72 horas em Paris

29 dez 2012 | por em colunas, Mundo Hiperativo às 13:43
 72 horas em Paris

Cheguei de trem na estação Gare du Nord. Era domingo à noite e Paris se apresentou à mim livre de qualquer estereótipo: o metrô lotado de senegaleses, marroquinos, argelinos, nigerianos e até – pasmem – franceses. É comum que o turista médio se surpreenda com todas essas etnias da capital da França. Alguns chegam até a se decepcionar, pois o velho e ridículo paradigma da Europa branca de olhos azuis é esmagado imediatamente pela realidade. O fato é que Paris é melhor que qualquer clichê: uma babel extraordinária, lar de pessoas das mais diferentes partes do mundo. Nem tão limpa assim, nem tão organizada assim, porém definitivamente o berço da cultura que moldou o Ocidente moderno.

E lá estava eu – na Cidade Luz – diante de todas essas possibilidades.

Uma vez que cheguei de trem já parei no centro de Paris, mas para quem chega de avião não há problemas de transporte. Os que aterrissam no Orly contam com o famoso OrlyBus, ele passa em frente ao terminal internacional. No Aeroporto Charles de Gaulle há o RoissyBus e ambos levam os passageiros até uma parte mais central da cidade, tudo por preços que mal ultrapassam os 10 euros.

Ainda na Gare du Nord comprei as passagens de metrô. Existem vários tipos de tíquetes, desde bilhetes para uma única viagem, bilhetes para dez, vinte, trinta viagens. Há também os tíquetes por períodos. Se eu compro o bilhete de um dia – por exemplo – posso usá-lo durante 24 horas direto, sem limite no número de viagens. O outro critério para escolha do bilhete é a zona que aquele tíquete irá cobrir. Segundo o atendente, a Zona 1-3 seria suficiente para visitar boa parte das principais atrações. Como já passava das nove da noite, comprei um bilhete único (1,70 euros) só para chegar ao hotel e um bilhete de dois dias Zona 1-3 (15,85 euros) para começar a usar no outro dia pela manhã, pois ele passa a contar o tempo a partir do primeiro uso.

Baldeações de lá e de cá, segui para o Etap Hotel Paris LaVillette (estação Laumiere, linha laranja). É um hotel de rede, básico, limpo, confortável e próximo ao metrô. A diária custa em média 60 euros, mas três pessoas podem ficar no quarto e desse jeito fica mais barato ainda.

Quem já leu meus outros textos deve estranhar o fato de eu ter escolhido um hotel para me hospedar. Sou sim defensor dos albergues por causa da possibilidade de interação com outros viajantes, privilégio que a estada num hotel pode dificultar. No entanto, apesar das inúmeras vantagens dos albergues, em viagens longas o compartilhamento do espaço pode se tornar um martírio. As pessoas precisam de privacidade, fato. Por isso quando viajo solo para várias cidades prefiro revezar as estadas entre albergues e hotéis.

E lá estava eu em Paris, banho tomado, mala desfeita. E agora? Nada de atrações turísticas. Já eram quase dez da noite e eu estava quebrado. Vaguei pelo bairro do hotel e fiquei vendo as pessoas passarem, sentado num banco. Depois achei um canal e fui seguindo até encontrar um restaurante, 12 euros o menu (entrada, prato principal e sobremesa). O lugar estava bem vazio e fiquei de conversa com as duas moças donas do lugar. No dia seguinte começaria minha incursão.

Dormi bem, mas acordei com sede. No saguão do Etap umas máquinas vendem água mineral Evian, custa 1 euro por meio litro. Logo ao lado do hotel encontrei um mercado e lá a água de dois litros custava 0,60 euros. Por isso fica a dica: compre uma água grande no mercado e ponha numa garrafa menor para passar o dia. De café-da-manhã recorri ao mesmo mercado e comprei uma baguete gigante com queijo e salame. Custou 2 euros.

O clima estava frio, mas o dia claro. Entrei na estação Laumiere e estudei com calma o mapa do metrô. Vi as baldeações necessárias até chegar no Museu do Louvre, meu ponto de partida. Explorar Paris usando o transporte público é muito barato, mas é necessário prestar atenção para descer na estação certa. O que fiz antes de viajar foi associar estações às atrações que eu gostaria de visitar. Usei o Google Maps para fazer isso e criei uma lista atração/estação. Deste modo eu ganhava tempo entre os deslocamentos.

