor uma “sociedade” e o Julio poderia tentar ensinar o malabarismo e tentar a vida em um outro farol ou em algum outro lugar, em um circo, ou até mesmo nos se vira nos 30.

    5 - Depois eu envio. Mas sou de São Paulo, moro na Barra Funda e trabalho na Berrini, então a quantidade varia. Por exemplo de segunda a sexta são poucos que eu vejo, mas de sabado vejo muitos pois tem uma feira perto de casa.

  8. Lucas Balduino disse:

    Bom, vamos lá.

    Sei que é um saco ter aquelas pessoas “pé-no-saco” palpitando, mas aqui vai uma crítica construtiva. Provavelmente, o “autor” do livro, quando se propôs a colocar a louvável idéia em prática, já havia bolado o planejamento da história. Apesar do livro ser interativo, deve ter todo um esqueleto que modela o enredo. Sim? Não? O mais provável é que talvez.

    Então, como todo planejamento, mesmo que ele seja apenas tácito, no final há de ser feita a avaliação de como transcorreu o que foi feito. E eis minha pergunta: esse capítulo três foi realmente necessário pra história? Na minha opinião, até agora foi o mais fraco. Parece que a história perdeu seu fôlego e ficou na redundância.

    Bino apareceu e sumiu, deixando a coisa superficial. A história passou rapidamente pela questão da greve e não acrescentou em nada. Aliás, num evento milagroso havia uma delegacia da polícia que não estava em greve. Praticamente, um Deus ex Machina. Julio apareceu. Bom, afinal a história precisa de novos personagens. E, no final, a briga por causa da sopa. Necessária ou redundante? Ou contraditória com a personalidade do garoto até aqui?

    Bom, evidentemente essa é apenas minha opinião. Podem não concordar. Aliás, espero que não concordem e exponham mais idéias, já que essa é a lógica de interagir.

    Contudo, como já falei, a iniciativa é louvável e fico feliz com a seriedade com que é conduzida. Mais tarde volto pra dar meu pitaco sobre o capítulo quatro.

    Abraços!

  9. Lucas Balduino disse:

    Aliás,

    “Alguns risos. O sinal abriu, era hora de torcer por esmolas.”

    O certo não seria o sinal fechou? Provavelmente é questão de referência. Fechou pra quem e abriu pra quem? Mas não é costumeiro falar que o sinal fechou (ficou vermelho) ?

    Abraços!

  10. Marcos Leandro disse:
    etcsa.blogspot.com

    1 - Vivendo no passado e sobrevivendo no futuro

    2 - Talvez, apenas um pequeno grupo da polícia voltam a trabalhar,
    mas voltam já com a intenção de maior liberdade pra estorquir, liquidar
    inimigos antigos, e talvez até cometer chacinas contra moradores de rua.
    O que acaba fazendo com que Rato pense que essa não seria uma boa
    hora pra ser preso, pois ele no máximo ia apanhar e ser jogado na rua de
    novo ou até ser morto.

    3 - Devem aparecer mais pra frente, depois de conhecermos bem a verdadeira
    pessoa que Rato é.
    Poderia acontecer de Rato conversar com um morador de rua
    desconhecido, e ouvi-lo falar de um antigo amigo, que inclusive parecia-se muito com ele,
    que faz Rato sentir uma esperança que jamais havia sentido. Talvez aquele
    seria mesmo o pai dele! E resolve fazer todo tipo de pergunta e pegar todas
    as informações com o mendigo beberrão e sua memória fraca.

    4 - Julio diz que não pode ajudar Rato com seu plano, pois, optou por
    ganhar a vida nos semáforos a roubar, pois já havia sido preso quando mais
    jovem, e acaba dando conselhos para que Rato tire isso da cabeça.

    5 - Numa praça em frente a um cemitério 5,
    e na rodoviária 3

  11. Leo prosopopeio Cardoso disse:
    sedentario.org/o-comedor-de-lixo

    Obrigado pela contribuição, parceiros!

    Já consertei o abriu para fechou, do sinal. Valeu!

