24 set 2009 | por Kentaro Mori em Dúvida Razoável às 5:04
Em 21 de setembro de 1987, o homem mais poderoso do mundo em uma das épocas mais cruciais de nossa história fez um discurso atípico na Assembléia Geral das Nações Unidas.
“Penso de vez em quando quão rapidamente nossas diferenças por todo o mundo desapareceriam se enfrentássemos uma ameaça alienígena de fora deste mundo”, pronunciou Ronald Reagan.
Não era a primeira, tampouco a última vez em que o ator de Hollywood então presidente mencionava extraterrestres como a salvação para a humanidade em seus momentos de maior perigo. E não apenas um contato com extraterrestres, mas uma ameaça alienígena.
A estranheza do evento é natural, motivo para todo tipo de suspeitas, afinal não é sempre que um episódio de Além da Imaginação chega tão próximo da realidade. <spoiler>Só não é algo mais notável que o fato do discurso de Reagan ecoar o desfecho de Watchmen, publicado apenas dias depois.</spoiler>

Não vou comentar em detalhes o final de Watchmen, seja na HQ ou em sua versão cinematográfica, que já devo ter estragado. Aos que ainda não conhecem nenhuma das versões, peço desculpas, mas saber que o final tem relação com o discurso de Reagan é apenas parte da trama, que vale muito a pena. Também não quero adentrar muito na área que o Raphael Fernandes certamente domina com maior profundidade.
A idéia de uma ameaça extraterrestre unir os povos na Terra não é nova, e pode ser lida nas entrelinhas mesmo nas primeiras obras de ficção científica moderna como A Guerra dos Mundos de Wells no final do século 19.

Mais especificamente, a primeira temporada de “The Outer Limits” em 1963, exibido no Brasil como “A Quinta Dimensão”, contou com o episódio “Os Arquitetos do Medo”. Na história, um grupo de cientistas forja uma invasão alien na Terra para acabar com nossos conflitos internos. Familiar, não?
Não é difícil imaginar que Reagan tenha assistido ao episódio de ficção na TV. Daí para o tema se tornar alvo de reflexão constante e chegar a um discurso na ONU é onde queremos chegar nesta coluna. Não sem antes comentar um par de outras coincidências, como a de que “Arquitetos do Medo” foi exibido dias antes do assassinato de Kennedy. Outro tema de Watchmen.
Reagan já havia mencionado a idéia de uma ameaça ET durante seus primeiros anos na presidência. Há rumores de que teria feito comentários a Spielberg quando assistiu a “E.T.” na Casa Branca, embora a fonte desta história seja em si mesma uma figura associada a uma fraude ufológica sobre a conspiração do governo com aliens. É uma colcha sem fim de ironias, alguns diriam sincronicidade, mas novamente nos distanciamos do tema central.
E a pergunta aqui é: se “A Quinta Dimensão” pode ter inspirado Reagan, quem inspirou Alan Moore, roteirista de Watchmen? Bem, enquanto o próprio episódio “Arquitetos do Medo” é citado na HQ, Moore diz não ter tomado o episódio como fonte e não pude encontrar referência ou mesmo comentário sobre se os discursos do presidente caubói poderiam ter influenciado o roteiro da série. É muito pouco provável que o tenham feito, tanto pelo curto prazo, como porque para Moore e o ilustrador Gibbons, extraterrestres realmente não eram tão importantes como aparentemente eram para Reagan.
“O mote principal da história gira em torno do que é chamado macguffin, de forma que a trama em si não tem grande importância não é realmente a coisa mais interessante em Watchmen. Como contamos a história, é onde a verdadeira criatividade entrou em ação”, explicou Moore. Aos que não apreciaram a versão cinematográfica pelo seu desfecho, talvez menos atenção devesse ser dada ao macguffin, ao menos de acordo com o roteirista original.
O que também sugere que a coincidência entre Watchmen, Reagan e ameaças extraterrestres seja apenas uma coincidência. Longe de se encerrar aí, contudo, esta teia de relações pode levar ainda mais longe do que uma grande conspiração entre roteiristas ocultistas e presidentes de Hollywood.