Meu plano tosco e ambicioso para o primeiro dia era começar pelo Louvre, andar de lá até o Arco do Triunfo, depois até a Trocadéro e terminar na Torre Eiffel (veja o mapa do percurso). Seriam cerca de seis quilômetros de caminhada sem pressa. Desci na estação Palais Royal e fui seguindo as placas até chegar na entrada do museu. Comprei meu tíquete numa das lojas que ficam por lá (10 euros).

E por falar em tíquetes de entrada há em Paris – como na maioria das grandes cidades turísticas – um cartão para viajantes. Ele é de preço único, dá acesso a diversas atrações (às vezes sem pegar fila) e também ao transporte público (Paris Pass). Comprar esse cartão vai valer à pena ou não, isso vai depender do que você quer visitar. Fiz os cálculos e para mim não valeu em Paris. Por isso aconselho a pesquisar bem o que o cartão oferece e o que você deseja fazer. Não ignore isso, pois pode acontecer de pagar caro no benefício e simplesmente não usá-lo.

O Louvre não apresentava filas enormes naquele dia. Primeiro porque era início do inverno, uma época evitada pelos turistas. Depois era também a primeira segunda-feira após o primeiro domingo do mês. Mas o que diabos isso tem a ver? Acontece que a entrada no Louvre é grátis todo primeiro domingo do mês. Isso faz com que todo mundo caia para lá querendo economizar, por isso a lotação é grande nesse dia. Tendo ido um dia após a promoção, eu tive que pagar, mas em compensação o lugar não estava muito apinhado de gente.

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Turistas se aglomeram para ver a Gioconda

E quando eu digo muito é porque o lugar está sempre cheio mesmo sendo o Louvre um museu gigantesco. Não ache que vai ver tudo, porque para isso você precisaria ficar um mês em Paris. O melhor é fazer uma lista das obras que mais lhe interessam e usar o mapa do museu para achá-las. Quem prefere vagar acaba perdendo tempo e a visita fica chata, pois são muitas obras, muitas mesmo. A Mona Lisa é o quadro mais concorrido, é preciso paciência para conseguir chegar perto. É a única pintura que tem alguma proteção, as demais permanecem penduradas nas paredes como se estivesse na sala da sua casa. A parte de antiguidades também é sensacional, em especial as egípcias e gregas.

Duas horas de Louvre depois segui na direção oeste e me deparei com o Arco do Triunfo do Carrossel. Em mais alguns metros entrei no Jardim das Tulherias.

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Arco do Triunfo do Carrossel

O cenário é bonito demais, uma fonte com bancos em volta. Passei um tempo ali curtindo o momento. Mais à frente a Grande Roue de Paris, a tal roda gigante que fica na Place de La Concorde. Tem também um carrossel para crianças e um local para comer crepe e cachorro-quente. Como já era quase uma da tarde e os preços nem eram tão altos, resolvi pagar 5 euros num hot dog gigante já com refri, almoço dos campeões. Fui então experimentar a roda gigante (9 euros, duas voltas), a vista é linda. De lá tive meu primeiro vislumbre da Torre Eiffel. Antes de prosseguir ainda tirei algumas fotos do Obelisco de Luxor, fica bem ao lado da roda gigante. Entrei na Avenida Champs-Elysées já vendo ao longe o Arco do Triunfo. Só usei a avenida como caminho mesmo, não curto comprar roupas.

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A roda gigante

As pernas ainda permaneciam firmes quando me aproximei do arco. A entrada é subterrânea e o preço para subir é 8 euros (escadaria looonga!). A vista não decepciona e lá de cima Paris parece um brinquedo convidativo. Para minha sorte, assim que deixei o arco, notei que um evento estava sendo organizado por lá. Era um encontro de veteranos da II Guerra Mundial. Conversei com alguns deles, tirei fotos e me senti honrado de estar ali com eles naquele momento.

