Conheça “Os Brasileiros” de André Toral | Sedentário & Hiperativo
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Conheça “Os Brasileiros” de André Toral

23 mai 2009 | por Junior em HQ às 17:41

sarjeta-dos-quadrinhos

Olá, adeptos do sedentarismo! Bem-vindos a mais uma Sarjeta dos Quadrinhos, na qual mostramos as entrelinhas do universo das HQs.

osbrasileiroscapaNesta coluna, batemos um papo com o historiador, antropólogo e quadrinhista André Toral que acaba de lançar o álbum Os Brasileiros, pela editora Conrad.

Também tem a já tradicional seção Onomatopéias, com as principais novidades da semana e o já consagrado jabá da revista MAD!

O Brasil de muitos brasileiros

Os Brasileiros (formato 21 x 27 cm, 88 páginas, R$ 38,00), já a venda, é o último trabalho publicado pelo quadrinhista André Toral e traz sete narrações fictícias interligadas apenas pela relação entre brancos e índios no território brasileiro das descobertas até o passado recente.

A maior parte da obra retrata os primeiros séculos depois do início da colonização pelos portugueses, quando grande parte do Brasil ainda não havia sido dominado e esta era uma terra sem lei.

Esta condição atraiu para cá, além dos colonos lusitanos, toda espécie de marginais e aventureiros que não eram bem-vindos no Velho Mundo. Os europeus viam os índios como meros animais, apenas semelhantes ao homem, por isso podiam usá-los como mão-de-obra e eliminá-los conforme suas necessidades, sem ter que enfrentar nenhum tipo de lei.

As ficções de Toral narram o choque cultural e social destas civilizações, mas sem mostrar os índios como vitímas gentis ou criaturas indefesas diante do homem branco, como foram retratadas em clássicos da historiografia brasileira.

Partindo da violência sem limites dos bandeirantes, e passando pela fúria predatória dos fazendeiros inescrupulosos até chegar às armadilhas contemporâneas da ganância e do alcoolismo, surgem relatos impressionates da luta de povos que resistiram e até hoje marcam presença como representantes das sociedades mais antigas e originais que fazem parte da população e da cultura brasileiras.

Aproveitamos o lançamento, para bater um papo exclusivo com o quadrinhista André Toral:

Sedentário – Quem é André Toral e como começou sua relação com as HQs?

André Toral - Sou paulistano, 51 anos, casado, duas filhas e professor de história da arte  numa faculdade particular aqui em São Paulo. Começei a gostar de quadrinhos acho que antes de aprender a ler. Minha primeira história, acho que aos 10 ou doze anos, foi sobre um submarino alemão na II Guerra mundial. Era horrível, ainda bem que se perdeu por aí. Engraçado é que me lembro direitinho de alguns quadrinhos (os bons, claro).

Sedentário – Quais são os quadrinhos que mais influenciaram seu trabalho?

Toral – O primeiro, que me ensinou que quadrinho é trabalho duro e responsabilidade ética foi George Remis, conhecido como Hergé (NdE: o criador do Tintin). Todo natal e aniversário minha mãe me dava um. Comprei outros. Tenho todos, claro, em francês, espanhol e português. Tenho um com dedicatória de Tarsila do Amaral. Depois de Hergé, outros autores como o argentino Alberto Breccia (Che), os italianos Attilio Micheluzzi e Hugo Pratt (Corto Maltese), entre outros. Sou promíscuo em termos de quadrinhos, gosto de tudo. Leio muito Carl Barks, o inventor do Patinhas e dos patos.

sesc1Sedentário – Você continua lendo histórias em quadrinhos?

Toral - Todo dia. Ler não é nada, o problema é a grana que gasto em livrarias e na internet.  Presentemente estou lendo Two fisted Tales do Harvey Kurtzman (NdE: Ele foi o primeiro editor da MAD americana), da EC Comics da década de 50, um clássico.

Sedentário – As diversas histórias de “Os Brasileiros” apresentam um duro retrato sobre a colonização brasileira e a relação dos colonos com os índios. Qual sua relação com o povo indígena e seu papel na história? Acha que eles foram as vítimas deste processo?

Toral - Sou antropologo de formação e trabalho com consultoria na área de antropologia aplicada há cerca de 30 anos. História da arte é um campo recente de pesquisa para mim. As histórias refletem parte do que eu aprendi, na bibliografia e nas pesquisas de campo, sobre os índios. Mas as histórias são antes de tudo produto da imaginação, ficção. Ser baseada em fatos e documentos reais não muda em nada isso. Quanto mais se estuda a história dos povos indigenas no Brasil, mais se comprova que eles não são vítimas e nem estão fadados a desaparecer. Ao contrário, são sujeitos de sua história e têm uma história de recuperação populacional, de terras e de sua identidade que mudou o curso de sua história a partir da década de 70. Estão aí para ficar. Minhas histórias refletem suas lutas, desde o século XVI até hoje, sua maneira de ver o mundo, longe de estereótipos de “coitadinhos”, “perdedores”, “bonzinhos” e “puros” ou “aculturados” e por aí vai.