    @Lucas Balduino

    Muito obrigado pela sugestão. Pode acreditar que há algo de inesperado na sequência da estória que será apresentado no próximo capítulo.

    Abraços!

  12. Alexandre Andrade disse:
    blogdopato.brogui.com

    Cara, quase todo mundo ja disse, mas não posso deixar de falar, a idéia é muito boa, possibilitando que qualquer pessoa possa exercer seu lado escritor e criativo, ainda mais envolvendo-nos em uma crítica social.

    É, o titulo” O que sou eu ” (dica do Bispo) fica mt bom, mas requer um texto bem detalhado sobre seu pensamento, e o que aconteceu com ele quando pequeno para que passasse a pensar desse modo, e digo isso pq esse capitulo vai ser o de identificação do personagem, da formação de seu caráter,que irá acompanhar Ele até o final do livro, pois se não, mais pra frente pode surgir contradições. A dica do Bruno Cobbi “Teto de madeira podre”, tbm é bem boa, talvez nem tanto o nome, a o pq dele.

    O caso dos pais, acho que merece um capítulo só pra eles, contando todo o desenrolar da estória de como Ele foi “feito” e pq aconteceu o q aconteceu. Talvez esse capitulo devesse vir até antes do “o que sou eu”.

    Como o Lucas Balduino falou, deve ter um esqueleto da estória já formado, um esboço de como iria começar e terminar, de como as coisas iriam se desenrolar para que pudesse resultar em algo ja premeditado. Pois como se trata de uma estória colaborativa e feita em partes, se não existir uma base, a estória pode acabar ficando sem rumo, desandando para um lado em que não de mais pra retomar o rumo da estória com o mesmo ritmo e qualidade. E se tem um esqueleto, ele devia ser divulgado para que as idéias e opiniões se baseassem(?) no enredo, mantendo um foco.

    Em relação a greve, ao Bino e Júlio, questão dos pais, tudo pode ser encaixado futuramente para não ficar perdidos na estória, como disse alguem do Bino e Júlio, bem e mal, causando assim uma guerra interior, pra que lado seguir?, o que fazer? e outras coisas que podem dar um ar menos previsível ao livro.

    E de novo concordando com o Balduino, a parte da sopa foi meio contraditória ao outro capitulo, ao qual Rato se preocupa com a reputação do ‘ponto’ por causa das outras pessoas, e depois derruba a sopa que iria ajudar outras pessoas. E além de tudo, visto o medo dele de apanhar, derrubar um panelão de sopa em meio aos famintos não é das coisas mais seguras de se fazer. hehe Falo isso porque, para uma estória, é preciso que o personagem tenha uma identidade, um modo de agir e pensar, que o marca na nossa cabeça desse jeito, tem que ter uma personalidade própria, e quando acontecer de agir contra sua personalidade, tem que haver um trecho explicando seus pensamentos, detalhadamente, descrevendo o que o fez levar a tomar aquela decisão. x)

    A idéia do Bispo, de aparecer alguem que cuide dele, de conselhos e ajuda tbm é mt boa, mas parece q o Julio apareceu para isso, certo?

    Bom, ao que vc parece querer fazer parecer, Rato é um menino esperto, ignorante, mas esperto. Então acho que deveria ter em suas falas um pouquinho mais de articulação, porque ” Posso ir mais tu?”, “mais!” , “Velho viado! Quero mais sopa!” e falas secas assim , parecem coisa de um neanderthal(??), um índio, ou alguem com um certo problema mental ( sem piadinha).
    Falando nisso, acho que a narrativa deveria ser mais descritiva, se não dos locais, pelo menos dos personagens, pois tem de se criar uma identidade para os personagens, tanto morais quanto físicas, quando a pessoa lê, ela quer sentir ( ela, hein, eu jamais!) a estória, quer imaginar os personagens e até os locais onde eles se encontram, fazer o locar da estória existir na mente do leitor. Eu sei que fica bem mais complicado escrever, detalhando tudo assim, mas se pretende ser publicado ( foi o que eu entendi) , ou mesmo distribuido em .pdf , deve ter uma boa leitura, e que se desenvolva bem, mesmo o intuito sendo a crítica social, uma estoria bem feita pode ser o melhor atrativo.