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Arco do Triunfo

Peguei a Avenida Kleber e segui reto até achar o Trocadéro. Parece uma praça com uns prédios em volta. E de lá se vê a Torre Eiffel, maciça e pontuda na retidão da superfície de Paris. Alguns franceses a chamam de La Dame de Fer e não há uma maneira melhor de chamar esse monumento repleto de solidez e graça.

A vista a partir do Trocadéro é realmente especial. Mesmo tiranos como Hitler se renderam a ela. Quando o Fuhrer conquistou Paris tirou uma foto desse ponto. De lá até a torre há uma descida e no caminho alguns bancos. Eu sentei ali por um tempo antes de continuar, as pernas já começando a reclamar do cansaço.

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La Dame de Fer

Para subir na torre há três opções: de escada até o segundo andar (5 euros), de elevador até o segundo andar (8,50 euros) e até o topo mesmo (14 euros). Prepare-se para filas e mais filas. A Torre Eiffel é um dos monumentos mais visitados do mundo, então pratique sua paciência.

Depois de lá decidi voltar para o hotel e fazer um merecido pit stop. Já eram cinco da tarde e o dia tinha rendido muito. Comi uma barra de cereais que comprei no mercado próximo e descansei até umas oito da noite.

Acordei com o estômago nas costas e segui a avenida do hotel pegando o lado direito. Quando a rua findou eu vi bem na esquina um brasserie chamado Le Conservatoire. Olhei o cardápio no lado de fora e os preços pareciam decentes, sempre próximos dos 10 euros. Escolhi um macarrão com carne cozida, não consigo lembrar o nome em francês. O molho da carne era divino e – juro – sonho com esse rango até hoje. Tomei umas duas cervejas e a conta fechou em 16 euros. O gerente ainda conversou comigo um bom tempo e elogiou o Brasil um monte. Disse que agora estamos ficando ricos! E depois dessa terminou o dia.

Na manhã seguinte eu tinha quatro missões importantes, três delas faria à pé (mapa do percurso). Sim, eu gosto de ir andando porque assim é melhor de conhecer a cidade. Porém, antes eu precisava comer. Encontrei um bistrô perto do hotel e pedi um croissant e um copo de chocolate quente. A textura do croissant é muito boa. É o pão com manteiga dos franceses, eu diria. Paguei 4 euros pelo desjejum e segui para o célebre Museu d’Orsay.

Ao contrário do Louvre, o Orsay tem um acervo com pinturas de artistas mais modernos como Monet, Manet, Renoir, Degas, Gauguin, Van Gogh e outros. Custa 9 euros para entrar e tem fila, é claro. Além das obras, o prédio do museu também rende boas fotos, pois é muito bonito (era uma estação de trem).

Eu vim curioso para ver algo do Paul Gauguin, o camarada que foi para o Taiti pintar e viver na boa. Gosto do uso das cores dele e a obra Mulheres do Taiti na Praia é fantástica. No entanto, fiquei impressionado (olha só que trocadilho cretino!) mesmo com a competência do Claude Monet. A seqüência de quadros que retratam a luz sobre a Catedral de Rouen durante o passar do dia é uma lição artística em si. Porém a obra chamada A Pêga coloca Monet entre a seleta lista de gênios. Como podem existir tantos tons de branco?

O Dorsay ainda é repleto de fotos e esculturas. É um museu bem menor que o Louvre, mas nele também é preciso foco para não ficar cansado. A quantidade de quadros é tanta que pode encher o saco, portanto se concentre no que você quer ver.

À pé mesmo segui para o Museu Rodin (7 euros a entrada). Eu não era muito fã de esculturas até visitar esse lugar. As estátuas ficam em um jardim muito amplo e bonito. Há também um local fechado para as esculturas menores. Duas coisas me impressionaram na visita, na verdade duas descobertas.

Muita gente sabe que Auguste Rodin é o autor da célebre escultura O Pensador. O que pouca gente sabe é que originalmente essa estátua faz parte de uma escultura maior chamada Porta do Inferno. Existem várias cópias autorizadas de O Pensador em diversos lugares do mundo, incluindo no Pernambuco (Recife).