Ao paranóico de plantão, as declarações de Reagan devem ter necessariamente um grande significado. O presidente dos EUA, evidentemente, deve ter conhecimento sobre a presença alienígena na Terra. Talvez até acordos. Estariam os extraterrestres ameaçando quebrar seu acordo lá em meados dos anos 1980? Que acontecimentos gravíssimos ocultados do público não estariam ocorrendo para levar a tão estranhas declarações?
Todas estas questões são relevantes, mas apenas se você presumir que as declarações de Reagan devam necessariamente ter um grande significado, um grande motivo. Talvez tenham, mas considere a possibilidade de que talvez não.
Perceba como seria curioso que extraterrestres resolvessem ameaçar o planeta logo depois de Watchmen ser publicado. A menos que se considere que Alan Moore também saiba de “algo mais”, seria no mínimo uma enorme coincidência descobrir o futuro da humanidade em uma HQ. Ainda mais quando o próprio Moore considera os ETs em sua história como um macguffin.
Fato é que ameaças ETs não eram a única idiossincrasia de Reagan. Desde os primórdios de sua carreira política, Ronald e sua mulher Nancy também foram influenciados por astrólogos. De horóscopos. De jornal.
Uma das mais famosas astrólogas e profetas nos EUA, Jeane Dixon, agradou bastante aos Reagan a ponto de aconselhá-los por décadas. O fato de que Dixon fez muitas previsões espúrias que falharam de forma retumbante – como o início da Terceira Guerra Mundial e outras catástrofes apocalípticas, bem como que os russos pisariam primeiro na Lua – não a tornou menos favorecida. Seus poucos acertos eram lembrados enquanto seus muitos erros eram esquecidos. É a validação subjetiva.
Foi apenas quando a astróloga predisse que Reagan não teria sucesso em sua ambição à presidência em 1976 que os Reagan deixaram de acreditar em seus poderes. Ironicamente, nesta previsão Dixon estava correta, Reagan só concorreu e ganhou a presidência quatro anos depois.
Depois de desfavorecer Dixon, os Reagan deixaram de consultar astrólogos? Seria uma questão relevante, mas o fato é que eles simplesmente trocaram de astróloga. Nancy Reagan passou a consultar Joan Quigley, e o admitiu quando sua influência nas decisões mais importantes da nação teriam sido expostas por um antigo funcionário da Casa Branca. Embora a verdadeira influência de Quigley provavelmente não tenha sido tão grande (esperamos!), Nancy escreveria que “estava fazendo tudo em que podia pensar para proteger meu marido e mantê-lo vivo”. A Primeira-Dama expressava como consultar uma astróloga protegeria o homem mais poderoso do mundo, a última linha decisória entre nós e o apocalipse nuclear.
A astróloga Quigley, a propósito, também fez uma série de previsões grosseiramente incorretas. E nem ela, nem Dixon, nem nenhum vidente realmente previu a queda do Muro de Berlim e a implosão da União Soviética.
Considere, assim, a possibilidade de que os Reagan consultaram por décadas charlatães. Não é preciso aceitar que Dixon ou Quigley fossem charlatães, mas considere a possibilidade de que essas astrólogas com inúmeras previsões ridiculamente fracassadas, incapazes de avisar o mundo sobre as verdadeiras e maiores mudanças históricas por que passamos, fossem apenas simples e toscas trambiqueiras. Há certa evidência sugerindo tal. E se esse era o caso, os Reagan foram enganados por décadas.
Você não presumiria que um casal capaz de ascender aos cargos mais poderosos e em vários sentidos mais importantes da espécie humana pudessem ser enganados por simples e toscas trambiqueiras. Que alguém que previu que os russos pisariam primeiro na Lua teria suas previsões tomadas com muito ceticismo. Mas, considere a possibilidade. Há certa evidência sugerindo tal.
Considere, por fim, que talvez, talvez nem todas as declarações públicas de Reagan tivessem assim um grande significado ou fossem cuidadosamente orquestradas e planejadas. É uma possibilidade.