    Não sei se ja falei, mas o capitulo dedicado ao seu passado, deve apenas falar disso, sem contratempos e rodeios, foco apenas nisso.

    É, eu sei, ja falei pra kcte, mas tudo crítica construtiva, e sei que não é nada fácil escrever um livro, mesmo que com ajuda, e opinar é um pouco mais fácil mas tem sua relevancia. Espero que voce concorde. Pra finalizar um pequeno erro do segundo capitulo “Com seu R$ 1,15 do dia comprou seu jantar, um patro frio de” ficou patro ao invés de prato.

    abs e espero que o livro não perca o rumo.

  13. pato disse:
    blogdopato.brogui.com

    ja divulguei la no blog, esse ae de cima. abs

  14. Anarcoplayba disse:
    anarcoblog.wordpress.com

    1) Sugestão de título: Aprendendo a Existir (já que o Rato quer ter reconhecida sua existência).

    2) Não, a polícia não deve voltar da greve, e a população deve manter a “Lei” com as próprias mãos. Como o vigia que deu uma paulada na cabeça do Rato.

    3) Reitero que os pais de Rato devem aparecer… mas eles não devem se reconhecer como pais e filhos.

    4) Júlio o Malabarista era uma pessoa diferente… ele não pedia, conquistava. Tinha o instintivo conhecimento de que seu valor no mundo era o de entreter pessoas no farol. Não pedia dinheiro: vendia a aparência de um entretenimento.

  15. madeinchina disse:

    Ok, sei que estou atrasado, mas não é todo dia que consigo abrir um blog daqui. De início, deixarei uns comentrários gerais antes de abordar meus pensamentos e opiniões para o nosso próximo capítulo.

    Primeiro de tudo… Leozão, que orgulho que sinto de você. Um orgulho que me faz bem por eu te conhecer. É um sentimento um tanto egoísta - já que meu ego agradece -, mas sincero. Parabéns!

    Eu acredito que o narrador deve entrar mais no mundo oculto e obscuro do Rato. Reforçar a idéia da esperança na prisão, como exatamente funciona essa compensação na cabeça dele. Expor seus pensamentos inocentes em relação a felicidade projetada para que depois possa haver uma comparação lógica – ou não. Principalmente quando é citado o fato que ele decidiu caminhar pela cidade procurando oportunidades de cometer crimes. Na verdade, o que ele deseja é sentir-se igual aos outros, e acredita que ao cometer um crime, isso o leverá a igualdade.

    Aliás, penso que ele pensou em roubar muito rápido. Ele poderia ver algo, ou conversar com alguém primeiro sobre isso… O roteiro não mudaria, só abriríamos um parênteses para que ele pudesse filosofar sobre o ato que estaria prestes a cometer, e como foi a decisão de realmente o por em prática. Demos tanta ênfase ao roubo em si, e penso que esquecemos de estudá-lo dentro da mente do nosso Rato.

    Com relação ao momento que Bino é pego pelos policiais. Acredito que foi tudo muito rápido, seria interessante, na minha opinião, dar mais vida ao momento. Mais descrições. Detalhá-lo um pouco mais. Os sons, os detalhes dos rostos dos policiais, o coração batendo… O desespero do momento em si.

    Outro ponto é quando o jornalista comentou que o governo só fodia com o povo, que só poderia nascer mais gente, e que cuidar dos meninos ninguém queria. Seria bom o Rato pensar na mãe. Seria a primeira menção. E através de palavras simples, tentar descrever seu sentimento confuso. “Minha mãe me teve por que o governo fodeu com ela?” Ou algo pior que isso. Ele vai aprender a pensar mais tarde (espero!).

