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O céu em movimento e o planeta em perspectiva

03 jan | por Kentaro Mori em Dúvida Razoável às 13:18

Vídeo espetacular combinando 7.000 fotografias condensadas em quatro minutos, destacando a beleza do céu estrelado em movimento. Não é surpresa que os antigos acreditassem que havia literalmente uma abóbada celeste, um enorme teto arqueado cobrindo o céu com pequenos furos por onde uma luz divina podia ser vista de relance. O Sol, a Lua e as estrelas passeiam placidamente, perturbados ocasionalmente por meteoros e essa novidade dos satélites artificiais, e em contraste com a agitação das nuvens, do mar ou das criaturas humanas sobre o planeta.

“Nossa vida diária, o calendário e nossos relógios são acertados pelo movimento cósmico. O nascer e o pôr do Sol, as estações e o movimento da Lua (marés) têm um impacto importante em nossa vida. Esta é a principal razão por que o interesse na astronomia surgiu em tempos antigos. O dia é marcado pelo nascer e pôr do Sol (a rotação da Terra), o mês pela trajetória da Lua em torno do planeta, e o ano e suas estações pelo movimento aparente do Sol na eclíptica (o movimento da Terra ao redor do Sol). Este é nosso programa de astronomia diário já há milhões de anos, e por muitos a vir. Estabilidade e tranqüilidade em contraste com nossa vida moderna”.

O vídeo foi promovido como imagem astronômica do dia da NASA no último dia de 2008, e outros vídeos criados por Till Credner podem ser vistos no imperdível The Sky in Motion. Contemplar a beleza e o senso de perenidade incomensuráveis do universo traz à mente as inesquecíveis palavras de Carl Sagan sobre nosso Pálido Ponto Azul. Nunca é demais ver outra vez:

Um pouco antes que a famosa imagem da Terra como um pálido ponto azul fosse capturada pela Voyager 1, e há quase exatamente 40 anos atrás, no Natal de 1968, a Apollo 8 foi a primeira viagem de seres humanos a outro mundo. Em plena órbita Lunar, capturados pela gravidade de nosso satélite, o astronauta Bill Anderson capturou outra imagem cheia de beleza e significado. Era o “nascer da terra” como visto da órbita da Lua:

nasa-apollo8-dec24-earthrised

Há pouco, o escritor de ciência britânico Oliver Morton escreveu um ensaio inspiradíssimo refletindo sobre esta imagem para o New York Times. Traduzo um trecho:

Que a Terra é pequena é inegável. Se o sistema solar fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol americano; se a distância ao centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do “nascer da Terra” pudesse ter capturado nosso planeta na dimensão do tempo ao invés do espaço, as coisas pareceriam diferentes. Em sua duração, em contraposição a seu diâmetro, a Terra deve ser medida em uma escala cósmica. Com mais de quatro bilhões de anos, ela se estende a um terço da história do universo, um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você vê em uma noite clara de inverno são mais jovens que o planeta abaixo de seus pés.

Mera persistência não é, em si mesma, uma grande façanha. As rochas inóspitas da Lua persistiram por quase tanto tempo. Mas a Terra não apenas persistiu, ela viveu. Por quase 90 por cento de sua história o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que funcionaram inicialmente na aurora da vida movimentam as criaturas da Terra até os dias de hoje, formando uma cadeia contínua de pelo menos 3,8 bilhões de anos de tamanho.

Esta vida ininterrupta demonstra que o planeta está longe de ser frágil. A Terra viva é resistente em escalas difíceis de considerar. A vida assistiu aos continentes colidirem e se despedaçarem, céus brilhando como carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela mal se afetou e nunca parou. Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice”.