Deve ser lançado em novembro nos EUA, ainda sem data prevista no Brasil, o filme “The Men Who Stare at Goats”, com Ewan McGregor e George Clooney nos papéis principais, apoiados por nada menos que Kevin Spacey e Jeff Bridges. Baseado no livro homônimo do jornalista britânico Jon Ronson, se a concretização parcial de um enredo fictício de “A Quinta Dimensão” parecia surreal, aqui temos como o inverso é ainda mais inacreditável. Do roteiro clichê hollywoodiano completo com um protagonista com problemas conjugais (McGregor) e um vilão que “aprontará muitas confusões” (Spacey), os detalhes mais bizarros são completamente reais.
O próprio Ronson produziu também uma série imperdível de documentários derivada de seu livro (e vice-versa), Crazy Rulers of the World:
No clipe acima com o primeiro episódio, é apresentado logo no início o Major General Albert Stubblebine III, comandante geral do Comando de Inteligência e Segurança do Exército dos EUA de 1981 a 84. Ele se tornou mais conhecido talvez porque tentou caminhar através de paredes, batendo seu nariz inúmeras vezes no processo. Se é difícil acreditar que o comandante geral da inteligência do exército americano, superior a dezenas de milhares de soldados, se jogasse contra a parede de seu escritório almejando vencer essas ilusórias limitações materiais, o próprio Stubblebine conta a história no vídeo. Ronson não inventou ou distorceu suas palavras, e no trailer do filme podemos ver uma versão Hollywoodiana do caso com um soldado se jogando contra a parede.
Os detalhes mais bizarros da comédia de Hollywood são completamente reais.
Depois conhecemos Jim Channon, tenente-coronel do exército americano. Channon foi o criador do manual First Earth Batallion, que promove novas e heterodoxas técnicas de guerra envolvendo “guerreiros espirituais”, que farão a América “liderar o mundo ao paraíso”, utilizando poderes psíquicos, incluindo yoga e meditação. Provavelmente influenciou a Stubblebine, e fato é, com certeza influenciou o alto escalão militar, como Ronson estabelece em entrevistas com o coronel John Alexander, conhecido por promover o desenvolvimento e uso de armas não-letais. Inspiradas pelas idéias de Channon, que no filme é interpretado por Jeff Bridges.
Os detalhes mais bizarros da comédia de Hollywood são completamente reais.
Mesmo o título do filme é completamente real, embora inacreditável. The Men Who Stare at Goats, ou “Os Homens que Observam Cabras”, se refere ao projeto militar para estudar e aplicar o poder de matar animais simplesmente olhando para eles. É o exército americano financiando pesquisas para o uso militar do mau olhado.
Aqueles mais familiares com as histórias e lendas do insólito talvez já tenham ouvido falar que a russa Nina Kulagina teria conseguido parar o coração de um sapo com seus poderes mentais, e mesmo o israelense entortador de talheres Uri Geller já contou em sua auto-biografia (que também virou um filme imperdível, Mindbender), como militares teriam tentado coagi-lo a usar seus dons paranormais para o mal. Este é inclusive o clímax do filme Mindbender – antes disso há um momento épico em que ele é assediado por uma mulher e em sua excitação provoca inadvertidamente um tornado.
Pois bem, alguns poderiam considerar a história sobre militares estudando entortadores de talheres como tão dignas de crédito quanto furacões provocados por alguns amassos, mas apenas se presumirmos que militares sejam líderes racionais. Como a esta altura você já deve ter imaginado, e é todo o ponto desta coluna, eles nem sempre são.
A história de Geller, pelo menos sobre a tentativa de usar poderes psíquicos para matar animais, é real. O Stanford Research Institute também esteve envolvido com a pesquisa de Visão Remota, financiada com milhões pela CIA, sem resultados concretos, e o que é ainda mais absurdo é que Ronson descobriu que os militares aparentemente ainda continuam tentando matar cabras com mau olhado.
No primeiro episódio de sua série, Ronson entrevista um dos envolvidos no projeto militar de matar cabras com a força da mente. O suposto paranormal se oferece para matar um hamster como demonstração. Confira os resultados abaixo:
Nem deve ser preciso dizer que a série se traduz como “Governantes Loucos do Mundo”.