Sedentário – De onde surgiu o nome “Os Brasileiros”?

Toral - É um problema que coloco para o leitor. Ver como a condição de “brasileiro” muda ao longo da história: ser brasileiro em 1500 é diferente de ser brasileiro hoje. São identidades plurais e em processo de transformação. Somos diferentes de nossos avós e nossos netos serão diferentes de nós. Somos todos, no entanto, brasileiros.

Sedentário – Por que parte do álbum “Os Brasileiros” está em preto-e-branco e a outra está colorida?

Toral - Algumas histórias foram originalmente pensadas para PB. Foram mantidas assim. Outras, mais recentes geralmente já vem em cores. A última história, “O Iãgre”, é PB porque tinha acabado de voltar da Argentina e estava muito influenciado pelos grafismos de Alberto Breccia.

Sedentário – Como foi o processo de criação de Os Brasileiros, pois parece que são histórias produzidas em períodos diferentes?

Toral - São histórias que cobrem a minha produção em quadrinhos abordando índios como tema. A primeira foi feita em 1991 e a última em 2008, quase 18 anos depois. Muito tempo.

Sedentário – Qual o contexto histórico que você retrata nestas sete histórias do álbum?

Toral - Abordo a história do contato entre índios e não-índios. Desde a descoberta até os nossos dias. As histórias se desenvolvem no litoral carioca, no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, além é claro da Normandia, na França, onde se inicia a primeira história que dá nome ao livro, “O Brasileiro”.

toral-mostra-desenho-2Sedentário – Você acha que é possível viver de quadrinhos no Brasil?

Toral – Não. A não ser que você faça tiras de humor e consiga colocá-las em muitos jornais. A tira (ou página) de humor periódica em jornais é o gênero que está na origem da arte sequencial como linguagem no final do século XIX. Mas eu não faço tiras de humor.

Sedentário – Fale um pouco sobre seus trabalhos anteriores envolvendo quadrinhos e história.

Toral – Olha, publiquei em praticamente todas as publicações alternativas do mercado main- stream dos anos 80: Animal, Chiclete com Banana, Circo, Lúcifer (NdE: da editora Circo e não a série da Vertigo) e etc. Em 1998, publiquei Adeus, chamigo brasileiro pela Companhia das Letras (republicado em 2008). Este último trabalho é sobre a guerra do Paraguai e envolveu uma pesquisa histórica absurda que fez parte da minha tese de doutorado.

Sedentário – Comparado com o que você viveu nas décadas de 1980 e 90, o que acha que mudou no atual mercado quadrinhos brasileiro?

Toral - Hoje temos um mercado mais complexo e que atende diversos ninchos. Apesar do rotatividade de editoras (umas fecham outras abrem) de quadrinhos, o saldo é positivo. Tem mercado, tem leitor que pede qualidade. Tem muita oportunidade pra quem faz quadrinhos. Muitas editoras e departamentos de quadrinhos em editoras que antes só produziam para o público “infanto juvenil”. Em todas elas um denominador comum: o desenhista e roteirista são sempre mal pagos.

Sedentário – Atualmente, está trabalhando em alguma nova HQ?

Toral - Sim, uma sobre histórias de guerra. Variado: tem guerras no Brasil, no oceano Pacífico e na China. Sempre gostei de histórias de guerra. Quando sai? final do ano? Início do ano que vem? Eu também gostaria de saber. Então, leitores amigos, paciência.

Onomatopéias

Detonamos o filme Crepúsculo na MAD 14

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A MAD 14 detona sem dó os vampiros vegetarianos do filme Crepúsculo, numa sátira carinhosamente intitulada Prepúcio! Não deixe de conhecer também a trágica história de um garoto que tinha orelhas enormes! Avacalhamos também o cinema nacional e sua versão babaca de O Menino da PorTorneira! E mais: Baraldi, Clássicos do Cinema, Dobradinha, O Lado Negro de O Lado Irônico, Aragonés, Spy vs. Spy e um monte de babaquices de torcer o pepino!
Formato magazine (20,5 x 27,5), 44 páginas, papel Pisa Brite, R$ 5,90, distribuição nacional, capa couché Veja o restante do preview clicando aqui!