No entanto o lance que realmente achei legal foi uma explicação que peguei sem querer na parte interna do museu. Tinha um grupo em volta dessa estátua, acredito que fossem alunos de arte dos EUA. Cheguei perto e pude escutar a explicação da professora sobre aquela obra específica de Rodin:

“Olhem essa pessoa, ela está em agonia. É como se em sua alma existisse algo incontrolável e proibido. Seu corpo masculino e seu pênis descoberto estão em contraste com uma expressão corporal claramente feminina. É alguém que carrega um segredo e se desespera porque precisa contê-lo de qualquer maneira”.

Não sei se a explicação da professora procede.

No entanto, depois fui pesquisar e a história da obra em si é interessante. Rodin a chamou inicialmente de “O Conquistado” ou “O Vencido”. O nome e a obra seriam uma homenagem de Rodin aos soldados que perderam a vida na guerra franco-prussiana. Seu extremo realismo fez com que os críticos acusassem Rodin de usar um modelo vivo para criá-la – algo muito mal visto pelos artistas da época. O “molde” teria sido um jovem belga chamado Auguste Neyt, amigo do escultor.

Rodin negou esse fato e para provar que era só fofoca mandou tirar uma foto do Neyt na mesma posição da estátua, uma jogada para provar que as duas coisas eram bem diferentes. Ninguém quis ver as fotos. Rodin já estava condenado por críticos que não compreendiam a inovação que ele estava propondo. Não sei se a versão da professora está certa. Não há provas de que Neyt foi amante de Rodin ou mesmo pistas sobre uma suposta homo ou bissexualidade do artista. Porém, é inevitável notar que a atitude de Neyt em tirar uma foto nu para defender o amigo é no mínimo um ato de extrema lealdade. E no máximo outra coisa mais complexa.

Finalmente – e fecho aqui o angustiante exercício da especulação – Rodin não poderia intitular a obra de “A Angústia de um Homossexual no Século XIX”. Para ser aceito era mais simples dizer que foi algo feito para homenagear soldados, mas de qualquer maneira a manobra não funcionou. Depois das críticas/escândalo a escultura foi rebatizada e passou a se chamar “A Idade do Bronze”. Um nome ambíguo para uma obra de arte ambígua.

Ainda caminhando segui para uma missão de ordem Divina, encomendada por minha mãe. Por algum motivo ela é devota de Nossa Senhora das Graças, também conhecida como Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Essa é uma aparição mariana ocorrida em Paris em meados do século XIX. Uma noviça chamada Catarina Labouré teria visto a mãe de Jesus e recebido algumas orientações, entre elas a de conceber uma medalha segundo a qual “as pessoas que a usarem, com confiança, receberão muitas graças”.

Fui até lá com a meta de comprar algumas medalhinhas que minha mãe desejava dar de presente às amigas devotas. Passava do meio dia e a freira na porta disse que só abriria às duas horas. Resolvi enrolar por ali mesmo e encontrei um restaurante próximo, preço decente. Paguei uns 12 euros por um bom sanduíche com fritas e refri. O legal é que na mesa eles colocaram uma garrafa de vinho cheia de água gelada, tipo naqueles restaurantes que a gente come PF em rodoviária, só que no caso do Brasil o comum é colocarem uma garrafa PET.

Pontualmente às duas tive acesso ao santuário. A freira me acompanhou todo o tempo. Comprei as medalhinhas (0,80 euros a mais simples) e a irmã me levou na capela para benzer na água benta. Notem, eu não pedi nada disso, ela simplesmente me puxava para todo lado. Nisso vi o corpo totalmente preservado da Santa Catarina Labouré num caixão de vidro. É preservado mesmo, coisa fina. Milagre? Alguma técnica de conservação secreta? Vai saber. O fato é que o negócio de medalhinhas sempre prosperou entre os católicos.

Missão cumprida, segui até encontrar o rio Sena e entrei na Ile de La Cité pela ponte Saint-Michel. Ia em busca da Notre Dame. Para entrar na nave não paga, só se você quiser subir nas torres (8,50 euros) ou entrar na cripta (8,50 euros). É engraçado como a Dame é na verdade uma metáfora do que a França significou para a civilização ocidental. O terreno onde ela está hoje acolheu no passado um templo celta, um templo romano e finalmente uma igreja cristã em estilo românico, mais pesado e funcional.