“Tribos das ilhas Trobriand que pescam no mar profundo, onde tempestades repentinas e águas desconhecidas são preocupações constantes, têm muito mais rituais associados à pesca do que aquelas que buscam peixes em águas mais rasas. Pára-quedistas vêem mais facilmente uma figura não-existente em um monte de ruído pouco antes de pular do que quando em terra. Jogadores de beisebol criam rituais em proporção direta à caprichosidade de sua posição – por exemplo, lançadores são particularmente propensos a enxergar conexões entre a camisa que vestem e seu sucesso. … Mesmo em nível nacional, quando os tempos são economicamente incertos, as superstições aumentam”.
O trecho é parte de um trabalho publicado na Science em 2008, que não se resume apenas a relatos. Jennifer Whitson e Adam Galinsky conduziram seis experimentos que confirmaram a tese de que a sensação de falta de controle aumenta a percepção de padrões ilusórios, fazendo pessoas verem algum significado onde realmente não há.
A série de experimentos é interessante pela variedade de padrões ilusórios que averiguou, como ver imagens em ruído, desenvolver superstições, mesmo formar correlações ilusórias sobre informações de bolsas de valores e… enxergar conspirações.
“Experimentar uma perda de controle levou os participantes [do experimento] a desejar mais estrutura e a perceber padrões ilusórios. A necessidade de estar e sentir-se em controle é tão forte que os indivíduos produzirão um padrão a partir do ruído para levar o mundo de volta a um estado previsível”, escrevem os pesquisadores.
Suponha que nossos líderes não estejam totalmente em controle. Naturalmente, muitos presumirão que se Lula ou Obama não estão realmente no controle, alguém, ou algum outro grupo sinistro e todo poderoso deva estar. Mas não é esta a hipótese que lhes convido a considerar. É a hipótese de que nem Lula, nem Obama, nem nenhum grupo sinistro e poderoso realmente controle com muito sucesso o nosso presente e futuro.
Que mesmo as figuras mais poderosas no planeta, detentoras do poder de aniquilar toda a vida terrestre ao apertar um botão, possam estar tão perdidas sobre o futuro da humanidade em dez anos quanto o gari que varre a sua rua. Que a Queda do Muro de Berlim tenha pego de surpresa a você, a astrólogos como Quigley e Dixon, a Reagan e a Gorbachev e mesmo ao supremo líder Illuminati que acha que controla o mundo. Que o 11/9 tenha sido realmente inesperado a George Bush.
É uma idéia desconfortável. Preferimos pensar que estes acontecimentos obedecem a um padrão, que se não nós, alguém sabia o que iria acontecer e mais, sabe o que irá acontecer.
Mas se um presidente americano pode expressar na Assembléia Geral da ONU idéias estranhas derivadas de um episódio de ficção científica na TV, se um comandante geral do exército americano pode achar ser capaz de atravessar paredes apenas tentando com fé suficiente, se milhões de dólares continuam sendo dedicados à idéia de usar mau olhado para combater terroristas, então o mundo é um lugar muito mais bizarro, complexo e imprevisível do que gostaríamos.
Enquanto alguns podem temer um mundo onde conspirações grandiosamente elaboradas por gênios do mal como as de Watchmen se tornam realidade, a perspectiva de viver em uma Idiocracia imprevisível movida por credulidade e estupidez pode ser ainda mais aterrorizante. E a realidade pode ser ainda uma mistura de ambos.
Ficou com medo? O medo, o terror, já é assunto para uma outra coluna.
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“Sim! Há conspirações! E várias! Mas elas se anulam no caos. O mundo é controlado por palhaços infames”
– Alan Moore [via @fsalvaterra]
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Comentários
leio todas as suas colunas e essa foi a primeira que nao entendi, e nem sequer consegui fazer a usual “costura” das pontas soltas e conexões entre os fatos da coluna
[...] This post was mentioned on Twitter by sedentario.org and enrico. enrico said: http://www.sedentario.org/colunas/duvida-razoavel/watchmen-e-a-idiocracia-19721 [...]