Alguém precisa traduzir todo o ensaio. Se como Sagan notou, a astronomia é uma experiência que nos ensina humildade e fortalece nosso caráter ao nos colocar em perspectiva, complementada pela cosmologia, biologia e tantos outros avanços em nosso conhecimento sobre o mundo e o universo, descobrimos que o frágil Pálido Ponto Azul somos apenas nós. O planeta, mesmo a vida, com muita probabilidade sobreviverá a praticamente tudo que possamos fazer de estúpido. George Carlino disse de forma mais sucinta e engraçada, com 100% mais palavrões.

Espero que sejam boas reflexões e imagens para começar o ano internacional da astronomia. Neste ano, comemoramos o aniversário de 400 anos desde que Galileu Galilei olhou para os céus através de um telescópio, observando e descobrindo detalhes de mundos que antes habitavam apenas as mentes das mais audaciosas e avançadas mentes humanas. Estavam lá, para qualquer um poder observar e comprovar com os próprios olhos, que a Via Láctea era composta de uma miríade de estrelas, que Júpiter tinha satélites, que Vênus possuía fases como a Lua, e que a Lua possuía um relevo repleto de montanhas e crateras. Foi sem dúvida o enorme feito de Galileu e a ciência empírica que inaugurou que permitiram que, menos de 15 gerações depois, um homem pisasse nas crateras que o gênio italiano viu em detalhe.

Em 2009 também comemoramos o Ano de Darwin, marcando o bicentenário de seu nascimento e o sesquicentenário (o 150 aniversário) da publicação de A Origem das Espécies. É através da teoria da evolução através da seleção natural que finalmente compreendemos não apenas de onde viemos, mas de onde todas as espécies vieram. E nestes 150 anos, acumulamos tanto conhecimento confirmando e ampliando este que foi mais um dos gigantescos saltos para a humanidade, que compreender a Teoria da Evolução é também “uma experiência que nos ensina humildade e fortalece nosso caráter”. Certamente não sabemos de tudo, ainda há muito para descobrir — essa é a característica central da ciência, descobrir.

Pois descobrimos que nosso planeta é infinitesimalmente minúsculo em um vasto Universo, mas que a vida é espetacularmente resistente sobre este planeta e a fragilidade é apenas de nossa própria espécie. Descobrir tudo isso, ter ciência de tudo isto, também demonstra como nossa inteligência é inimaginavelmente poderosa. “Somos uma maneira para o Universo conhecer a si mesmo”. Até onde sabemos, a única maneira.

De maneira muito simples, precisamos usar este frágil e poderoso dom. Nada poderá garantir a nossa continuidade exceto o progresso democrático da ciência. Porque só através do progresso científico seremos capazes de colonizar outros mundos, deixando de estar vulneráveis a qualquer dos eventos que extingüiram a maior parte das espécies sobre o planeta. E só a compreensão da importância de  tal por toda a humanidade concretizará tal sonho

Só assim a inteligência, e não apenas a vida, poderá ser elevada a algo que possa ser medido em escalas cósmicas, e mesmo as estrelas da distante e antiga abóbada celeste estarão a nosso alcance.

- – -

Bem, agora do cósmico para o cibernético, você pode ajudar esta frágil e insignificante coluna a continuar aqui neste não tão pequeno blog. Vote no Sedentário no Best Blogs Brazil na categoria Entretenimento, e garanta que mais pessoas possam ler homenagens piegas como esta a figuras como Sagan, Galileu e Darwin. Basta alguns cliques, e se o Sedentário ganhar prometo que publico a coluna final sobre as pirâmides. ;-)

Comentários

  1. [...] o melhor post que eu já vi em um blog até agora no ano. O vídeo abaixo me fez refletir  muito sobre quem eu sou, e qual caminho estou seguinto, creio [...]

  2. Esses dias estou vendo novamente a série Cosmos do Carl Sagan, essa série muda a vida de qualquer um. Também estou aqui com o DVD do filme Contato do Romance escrito por ele. Carl Sagan era foda. =/ Foi cedo =~

  3. [...] Leia mais deste post no blog de origem: Clique aqui e prestigie o autor [...]