No entanto, no século XI a Europa começa a reagir às sombras da Idade Média, promovendo um comércio mais amplo e movimentando as cidades antes esquecidas. O foco dessa reação está no que hoje é a França. A Igreja Católica aumenta seu poder e a mudança econômica também promove uma mudança no conteúdo artístico. Surge então o Estilo Gótico, também conhecido como estilo francês uma vez que foi criado ali. Uma das primeiras catedrais a adotar esse estilo é a Notre Dame.

Ampla e ornamentada, com uma nave enorme e repleta de vitrais, a igreja impressionava todos os fiéis, em especial os camponeses pobres que não sabiam ser possível que algo daquela magnitude pudesse ser construído. Entrar na Notre Dame para eles era como entrar num local realmente divino. Construir com essa opulência era uma maneira eficaz de reforçar a influência da Igreja.

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Notre Dame

Para minha sorte – enquanto eu vagava dentro da nave – um coral se apresentava. Não fui às torres ou à cripta, só fiquei por ali um tempo e comprei uma medalha numa máquina automática (outro presente para outra devota). E não, eu não sou religioso, só conheço muitas senhoras!

Peguei o metrô na estação Cité e desci na Anvers (linha azul) pronto para visitar uma outra igreja, a Sacre Coeur. Essa construção sempre despertou minha curiosidade por causa do estilo diferente, meio bizantino. De fato a Coeur não é um templo antigo (século XIX), mas sua beleza é singular, em especial pela fachada em mármore branco. Ela fica em cima de um morro e há um funicular para chegar até lá, caso você não deseje encarar a escadaria. O melhor é que meu passe de dois dias do metrô valia para o funicular, então nem precisei gastar nada.

As imediações da Sacre Coeur têm as melhores lojas de souvenirs de Paris. E quando eu falo melhor eu me refiro aos preços. Um presente popular da cidade é um chaveiro da Torre Eiffel feito de latão. Nas proximidades da torre ele chega a custar 1 euro, mas perto da Sacre Coeur você leva cinco torres pelo mesmo preço. Imãs, camisetas, luvas, pratos, tudo o que você imaginar.

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Igreja Sacre Coeur

Meu segundo dia foi sem dúvida o mais corrido e desgastante, mas não me impediu de sair a noite. Voltei para o hotel e depois do merecido descanso perambulei pela Avenida Jaurés em busca de um bom local para comer. Encontrei a Pizza Au Feu de Bois, o dono veio me receber na porta e foi muito simpático. Ele era italiano, mas falava um português muito claro. Dentro do restaurante só tinha um grupo de uma mesma família. O proprietário me apresentou a eles e fiquei conversando fiado. A pizza era excelente, só que fiz uma merda: coloquei azeite sobre ela. Até aí tudo bem, não fosse o azeite ter pimenta do reino junto…

Fechei a minha conta mais cara da viagem (25 euros), mas experimentei três vinhos diferentes, rachados com o pessoal. Eles – aliás – me prometeram visitar o Brasil no carnaval e eu fingi que eles iam mesmo.

Acordei no início da tarde do meu último dia em Paris e meu café-da-manhã foi uma coca choca (os europeus não servem refri gelado). O plano era visitar o Palácio de Versalhes e basicamente isso. Os dois dias anteriores tinham sido na correria e eu tirei o pé do acelerador, dormi até tarde mesmo.

Antes de partir fiz uma lista mental do que faltava conhecer, mas refutei quase tudo. O Pompidou não me animava, o Museu Picasso também não. Eu tinha visto Les Invalides por fora numa das caminhadas e isso bastava. Um colega tinha sugerido a Euro Disney ou o Moulin Rouge, mas eu mandei ele se foder, com todo o respeito possível. Meu único talvez seria uma passada no Panteão, no entanto não se concretizou porque saí muito tarde para visitar Versalhes.

Chegar no palácio onde viveram os reis mais egocêntricos do planeta é simples. Pegue a linha amarela do metrô e pare na última estação, Versailles-Rive Gauche. De lá siga as placas ou a multidão até chegar ao château. Nesse ponto da viagem meu tíquete de dois dias do metrô tinha acabado, então morri em duas passagens (3,20 euros).