    Agora comentando sobre o próximo capítulo:

    1 – “O QUE SOU EU?” Seria interessante uma cena com ele se olhando num espelho, dando enfâse ao seu olhar. No brillo do olho que o faz existir. Ele precisa se enxergar pra saber que existe. Talvez isso mude algo na cabeça dele. Ele tem procurado por um conforto, pelo reconhecimento existencial do seu eu atráves do outro. É como se ele vivesse pro outro, para e através do outro. Ao se olhar no espelho quem sabe isso não muda um pouco? Alguém poderia chamá-lo pelo seu nome verdadeiro, isso mexeria com seu incosciente, com sua personalidade. Ele tem um nome, é alguém. Não é só o Rato. “Quem sou eu? O que sou eu?”

    2 – X

    3- Concordo com o Alexandre Andrade em relação a um capítulo “flashback” para os pais. Mas pergunto-me se seria viável já que o Rato nada sabe daqueles que o geraram, o que adiantaria o leitor saber mais da vida do nosso heróio que o próprio? Talvez teríamos que fazer uma integração doas fatos, lembranças inconscientes? Carta? Tia? Uma prima distante?

    4 - Não. Júlio tem filhos e uma esposa, vive da arte. Acredito que temos que dar uma força pra ele. Ele tem que ter um bom coração. Seria melhor ele disputar um centavo com o Rato no semáforo a aconselhá-lo a roubar.

    5 - Não há pendintes onde moro.

  16. Esperanto disse:

    Leo, continue firme e forte, tenho certeza que dará certo!

    Primeiramente, analisarei as críticas.

    Muito interessante essa experiência do Bruno com o menino de rua que fez questão de pagar o lanche. Isso, em si, já é uma atitude de alguém com experiências, vivência, caráter. Assim, como afirmar que Rato é uma coisa? Soa como muita hipocrisia e vai de encontro com o verdadeiro significado da estória, que é sensibilizar-nos com a situação de Rato, não mais julgar os pedintes como seres coisificados, animais que só estragam a paisagem e sujam as ruas. Além disso, gostaria de deixar registrado o meu repúdio aos termos utilizados por Luiz Trevisan: “hippongas sujos vendedores de ‘artesanato’”. Sinceramente, prefiro conversar com hippongas sujos, mas que vivem a vida que escolheram (na maioria), do que com pessoas como você que transmite a hipocrizia e falta de respeito com o mundo que vive.

    Sobre os monólogos de Rato, eu, particularmente, concordo. Não é por falta de expressividade com as palavras que nosso herói é “oco”. Seu mundo são seus pensamentos, ou até mesmo a falta deles, as dúvidas, a falta de educação social, de senso coletivo, de ordem. Por isso, todos o vêem, ou não o vêem, como bem explanado no capítulo 3, como um animal sujo; ninguém sabe o que se passa na sua cabeça, muito menos ele! Então, acredito que o personagem realmente deve ser mais explorado no seu interior, não se preocupando primordialmente com a sua expressão oral.

    Muito, mais muito interessante a dualidade referida por Bispo. Isso está na vida de todos nós, e espero que o autor saiba explorar bem. Aliás, aconselho a leitura de Machado de Assis, é a pitada que falta pra que realmente seja criado algo bem interessante, mais do que está sendo. Essa é minha dica para ti, Leo!

    Concordo com algumas críticas feitas por Lucas Balduíno, talvez este terceiro capítulo não tenha tido, realmente, uma conectividade tão relevante quanto os outros dois. Sobre dualidade do enredo, questionada por alguns, eu pergunto: Se todos nós temos várias faces, vários “eus” que convivem dentro da cabeça de cada um, imagina na de Rato? Acredito que nele, necessariamente, deve haver contradições, fruto da falta de senso comum. É nesse ponto que entra o bem e o mal, os dois lados da moeda; nosso herói deve, também, representar o anti-herói. Claro que isso deve ser melhor trabalhado pelo autor.

    É importantíssimo dar um passado humano ao nosso herói. Todos temos nossa estória e, de alguma forma, deve ser algo que não distancie tanto da nossa realidade, como o que já deixei registrado no capítulo anterior: “Foi mais uma vítima das leis que se contradizem. Sua mãe, quando uma jovem adolescente, foi estuprada e passa a esconder, de todos, o crime que sofreu, mas a sua barriga não mente! Seu pai a expulsa de casa, sendo vítima do machismo patriarca. Tenta abortar o filho, mas já era tarde! Como conseqüência, Rato nasce com problemas de parto, isso justifica, também, sua forma física”. Rato nasceu com a cara do estuprador. Sua mãe, constantemente, tinha medo dele, chegou ao ponto de não agüentar mais sua presença! A cada dia, a criança crescia, e os traços com o pai se intessificavam, ao ponto de deixá-lo abandonado nas ruas, sendo, depois recolhido para um orfanato. Rato nunca havia tido amor de mãe, talvez nem saiba que isso existe.