  4. terugo

    belo vídeo, até a próxima

  5. Gosto muito de ver essas imagens do céu…
    Principalmente essas de dia-tarde-noite.
    =)

  6. JustWatching

    Acho que os textos antigos da coluna tinham um tom “doutrinatório” que podia afastar muitos leitores. Posts como esse, sobre os segredos do universo, e a beleza de o que podemos conhecer sobre ele com um pouquinho de método científico, conseguem fisgar nossa atenção e provocar uma grande admiração. Tanto que faz qualquer “bela tradição mística ancestral” parecer um rascunho tosco e amador. Ao final, acabam funcionando como atrativos para que os leitores estudem mais sobre a ciência de verdade. Parabéns Mori!

  7. Pessoal, aproveitando a deixa de “filmes que mudam a vida”, eu recomendo muitíssimo que vocês assistam o documentário 11th Hour, ou Décima Primeira Hora, narrado e patrocinado pelo Leonardo Dicaprio. Aqui o link para otrailler no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=7IBG2V98IBY

  8. Carlos

    Meus parabens pelo texto. Nota 11 ainda é pouco, Mto bem escrito, formado, defendido!!

    Quero ler mais… e que nao tarde!!!!

    Abracos e feliz ano novo!

  9. thomaZ

    Por enquanto nós só temos a nós mesmo, acho que devemos dar muito mais valor a isso. Esse choque de tomar conhecimento de sermos um ponto minúsculo faz ruír minhas estruturas, ajuda muita gente a se desligar das religiões e ilusões externas e partir para um religare mais intenso, mesmo que por um curto momento.
    Agradeço desde já a postagem.

  10. Augudaum

    simplesmente fantástico, lindo, soberbo!

  11. lili

    Parabéns pelo post!!!!
    Ele fez refletir sobre a magnitude da criação de Deus.

  12. Muito legal! E os cometas passando ?

    Deus caprichou né !

  13. Prometeus

    Te falta, assim como a todos cientistas stricto sensu, a compreensão do homem enquanto tal, sem proceder por analogias ao natural.

    Compreender as especificidades do salto do inorgânico ao orgânico, e deste ao social; compreendendo assim a processualidade do ser social, regida pelo arco teleológico, passível do salto da necessidade (natural) para a liberdade (social, humano). Contruindo aqui, na Terra, o reino da liberdade, sem margem às utopias messiânicas de colonização interplanetária que procedem, também, por analogias, mas estas em relação ao Céu bíblico, com um leve toque de ficções oriundas do deslumbramento do descobrimento de novas tecnologias, que em tempos que o ter sobrepuja o ser, fazem-nos crer que são maiores em magnitude que a capacidade do homem, sem o qual seria impossível que elas existissem.

    Deveria começar pelos gregos, avançando, sobretudo, ao idealismo alemão; culminando em Karl Marx e nos herdeiros da tradição por ele inaugurada.

    Me desculpando da arrogância, que pretendo justificar pela frustração de ver a Ciência posta como um ente atemporal, separada da Filosofia, desejo minhas sinceras estimas e um forte abraço.

    R.

  14. Thiago Cantalupo

    Bom post parabens.

  15. Você acaba de ganhar um voto para essa sua eleição dos blogs.

    Obrigado por este post, apenas.. Obrigado!

  16. Loiana

    O S&H é foda!

  17. Mori, eu te saúdo! Acho que foi um dos melhores posts seus que já li e ele resume e aprofunda todas as mensagens de paz que esse período de festas tenta “vender” às pessoas. Obrigado por enriquecer minha vida com essas pérolas do saber! Feliz 2009!

  18. DNei

    Quase toda noite durmo com a janela aberta olhando o céu… esse vídeo me deu uma idéia, vou colocar a minha camera pra filmar toda uma noite e depois acelerar o vídeo e postar na net… acho que vai ficar bem legal… depois que fizer mando o link do vídeo….