Curso de férias te ensina a fazer HQs de Humor

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O que é uma HQ de humor? O que torna este gênero diferente dos outros? Quais os diferentes tipos de humor e suas vertentes? Aprenda também a esboçar uma página de HQ até encontrar os melhores enquadramentos para a cena que você imaginou. Noções de estilização e estrutura de desenho também serão apresentadas para os alunos neste curso ministrado por DAVI CALIL e RAPHAEL FERNANDES editor da REVISTA MAD (edição nacional), a mais famosa e tradicional revista de humor em quadrinhos do mundo!!! Para maiores informações sobre como se inscrever entre em contato direto com a Quanta! OS MELHORES TRABALHOS PODEM SER PUBLICADOS NA REVISTA MAD!

Faixa etária: a partir de 14 anos
Carga horária: 15 horas
De 13 a 17 de JULHO – Segunda a sexta-feira, das 19 às 22h
Preço: R$ 289,00

Nova edição do Programa Banca de Quadrinhos

A edição 36 da Banca de Quadrinhos chega com dois fatos especiais: foram indicados ao Troféu HQMIX na categoria Mídia sobre Quadrinhos -veja a lista de indicados aqui. A segunda coisa legal é que o bom e velho Carlão virou papai! Sucesso pra ele e família. Aproveitando o HQMIX, o Banca conversa com o Gual (um dos criadores do Troféu HQMIX) sobre as mudanças e novidades na premiação. No estúdio, o convidado é o roteirista Cadu Simões, criador do intrépido Homem-Grilo . No segundo bloco, tem um papo com o quadrinhista espanhol Javier de Isusi e mostramos ainda as novidades do novo selo de quadrinhos da Cia. das Letras, que acaba de chegar às livrarias.

Bloco 1

Bloco 2

Blog dos Quadrinhos cobre o caso Dez na Área
deznaareacapa
O Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, fez a melhor cobertura sobre o caso da HQ adulta sobre futebol Dez na Área, um na banheira e Ninguém no Gol (editora Via Lettera, várioas autores – como Caco Galhardo e Allan Sieber) que foi distribuída nas escolas de São Paulo para crianças de primeira à quarta série do ensino fundamental. Com direito a comentários desnecessários de José Serra (mais uma vez pagando mico) e de muitos meios de comunicação. Pra maiores informaçõe visite o blog clicando aqui.
Neste sábado (23/05)  tem Adão Iturrusgarai na Livraria HQMix

Crédito: reprodução Crédito: reprodução

Poucas pessoas sabem, mas o cartunista Adão Iturrusgarai, que publica uma série de tiras para o jornal Folha de S.Paulo, não mora há dois anos no Brasil. O desenhista produz suas tiras da Aline e de outros personagens diretamente da Patagônia, Argentina, onde vive com sua esposa. Portanto, não podemos perder uma oportunidade para conhecer o desenhista como a de hoje…

Neste sábado (23/05), a partir das 19h, o autor volta ao Brasil para promover uma noite de autógrafos de duas coletâneas de tiras suas: No Divã com Adão (R$34,90) e Aline – Viciada em Sexo (R$ 11). O lançamento será na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo). “NdE: Eu estarei por lá para garantir o meu!”

Twitter do Raphael Fernandes

Me adicionem por lá: @raphafernandes

Comentários

  1. parabens pelo blog

  2. Legal demais Rapha! Não sabia que vc mantinha este espaço pra divulgar a Nona Arte!! Vou estar sempre fazendo uma visita,ok!!

    Abs

    Ps. Já acompanho o trabalho do André, há muito tempo. Ele é um exemplo de quadrinista que quero seguir, me identifico muito com os quadrinhos dele!

  3. xalberto

    Aí, Raphael:

    Não vejo a hora de por meus 10 dedos sobre a revista MAD. Estou no Rio de Janeiro, mas ainda não chegou aqui 9eta, ex-capital atrasada…)
    Re,re!
    Abraços!

    P.S.: Não votaria no Serra, mas nem pra síndico do meu prédio !!!!!!!!!
    KKKKKKK!

  4. curti o site.. valeu pelo toque.

    a MAD ainda não chegou nas bancas nem em SP.

    abraço

    davi

  5. Grande Rapha!! Ficou show esse post, Parabéns
    Forte abraço!!

  6. Poxa, Raphael, muito bacana a história de vida e a trajetória do André. A entrevista me permitiu conhecer o trabalho dele e o jeito como o texto foi amarrado nos deixa interessados do começo ao fim. Parabéns pelo trabalho aqui e na Mad, que definitivamente adquiriu uma estética de muita qualidade.

  7. talita

    seu indiota

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