    Talvez, até, algo mais próximo de nós, que realmente sensibilize ao ponto de pôr-nos no lugar de Rato. Como ele, existe milhares pelo Brasil.

    A dualidade de Bino e Júlio deve ser focalizada. Ele deve ser tentado de ambos os lados, eu diria até que deveria envolver-se com os dois ao mesmo tempo, ter uma vida dupla, que é sua existência em si. Pelo dia faz uma coisa, pela noite faz outra, nosso herói não possui uma personalidade única.

    “…pensava enquanto via aquelas pessoas se amontoando; uma grande massa a caminho de algo que Rato não compreendia.”

    “Qual caminho traçar?”- Esse título serve para o autor também. Sinceramente, não acredito que a estória já esteja pronta, como se já possuísse um corpo formado, como citado por alguns. Até pelas mudanças e aceitação das nossas idéias nesses últimos dois capítulos. Da minha parte, pode contar com sugestões até o final do enredo.

    “…sentou-se na escada da igreja e saboreou a comida até o último gole. Voltou para o começa da fila e com um tom autoritário disse que queria mais.” Leo, dá uma repassada no “começa”!

    Rato nunca conseguiu expor o que sentia, sua falta de contato humano o fazia parecer um verdadeiro animal, bicho solitário que vive a vagar pelas cidades, uma praga que deve ser combatida.

    Acorda no meio da noite com falta de ar! Talvez estivesse com resfriado, febre, não sabia diferenciar. Apesar da noite fria e com muito vento, lá estava ele, sentado naquele papelão húmido, pensando “O que eu sou?”. A falta de respostas fez Rato se emocionar, até seu nome verdadeiro, Ricardo, ele nem lembrava mais. Para ele era só Rato, bem sugestivo diante da sua condição de “praga social”. Rato chorava, pensava sobre o que tinha acontecido com sua vida. – “Por que sou diferente? O que fiz de errado?” Em meio a lágrimas no rosto, começava a pensar sobre o passado. Tinha quinze anos, será que sobreviveria por mais quinze? Nesse momento, Rato compreende um pouco da vacuidade da vida, mesmo sem pensar sobre isso em si, mas só de saber que poderia não viver mais quinze anos o fez refletir se realmente gostaria de ir preso, talvez passar o resto da sua curta vida na prisão não seria uma boa idéia. As condições não eram das mais favoráveis.

    Para piorar, o céu dá seu recado! Começa a chover torrencialmente. Rato, ao invés de procurar um lugar melhor para se proteger, não move nenhum músculo. Recebe a chuva como uma resposta pra todas aquelas perguntas: estava só! Se Deus existisse, não estaria nessa situação. A chuva piora ainda mais. Suas lágrimas já não podem ser notadas, mesmo assim continuava a chorar. Sente o peso nas costas por tantas noites mal dormidas. Enxerga sua mão. Aquilo raquítico, torto, que mais parecia a de um macaco! – “Sou um animal!!!” Dessa vez Rato não só pensava, mas gritava, competindo com o enorme barulho da chuva. Será que era mesmo um animal? Talvez se enquadrasse como um. Vive rastejando como um cão sarnento e tem mãos de macaco. Estava perdido, mas sabia que aquele dia seria diferente. Tinha posto pra fora, com muita energia, algo que estava guardado dentro do seu “eu” interior.

    Rato não conseguiu dormir desde então. –“Quem sou eu?” Tinha vontade de sentir algo diferente. –“Como seria voar?” Se ele era um animal, por que não nasceu um pássaro? Assim poderia voar. Rato não podia, seu destino era rastejar. -“Deus não existe, senão eu seria pássaro!”