    ABS

  19. DNei

    Quase toda noite durmo com a janela aberta olhando o céu… esse vídeo me deu uma idéia, vou colocar a minha camera pra filmar toda uma noite da perspectiva da minha cama e depois acelerar o vídeo e postar na net… acho que vai ficar bem legal… depois que fizer mando o link do vídeo….

    ABS

  20. Felipe Molon

    Existe uma versão d’O Palido ponto Azul que também foi muito bem feita, recomendo a todos: http://br.youtube.com/watch?v=EjpSa7umAd8

  21. José Roberto

    “Somos uma maneira para o Universo conhecer a si mesmo”
    ­
    Me parece muito com outra frase que eu li em um livro. Basta só substituir “universo” por “deus.
    ­
    Conversando Com Deus.

  22. CeLoTe

    muito bom. sem palavras.

  23. Daniel

    Ganhou mais um voto pro Blog com o texto… Eu tinha me decidido a não votar porque gosto de mais de um blog da lista e sou muito indeciso pra escolher um. Mas o teu texto matou qualquer indecisão. Acho que o melhor que já lí aqui, muito obrigado pelo texto.

  24. Procuro sempre me convencer de como somos insignificantes perante o Universo,somos um ponto de sua imensa grandeza.

  25. Cristiano

    Nossa… me senti um tanto deprimido ao ver esse vídeo. Ele ressalta uma individualidade ligada a solidão.

  26. Brilhante, como sempre Kentaro! Gostaria de eventualmente postar alguns textos ou fragmentos de seus textos no meu blog, algum problema?

    abraço.

  27. Mr. WRITER

    Todo ser humano deveria ler Contato, romance escrito por Carl Sagan.

    É uma lição de vida para os seres humanos. E uma lição de moral em nossa arrogante raça…

  28. caiO

    nd melhor do q um tapa na kra como esse !!
    parabens melhor post dess blog q eu ja vi
    =oD

  29. [...] e Ceticismo @ 6.Jan.2009. por Carlos Hotta. O vídeo abaixo foi tirado sem dó nem piedade de um excelente post do Kentaro Mori lá no Sendentário & Hiperativo. Além de escrever em diversos lugares, o Kentaro publica [...]

  30. Supersimpson

    Segue a tradução do artigo de Oliver Morton, para quem quiser (não é um primor de tradução, mas deve servir):

    Não-Tão-Solitário Planeta

    ELES chegaram à Lua, e pelas primeiras três órbitas foi para a Lua que os astronautas da Apollo 8 devotaram sua atenção. Somente em sua quarta vez ao redor eles levantaram seus olhos para ver seu mundo natal, levantando-se silenciosamente acima do deserto das planícies da Lua, azul e branca e linda. Quando, mais tarde naquela Véspera de Natal em 1968, eles leram as linhas de abertura do Genesis na televisão ao vivo, eles o fizeram com um senso do paraíso e da Terra, da forma e do vazio, enriquecido pela maravilha que eles tinham visto se levantando no céu preto da Lua.

    A fotografia daquele nascer da Terra pelo astronauta Bill Anders faz parte do resistente legado do programa Apollo – eclipsnado, em muitas memórias, quaisquer descobertas sobre a Lua ou senso renovado de orgulho nacional. Essa e outras figuras olhando de volta para a Terra proveram uma nova perspectiva sobre o que todaa humanidade compartilha. Como Robert Poole documenta em sua história, “Nascer da Terra: Como o Homem Viu a Terra Pela Primeira Vez,” aquela perspectiva teve profundos efeitos culturais, notadamente na ressonância emocional que ela ofereceu para o crescente movimento ambiental. Vista da Lua, a Terra pareceu tão pequena, tão isolada, tão terrivelmente frágil.