Olá Mori,
Minha irmã é uma pessoa muito “espiritualizada” e crente quanto a ETs, duendes, conspirações e afins. Já eu, um cético, sempre achei que conpirações são bons pretestos para ótimos filmes (ou HQs), nada mais que isso. Sempre tive uma visão parecida com a do texto, ninguém sabe de nada, ninguém controla nada.
Ela tenta ter a mente aberta nas nossas discussões, por isso fizemos um exercício: “Vamos imaginar que vc está totalmente errada, e que além de não existir conspiração, não existe ninguém que tenha algum controle real”. Ela me respondia algo do tipo: “SE eu estiver errada, prefiro não saber, uma situação como vc propões me dá muito mais medo! É muito mais fácil um maluco mandar uma bomba na cabeça de alguém por puro capricho”.
Ela sempre foi muito sincera e a admiro por isso. E muito provavelmente eu nunca tive argumentos tão bons e fundamentados como os dessa matéria. Estou encaminhando para ela seu texto. rsrs
Parabéns!
Grande coluna, vou embasar um argumento meu com ela no orkut. XD
Como sempre, genial, Kentaro.
Alguem faça o George Clooney ser o J.J Jamerson no Proximo filme do Homem-Aranha!
É o kara Cuspido e escarrado (se quiserem tosido tb…) com esse bigodinho dele
Kentaro, ótima couna, só achei meio desconecta a primeira da segunda parte mas mesmo asim estão bem amarradas.
Um exemplo da literatura da procura de padrão na desordem é o livro “O nome da Rosa” do Umberto Eco. Não o filme, mas o livro, onde a linha de raciocínio lógico de Willian de Baskerville é melhor de ser acompanhada. O mais interessante é que na história a racionalidade de Willian se defronta com a superstição dos outros monges da abadia e o que temos no final é que o padrão que todos tentavam enxergar, racionais ou não, é negado. Isso deixa William arrasado.
Recomendo.
Ótimo texto! Se os líderes esperam obter forças que não estejam ligadas as propriedades físicas, imagine que pessoas (possivelmente ao seu lado) esperam conseguir levitar a caneta de sua mesa e atravessar sua garganta com ela. É a humanidade entrando em crash.
O mundo realmente é um lugar engraçado….
Caramba Kentaro texto deliciosamente ótimo cara! Apesar de longo, vale cada linha!
Eu o aconselho fortemente a escrever um livro, cara! Parabéns!
[...] Continue lendo… [...]
O mais bizarro dessa história é que se os E.U.A. fazem esse tipo de pesquisa e treinamento, os outros países também devem fazer. Rsrsrsrsrsrs.
É, simples assim.
Lula foi pego de surpresa com o presidente deposto indo para nossa embaixada ou os EUA pensaram de ante-mão, em colocar ele lá para tirar a batata quente do seu colo?
E se estourar uma guerra, e se invadirem pelo pré-sal?
Boa coluna.
Parabéns KM. Sempre nos fazendo lúcidos.
abs
JL
Só quero ver o que o Marcelo del Debbio vai comentar sobre este texto na Teoria da Conspiração. Ótima coluna.
Assisti o documentário O Poder dos Pesadelos da BBC que é mencionado no link no final do texto e antes mesmo de saber para onde o link estava direcionado eu já estava fazendo uma analogia do seu texto com este documentário. Quem ainda não o assistiu eu recomendo.
Brilhante, Kentaro. Você é um poeta do conhecimento: tem o talento de expressar certas perspectivas de forma harmoniosa e didática.
Foi um pouco trabalhoso achar a referência em Watchmen do episódio “Arquitetos do Medo”, mas achei. Está na página 28 do volume 12, numa propaganda de televisão. Adoro esses “ovos de Páscoa”! E Watchmen foi um excelente filme baseado em um excelente gibi.
diferenças?
http://en.wikipedia.org/wiki/Reagonomics
The four pillars of Reagan’s economic policy were to:[2]
1. reduce the growth of government spending,
2. reduce income and capital gains marginal tax rates,
3. reduce government regulation of the economy,
4. control the money supply to reduce inflation.
assim todas naçoes ricas acabam sendo donas das estatais de terceiro mundo que produzem petroleo,minerio,etc..
e o cara fala em unir naçoes? um bom jeito seria parar de gastar meio trilhão de dolares por ano pra estabelecer bases no mundo inteiro , roubar tudo e fazer pessoas viverem na mais pura merda
se alguem vive em outro mundo é ele
sobre Honduras
Brasil tem respaldo internacional sobre Honduras, diz chefe da OEA
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse nesta quarta-feira à BBC que o governo brasileiro conta com o respaldo de toda a comunidade internacional na sua atuação na crise política de Honduras.