Mesmo com a friaca a fila da entrada fazia volta. Me informei que existiam várias opções de entrada, dependendo do que o viajante quisesse ver: o palácio de Versalhes em si, os jardins, os palácios Trianon (pequeno e grande), etc. Por curiosidade, antes de sair do Brasil, eu tinha visto no Google Maps o tamanho do complexo e me assustei (veja aqui). Então decidi visitar somente o Palácio e os jardins, sendo assim não comprei o passaporte (25 euros) e optei pelo single do palácio mesmo (18 euros, mais barato porque era fim do outono).

O visitante vai passando por locais imensos. Tudo é intensamente ornado, o teto, as paredes e as camas dos grandes monarcas franceses. Há uns áudio-guias caso seja do seu interesse ter mais detalhes.

Os caras eram ricos, não tenha dúvidas. Acontece que ver tanto luxo por tanto tempo deixa o olhar saturado. Depois de três horas de visita eu confesso que saí correndo de lá. Porém, notem: não estou dizendo que me arrependi da visita, só sugiro que não percam um dia inteiro em Versalhes porque não vale a pena.

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Um teto qualquer no Palácio de Versalhes

Voltei enfim ao hotel para ajeitar a mala antes de sair a noite. Lá pelas nove peguei a esquerda na avenida do Etap e no lado oposto da rua encontrei um brasserie chamado L’alliance. A atendente sugeriu uma omelete. Apesar de nunca na vida ter pensado em jantar um prato desses aceitei a proposta e não me arrependi. A omelete era demais e só custou 6 euros.

Deixei o restaurante e segui a dica da atendente. Ela me disse que do outro lado da rua ia ter um showzinho de rock que começaria as onze, isso num bar chamado L’Abracadabar. Fique por lá bebendo e conversando com quem aparecia. A maioria das pessoas era de família de imigrantes, em especial gente da Tunísia e Argélia.

Quem viaja solo faz isso por diversos motivos. Alguns querem ficar sozinhos mesmo, outros preferem conhecer pessoas novas (meu caso). É difícil se enturmar rápido e muitas vezes o viajante não tem tempo de sobra para isso. O melhor para quebrar o gelo é ser direto e simpático. Ajuda também falar bem inglês ou o idioma do lugar. Ser brasileiro é uma vantagem natural que temos, pois nosso país desperta curiosidade na maioria dos estrangeiros.

A bandinha tocava pesado e uns punks dançavam igual doidos no centro do bar. Eu bebi sei lá quantas e conheci um pessoal maneiro. Às três cheguei de volta ao hotel e – após poucas horas de sono – peguei um trem para Londres na Gare du Nord.

Foram três dias completos em Paris e o que dizer? É preciso voltar e explorar mais. De qualquer forma, acredito que por ter sido minha primeira vez pude ter uma boa amostra da capital da França.

Até a próxima!

Pedro Schmaus

Resumo de gastos

Bilhete único metrô: 1,70 euros
Bilhete 2 dias: 15,85 euros
Hotel Etap: 60 euros por dia
Jantar com bebida: 15 euros
Água 2 litros: 0,60 euros
Baguete: 2 euros
Hot dog com refri: 5 euros
Entrada no Louvre: 10 euros
Passeio na roda gigante: 9 euros
Subida no Arco do Triunfo: 8 euros
Subida na Torre: 8,50 euros
Jantar no Le Conservatoire: 16 euros
Café-da-manhã: 4 euros por um croissant e copo de chocolate quente
Museu d’Orsay: 9 euros a entrada
Museu Rodin: 7 euros a entrada
Almoço: 12 euros por um belo sanduíche com batatas e refri
Notre Dame: 8,50 euros para entrar na torre ou na cripta (eu não fui)
Souvenirs: 5 euros em 25 chaveiros da Torre Eiffel
Jantar: 25 euros comendo pizza e dividindo 3 garrafas de vinho
Dois bilhetes do metrô: 3,20 euros
Versalhes: 18 euros entrada para o palácio
Jantar: omelete por 6 euros

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