    Não é preciso de nada da beleza e poder da imagem, entretanto, para apontar que era o fotógrafo, muito mais que seu assunto, quem estava isolado, e que a fragilidade é uma ilusão. O planeta Terra é notadamente uma coisa robusta, e esta força flui de sua antiga e íntima conexão com o cosmos além. Ver a foto desta forma não prejudica sua relevância ambiental – mas a molda de outra forma.

    Que a Terra é pequena é inegável. Se o sistema solar fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol americano; se a distância ao centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do “nascer da Terra” pudesse ter capturado nosso planeta na dimensão do tempo ao invés do espaço, as coisas pareceriam diferentes. Em sua duração, em contraposição a seu diâmetro, a Terra deve ser medida em uma escala cósmica. Com mais de quatro bilhões de anos, ela se estende a um terço da história do universo, um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você vê em uma noite clara de inverno são mais jovens que o planeta abaixo de seus pés.

    Mera persistência não é, em si mesma, uma grande façanha. As rochas inóspitas da Lua persistiram por quase tanto tempo. Mas a Terra não apenas persistiu, ela viveu. Por quase 90 por cento de sua história o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que funcionaram inicialmente na aurora da vida movimentam as criaturas da Terra até os dias de hoje, formando uma cadeia contínua de pelo menos 3,8 bilhões de anos de tamanho.

    Esta vida ininterrupta demonstra que o planeta está longe de ser frágil. A Terra viva é resistente em escalas difíceis de considerar. A vida assistiu aos continentes colidirem e se despedaçarem, céus brilhando como carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela mal se afetou e nunca parou. Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice.

    Os humanos podem matar espécies e diminuir os ecossistemas. Tal vandalismo possui perigos reais para seus preparadores, já que a civilização humana depende dos serviços que alguns desses ecossistemas provêem. Mas na escala da vida do planeta tomada como um todo isso é algo insignificante. A humanidade não possui risco essencial à vida na Terra, e nem nada mais irá por centenas de milhões de anos. Rica, variada, sempre mudando – a Terra é tudo isso. Frágil não é.

    Por que tão robusta? A razão está na segunda grande concepção errada: que a Terra está isolada. Isto é verdade apenas se seu senso de conexão depende de matéria física se movendo de lugar para lugar. O pó e rochas que chovem do espaço são de fato meros impactos, mesmo se algumas das rochas maiores ocasionalmente causaerm um pequeno desconforto de matar dinossauros; os traços de gás soprado para o topo da atmosfera são realmente negligenciáveis. A matéria chove para dentro e venta para fora. Mas matéria não é tudo.

    Uma enxurrada sem fim de pura energia luminosa se espalha do Sol em todas as direções. Em oito minutos dessa corrente à velocidade da luz, parte deste extraordinário fluxo se choca com a terra em uma torrente de 170.000 trilhões de watts. Um pouco dela espirra de volta no espaço; o “nascer da Terra” do Major Anders captura aquela luz refletida no brilhante branco das nuvens e gelo polar. Mais, entretanto, é absorvido; esta é a energia que dirige os ventos, faz as ondas e correntes fluirem, aquece as rochas e esquenta o céu. A energia do Sol flui através do sistema terrestre e para o outro lado, saindo de volta para a frieza do espeço como uma maé de radiação infravermelha.

    Uma fração muito pequena desta energia é pega, não por rocha e vento e água, mas pela vida. Essa fração de um percentual capturada por plantas e outros organismos fotossintéticos flui dentro e através das cadeias alimentares do mundo. É essa luz do Sol, infinitamente renovada, que permite que a grama cresça, que os pássaros cantem – e que você viva. A energia do Sol flui através de seu cereal matinal, seu café da manhã, suas veias e sua mente. Ela anima você assim como animou quase toda a vida da Terra por bilhões de anos.