Zelaya queria – e sem efeito vinculante – que o povo dissesse se concordava, ou não, que nas eleições de novembro próximo uma quarta urna fosse colocada nas seções eleitorais.
Nessa urna especial, os eleitores aceitariam, ou não, a convocação de Assembléia Nacional Constituinte para redigir nova Carta Política.
A consulta direta ao povo, por iniciativa do presidente da República, é prevista pela atual Constituição de Honduras, em seu artigo 5º.
Embora provavelmente nova Assembleia Constituinte pudesse tratar também do problema dos mandatos, a consulta de novembro não faria referência expressa a isso, nem Zelaya seria beneficiado: ela coincidiria com a eleição de seu sucessor, dentro das regras atuais do jogo.
Portanto, não é verdade que Zelaya pretendesse, com a consulta prévia – e frustrada com o golpe de junho – obter um segundo mandato presidencial.
a globo mostra um super mercado destruido, e entrevista uma brasileira classe alta que vive em honduras dizendo que não tem golpe e vcs acreditam?
Texto excelente! Então foi esse negócio de “matar com o olhar” que o Collor tentou usar contra o Pedro Simon… Os militares devem estar assistindo muito Naruto e se impressionaram com a história do sharingan…
Me parece que o texto também tenta criar uma lógica pra justificar o Caos, tipo uma Conspiração do Caos, não vejo muita diferença entre uma argumentação buscando justificar o Caótico, pra uma argumentação pra justificar uma Conspiração. Somos uma forma de consciência muito limitada pra entender as sincronicidades do mundo ao nosso redor.
A frase ao final do texto é o melhor do texto e veio de um Ocultista, que joga Tarot, que conhece astrologia e que sabe que o mundo é muito mais do que se publica na Science.
Será que a própria sensação de algo solto no ar, de origem conspiratória ou simplesmente pura desconfiança ,não cria esse tipo de superstição? ou talvez, de ” sensação de conspiração’ ? alguém já notou ou teve a “maluca” idéia de que todos sabem de algo que apenas,apenas você não sabe? que a velha frase dramática ” o mundo conspira contra mim” pode ser verdadeira? Em algum momento da história,houve segredos que mais cedo ou mais tarde , foram revelados.Outros estão lacrados até hoje e alguns ,jamais saberemos.Como foi dito no artigo,padrões existem e se repetem.
sem mais e aguardo discussões!
Abraços e excelente artigo!
Texto legal!
Ah! Adoro o filme “Idiocracy”, e acho que se nada for feito…é lá mesmo que a gente chega!
É a teoria do Elefante na plantação de morango…
Ótimo texto. Mas cuidado com exageros como do segundo comentarista:
“Sempre tive uma visão parecida com a do texto, ninguém sabe de nada, ninguém controla nada.” Vai nessa!
@ Igorsan
Ainda mais focado nessa busca de padrões onde eles não existem que o “Nome da rosa” é o “Pêndulo de Foucalt” do mesmo Umberto Eco.
Foi lá que eu descobri que uma lanchonete pode esconder tantos segredos e simbolismos quanto as pirâmides do Egito!
Eu nao entendi o que ele falou !!!!!!!!! O adriano tah me ouvindo !!!!!!!!!!
Pomba, mas nem tem mais spoiler nisso, a obra foi lançada a mais de 20 anos já, e do jeito que as coisas são hoje vc encontra essa informação sobre watchmen em qlqr lugar…
E outra coisa que não é spoiler, no final o Dr.Manhattan mata o Rorschach…XP
Mas watchmen vale a pena ser lido vc conhecendo o final ou não, é muito mais pelo que representa…
“Preferimos pensar que estes acontecimentos obedecem a um padrão, que se não nós, alguém sabia o que iria acontecer e mais, sabe o que irá acontecer.”