    Vagando pela noite, sua pele era confundida com a penumbra. –“Sou uma sombra! Talvez por isso ninguém possa me ver”, pensava. Nenhuma daquelas perguntas o levava a uma resposta, mas precisava rapidamente de uma saída! “Talvez possa me chegar no Binho, ele tem muito pra ensinar”, depois, pensava que talvez não seria melhor se aproximar de Júlio, sempre foi fascinado pelos seus malabarismos, apesar de vê-lo como uma concorrência na sobrevivência do sinal. –“Ele sempre fica com a maior parte da grana!” Apesar disso, pensava em aprender um pouco sobre o malabares, até para descolar uma graninha maior. Já tinha, então, definido um rumo a tomar. Já que não tinha conseguido ser preso até agora, iria se envolver com Binho e Júlio, depois decidiria o que fazer.

    O céu já começa a clarear. Rato sentia-se muito fragilizado, estava realmente com febre, talvez até tenha delirado toda noite, não havia sido uma noite qualquer. Mesmo cansado, lá estava ele, subindo o morro atrás de Binho. Estava disposto a fazer algo, e iria começar se envolvendo com o pessoal da favela.

  17. Esperanto disse:

    Observando o que foi dito por madeinchina: uma poça formada pela chuva, poderia ser o espelho com que Rato se perguntava: Quem sou eu? Já havia percebido as suas mãos de macaco, agora poderia ver, literalmente, as suas feições; como era feio! .. dando continuidade ao enredo.

    Foi muito boa a idéia do autor de entrar nessa crítica social da hiportrofia, que ninguém quer tomar conta das crianças que nasce, mas faltou o pensamento de Rato nesse instante, como bem frizado por medeinchina. Aliás, são criticas assim que irão fazer desse livro algo bem interessante.

    São nesses aspectos, Leo, que os pensamentos de Rato deveriam fluir!

    Todos os bons livros tem partes chatas, passagens menos intensas que outras. É natural, e se não fosse assim, não seria um bom livro. Deve haver partes não tão intensas, sim! Na verdade, a intensidade, em si, só existe pela expectativa criada pela parte não intensa.

  18. Tony disse:
    flycarrot.wordpress.com.br

    1- Prefiro algo como “O sub consciente e o inconsciente” para que possa chamar mais a atenção do leitor.

    2 - Acho que deve acontecer uma briga interna na polícia para que depois acontece o fim da greve.

    3 - Seria melhor se ele achasse algo dos pais dando uma dica de onde eles poderiam estar.

    4 - Uma relação de amizade tendo por trás um puro interesse. Poderia, depois de aumentar a amizade interesseira.

    5 - Vejo uns 5. Rio de Janeiro.

  19. madeinchina disse:

    Estava pensando e vi uma cena interessante na minha mente. Acredito que ela poderia ser encaixada no livro, e seria complementar a uma idéia que sugeri no primeiro protesto.

    Em relação ao nosso Rato ter a sensação que é invisível…. Bem que poderíamos fazê-lo ver uma celebridade (nacional ou não, ou até mesmo alguém que não existe) sendo assediada na rua, com gritos, flashes. Ele poderia ter esse contato. Veria que todos vêem a celebridade, mas ninguém o vê. Seria ele realmente diferente? Seria ele menos? Poderíamos criticar o culto a celebridade como sendo uma das coisas mais bizarras na sociedade. Ele poderia ter pensamentos confusos: “todos a/o vêem, mas mim, nem os próprios ratos me consideram da família, já que disputamos a mesma comida.”

  20. Tony disse:
    flycarrot.wordpress.com

    Olá, fiz uma matéria no meu blog sobre o livro:

    http://flycarrot.wordpress.com/2008/10/01/o-comedor-de-lixo/

    Espero que esteja de acordo.

  21. João Luiz disse:

    Estudo na UFAL também. Apenas gostaria de parabenizar pelo trabalho e dizer que a história está bastante interessante. Aproveitando a oportunidade, quero saber se há projetos de publicação deste livro ou se o projeto se resume à internet.
    Abraço

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