    A ciência da termodinâmica nos diz que sistemas fechados tendem ao equilíbrio, à nulidade, à entropia. Se a Terra fosse verdadeiramente tão isolada quanto parece, essa inevitável tendência seria a quantidade da vida. Mas a Terra é tão aberta quanto o céu. Energia de toda parte flui através dela, criando chances infinitas para a complexidade e improbabilidade, lavando a entropia do mundo de volta ao espaço. O fluxo de energia que une quase toda criatura viva no planeta é o mesmo fluxo que conecta nosso ambiente ao univereso além.

    Para esse fluxo trabalhar, a energia deve sair assim como entrar. Se o Major Anders tivesse uma câmera trabalhando no infravermelho, essa energia partindo teria aparecido como um brilho quente no lado noturno do planeta. Quarenta anos adiante, o brilho diminuiu um pouco; menos energia está saindo. Engrossando os céus com dióxido de carbono, nós estamos bloqueando o fluxo da energia, e permitindo uma construção de calor na superfície da Terra. Este efeito estufa é desimportante em qualquer sentido cósmico. Ele não possui ameaça à continuação da vida na Terra, mas possui uma ameaça a dez milhões de pessoas, e irá fazer isso por gerações a aparecerem.

    Felizmente, ver o problema do aquecimento global em termos desse fluxo de energia é ver sua solução. Colocando um pouco da energia cósmida em uso – desenvolvendo poder eólico, fontes apropriadas de energia, energia hidráulica e, a mais promissora de todas, energia solar – nós podemos acabar com a necessidade daquele dióxido de carbono que engrossa o céu. Outros fluxos de energia podem ajudar também – fluxos de calor das profundezas da Terra e de radiação passada para nós no urânio de estrelas mortas. Mas é a energia solar, indiretamente ou diretamente, que irá dominar o cenário, simplesmente por causa de sua abundância. O Sol dá mais energia à Terra em uma hora do que a humanidade usa em um ano.

    Substituir esses fluxos pelos combustíveis fósseis feitos para acabar com nosso planeta e também conosco – o pior dos dosi mundos – é uma tarefa épica. Mas a mensagem que enquadra todas as outras mensagens do “nascer da Terra” é que nós podemos nascer para tarefas épicas. Veja de onde a foto foi tirada. “Se nós pudemos colocar um homem na Lua…” rapidamente se tornou um jargão para a falha da sociedade conquistar objetivos que pareciam bem mais simples. Esforços em uma escala similar visaram obter a energia fluindo sobre nós e são inteiramente apropriados, e podem fazer as coisas muito melhores. Nós não podemos resolver todos os problemas; alguma mudança no clima é inevitável. Mas a catástrofe não é.

    O “nascer da Terra” nos mostrou onde estamos, o que podemos fazer e o que compartilhamos. Ele nos mostrou quem somos, juntos; o povo de um forte, duradouro mundo, atingido com a luz de uma contínua criação.

  31. [...] aqui este maravilhoso [...]

  32. Traduzi integralmente o ensaio do Oliver Morton para o português. Quem quiser, pode ler: http://hypercubic.blogspot.com/2009/01/nem-to-solitrio-planeta_06.html

  33. K'

    Post perfeito!

  34. EdazDogma

    > ;
    .
    Como um vídeo pode ser tão profundo sem uma palavra?(essa música ambiente também ajuda)
    Perfeito! É uma mistura de contemplação e nostalgia, nostalgia, por que sentir isso do céu?

  35. Rayon

    Ótimo post, é ruim pensar que nós, seres-humanos estamos estragando esta beleza que o nosso mundo é =/

    Me fez refletir sobre tudo que ja fiz na vida e o que devo fazer, muito bom!

  36. Seu nome

    o que não precisa ser elevada e medida em escala cósmica é essa forma de pensar do homem de querer ter sempre mais e mais, quando ainda mal sabe cuidar do que já possui…

    conhecimento?…um pouco….
    inteligência?! ha ha

  37. Fantástico!! visto e copiado. Esse é um daqueles vídeos que devem ser divulgado ao máximo.
    abs

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