Eu gosto muito mais do caos.
Texto interessante. Ruim é aguentar a rasgação de seda dos posts acima, hehehehe.
Quantas linhas para tentar desviar a atenção do público para a real situação da conspiração governamental que visa fazer os tolos acreditarem em Ovni. Um discurso na ONU feito por um presidente americano tem até suas vírgulas verificadas imagine seu contéudo se Ronald Reagan disse isso sobre aliens ele tinha um motivo muito forte e uma mensagem a passar e eu sei qual é ela. Essa mensagem é simplesmente : governos da Terra aliados e participantes da MENTIRA OVNI se esforçem mais para que possamos enganar os tolos e fazé-los acreditar na existência de Aliens para que num futuro possamos escravizar esses lerdos que se deixam levar pelas mentiras que criamos.
A Mentira Ovni
Na verdade ovnis e aliens não existem da maneira que os tolos ufólatras acreditam.
Os governos mundiais, dominados por maçons, aproveitaram a subcultura ovni – isso se de fato não foram eles que criaram esse fenômeno – para encobrir suas pesquisas na área de armamentos e tecnologia.
Com o tempo perceberam que poderiam usar esse fenômeno para dominar o ser humano.
Criaram então falsos relatos de aparições em radares, recrutaram maçons para serem testemunhas desses avistamentos fajutos, escrever livros, criar filmes com essa temática, tudo para fazer uma lavagem cerebral a longo tempo que faria a pessoa nascer ouvindo falar em tais coisas até acreditar na possibilidade de existência dos mesmos.
Concomitantemente desenvolviam aeronaves em forma de disco e com certeza já possuem muitas delas por aí.
Veja um vídeo abaixo do primeiro protótipo de disco voador, baseado em projetos que eles conseguiram dos nazistas no fim da segunda guerra mundial.
http://br.youtube.com/watch?v=cmPiZv4q4Ms&feature=related
Para imitar o alien que ficou fixado como ícone na mente dos ufólatras irão utilizar andróides ou então chimpanzés modificados geneticamente.
Veja um exemplo de andróide aqui , lembrando que o que eles criaram é muito mais sofisticado já que a tecnologia que detêm só conheceremos em 10 ou 15 anos.
http://br.youtube.com/watch?v=6Ak3coBKBC0
Os maçons que armaram toda essa mentira ovni vão dizer que os aliens que criaram não vêem do espaço e sim do fundo do mar.
Que são seres que “evoluíram” nas profundezas e que os mesmos possuem uma civilização que está sendo afetada pelos humanos que estão degradando o meio ambiente.
Seria muita ingenuidade pensar que num discurso de um presidente dos EUA entram palavras ao acaso.
O que ele fez foi passar uma mensagem para os governos que conspiram para fazer o público acreditar em Ovnis e aliens que acelerassem o processo de lavagem cerebral até que esse público estivesse totalmente predisposto a aceitar um “contato” como algo inevitável e até mesmo esperado.
Ótimo texto, Kentaro… aliás, por falar em idiocracias, já assistiu o filme (“Idiocracy”)? Vale a pena.
Abraços!!!
“Sim! Há conspirações! E várias! Mas elas se anulam no caos. O mundo é controlado por palhaços infames”
– Alan Moore
Só não vamos deixar que a ideia não se transforme no seu oposto: de que nunca acontecem conspirações… Em geral provocada por “palhaços infames” como Arrudas e Dirceus e PCs da vida.
