Problemas com a imigração

9 jan 2013 | por em colunas, Mundo Hiperativo às 11:37
 Problemas com a imigração

Um idoso canadense chamado Harvey seguiu até uma das cabines de imigração do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Sendo ele uma pessoa meio atrapalhada, não tinha separado o passaporte para mostrar às autoridades e perdeu algum tempo procurando o documento na mochila. O jovem oficial francês não gostou nada:

- Você já esteve na França amigo?

Harvey sorriu e respondeu positivamente.

- Nesse caso o senhor deveria saber que o passaporte precisa estar pronto para inspeção mesmo antes de chegar à cabine.

Apesar do mau humor do oficial, Harvey permanecia se comportando de maneira gentil. Explicou que em sua última visita à França ninguém lhe pediu para apresentar qualquer documento. O francês rosnou:

- Isso é impossível velhote. Para entrar na França vocês canadenses devem sempre apresentar o passaporte.

Harvey olhou o oficial de cima a baixo, agora já sem muita gentileza. Respondeu com segurança:

- Olha garoto, eu te garanto que quando desembarquei na costa da Normandia no Dia D não tinha nenhum maldito francês na praia pedindo passaportes!

O oficial carimbou o passaporte e não disse mais nada. É claro que Harvey contava com o privilégio de ser um veterano da II Guerra Mundial, mas e quanto a todos nós? Corremos o risco de ter nossos planos de viagem frustrados por causa do mau humor de alguma autoridade da imigração? A resposta é sim, mas não há motivos para alarme. Basta ficar atento a alguns princípios básicos.

O primeiro passo óbvio é se informar sobre as formalidades de entrada no país a ser visitado. Algumas nações pedem visto para brasileiros, outras não. Descubra quem é quem entrando em contato com embaixadas e consultando outros viajantes. Requerendo ou não o visto, TODOS os países exigem a apresentação de determinados documentos (além do passaporte) quando da entrada do estrangeiro em seu território. Pode ser um comprovante de hospedagem, passagem de volta, saldo financeiro para provar que tem dinheiro, certificado de vacinas, seguro-saúde, entre outros. Levante também essa lista de documentos.

Já munido de todos os requisitos, pense nas armadilhas. Uma das mais comuns é a do Certificado Internacional de Vacinação. Digamos que para um brasileiro entrar no país A ele não precise do certificado. Pois bem, mas se esse brasileiro estiver vindo de um país B e o país A exigir certificado de quem vem do país B, pronto, temos um problema.

Outro pega safado é aquele que envolve tratados internacionais. Observem o caso da Europa. Lá há um acordo feito entre alguns países, o tal Tratado Schengen. Ele prevê a livre circulação de pessoas entre os países integrantes do acordo. Isso significa que – uma vez tendo feito a imigração num dos países participantes – o viajante pode circular entre os territórios sem precisar fazer a imigração novamente.

O danado é que cada país cobra tipos diferentes de documentos para garantir a entrada. Deste modo, pode ser que na França exijam um documento X, mas na Holanda não. Até aí tudo bem, mas os desavisados se quebram no seguinte: escala. Se o seu destino final é Paris, mas o avião para em Amsterdã, o processo de imigração será feito nos Países Baixos. Naturalmente eles irão exigir sua própria lista de documentos e provavelmente o viajante estará com a lista de documentos exigidos na França, seu destino final. Adianta reclamar? É claro que não.

Atento às armadilhas e com documentação completa, o viajante segue para a entrevista com o oficial de imigração. Vale lembrar que obviamente ter o visto e os documentos exigidos vai ajudar muito, mas note que fica à critério do oficial de imigração julgar se você pode entrar ou não. Afinal, um indivíduo mal intencionado tem completas condições de apresentar os documentos necessários, não é verdade? Por isso a importância da entrevista e do trabalho do oficial. Esse é – portanto – o momento da verdade.

Durante a conversa com a autoridade seja objetivo, mostre o passaporte e só. Deixe todos os outros documentos na mochila de maneira que possam ser acessados com facilidade, mas só os apresente se for requisitado.  O mesmo vale para as perguntas, responda somente o que for perguntado. Tente decorar o nome do hotel e quantos dias você vai ficar no país, incluindo a data da volta. Não faça piadas e seja gentil. Se tiver problemas com o idioma, tente decorar pelo menos algo como “não sei falar sua língua, me desculpe”. Para os que sabem inglês tudo se torna bem mais fácil, pois é provável que o oficial use esse idioma.

Nunca minta e controle a empolgação. Existem alguns viajantes tão empolgados com a incursão que tornam-se um tanto divertidos demais, até chatos. Nessa ânsia de compartilhar a felicidade, sai uma piadinha aqui, outra ali, especialmente em viagens de grupo. Não fique conversando fiado, preste atenção aos procedimentos. Ficar distraído demonstra certa displicência. O melhor é agir normalmente, sem qualquer afetação.

Pode parecer que o processo de imigração é um vestibular dos mais difíceis, mas não é. Em geral os caras só carimbam seu passaporte e pronto. Na atual conjuntura os viajantes brasileiros e seu dinheiro de país em desenvolvimento são super bem-vindos, acreditem.

Boa sorte e boa viagem!

Pedro Schmaus

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