Recomendo duas leituras. Opostas, mas por isto mesmo complementares, ainda que uma não negue de forma explícita a outra.
a)O Andar do Bêbado: conta a história da estatística e se concentra na dificuldade da mente humana em entender o que não-significam (ou como funcionam) eventos aleatórios.
b)Freaknomics ou ainda SuperFreaknomics: os dois autores destes livros concentram-se em encontrar causas inesperadas para certos eventos. Procuram padrões que podem ser explicados por pequenos “detalhes”… Honestidade, desonestidade, apatia, moda de nomes…
Abs
Navegando nesse site fiquei com a impressão que um cético não passa de um crente às avessas. Assim como um fanático crente fundamentalista não consegue chegar a nenhuma conclusão diferente da dele mesmo, assim também acontece com um cético de carteirinha. O crente se esforça para provar que sua fé é a única resposta possível,o mesmo se dá com o ceticismo que vejo neste site. Nenhum dos dois, crente ou cético, deixa espaço, por menor que seja, para aquela humildade que deveria caracterizar a verdadeira ciência: a humildade do não saber, pelo menos por agora, com o que estamos lidando. Vivemos em um universo cheio de surpresas. O que a história nos tem ensinado até agora é que as coisas que de fato sabemos são uma gota diante do oceano que desconhecemos. Tenho muitos amigos crentes (melhor seria chamá-los de crédulos) que sempre me surpreendem com sua capacidade de aceitar sem questionar, sem provas alguma, as mais fantásticas afirmações de terceiros. São papagaios dogmáticos repetindo poderosas afirmações. Grandes afirmações exigem grandes provas universais. Também tenho muitos amigos céticos. A maaioria não consegue apoiar na ciência (até onde chegam seus limites) suas negações do desconhecido. São papagaios da negação. Sua única diferença com os papagaios da fé crédula é a cor de suas penas. De certa forma, em algum ponto de nossas vidas, somos papagaios repetindo o que alguém mais inteligente nos ensinou. Deveríamos pelo menos checar se a pessoa de quem repetimos os jargões não era outro papagaio. Enfim, sem resvalar para o agnosticismo, sugiro que sejamos um pouco desconfiados de nossas crenças e descrenças. Que não sejamos dogmáticos em nenhuma direção. Que não sejamos dogmáticos nem mesmo em não sermos dogmáticos, pois tudo é “maya”, inclusive a noção de que tudo é “maya”.
Sou obrigada a concordar contigo Roberto. Suas palavras mostram simplesmente o óbvio e eu sempre me encanto com o poder que óbvio tem e como é fácil esquece-lo.
Nunca consegui acreditar em Deus, bem absoluto e perfeito que mata mais raticida e permite que o mal tenha quase que o mesmo poder. Isso nunca fez sentido para mim desde meus 6 anos. Aos 9 fiz escolinha católica para fazer a primeira comunhão, fui a primeira da sala assim como também era a mais novinha do grupo. Apesar de parecer entender e acreditar eu nunca consegui achar que Deus e o Diabo eram personagens separados. Na minha cabeça Deus é o nosso lado bom, o anjinho que fica no ombro direito enquanto o Diabo é o capetinha que fica no ombro esquerdo. Tente dizer isso para um padre. Eu quase apanhei. Aos 14 eu larguei definitvamente de tentar ter fé. Cada vez que eu tentava me apoiar em algum dogma… eu sofria o reverso. Parei de tentar e passei a observar. A religião e a fé sem fronteiras tem um efeito maravilhoso sobre algumas pessoas. Faz com que elas vivam uma vida cheia, mesmo sendo pobres. Em compensação sobre outras pessoas, a religião tem um poder devastador. A pessoa só enxerga e só aceita aquilo que a religião diz ser certo, mesmo que o resto do mundo diga que é errado ou que deve ser evitado.
Acho muita presunção nossa achar que estamos sós no universo, ele é grande demais pra isso e nossos cientistas já deram provas de que pode ( talvez deve ) existir vida ( não necessariamente inteligente ) fora do nosso mundinho. Assim como a fé religiosa, a crença nesses aspectos da ciência ( sem o próprio uso da ciência ) pode ser tão destrutiva quanto. A única coisa que eu faço questão de manter sempre a mão é a dúvida. Teorias da conspiração existem, assim como o fato de a religião ter um peso político muito maior que o papel a qual se propôe que seria cuidar da alma de seus seguidores. Não creio que se existir um Deus ele vá se importar com nossa política e aparecer para crianças pedindo para construir igrejas e fazer guerras, mas isso parece ser mais importante para o mundo que as fotos enviadas pelos satélites e os longos anos de estudos dos nossos cientistas.